segunda-feira, 7 de março de 2016

.de quando não cabe mais no peito.






Não consigo acreditar que tudo foi assim tão rápido. Mesmo que seus olhinhos pequenos e sua voz rouca tenham me chamado atenção desde aquele primeiro encontro, jamais imaginei que seria assim. Nem me preparei, só senti. Ainda bem que você não notou, meu nervosismo, meu rosto vermelho, meus olhares compridos. Como eu amei o seu sorriso, como pensei nele, como falei dele pra quem quisesse ouvir. Como olhei suas fotos querendo descobrir mais de você, querendo decifrar quem era essa pessoa por trás de todo aquele frio na barriga. 

Minha vida estava boa, organizada, tranquila, não me faltava nada. Você chegou e ocupou um espaço que eu nem sabia existir, mas tampouco me importei de te dar. Não evitei nada, te dei aquilo que eu quis e por você aceitar e me retribuir, eu quis te dar mais. Você me levou pra sua vida, veio pra minha, sem questionar, naturalmente, um tanto de cada vez. Porque queríamos descobrir juntas que encantamento era aquele.

Você é linda, de um jeito tão natural. Sensual, mas não ensaiado, nada alegórico. Inteligente, sem ser pretensiosa. Envolvente, por ser tão interessante. Doce, sem ser melosa. Gosto de sentir seu cheiro e me sentir em paz, gosto de dormir com você e te abraçar no meio da noite. Gosto de acordar e ver que você está lá, com os cachinhos bagunçados, os olhos sonolentos, o abraço quentinho e não tem nenhum outro lugar que eu gostaria de estar. 

Você me diz que a gente está no tempo certo uma da outra, que me olhou e pensou que eu era a pessoa que você esperava, que não consegue passar nenhum dia sem sentir minha falta, que eu tenho tudo o que uma pessoa pode ter de você. Eu rio boba, toda feliz. Tenho que me concentrar até nas pequenas coisas, porque só quero pensar em você, afinal de contas, somos adultas, temos tantas responsabilidades e ainda assim, o coração quando ama parece adolescer. Adora clichês, vê o ser amado em todos os lugares, mensagens subliminares em tudo o que lê, sorri sozinho de pequenas lembranças, olha a vida com olhos mais esperançosos.

Quero agarrar você em todos os lugares e fazer pequenas demonstrações de afeto só pra ver o seu sorriso tímido. Quero falar de você pros meus amigos e te citar em conversas aleatórias só pra sentir o gosto do teu nome na minha língua, quero ouvir músicas pensando em você, colecionar fotos nossas em álbuns manuais, comprar livros que você iria gostar e andar de mãos dadas só para me certificar que você está mesmo ali. Quero te contar da minha vida e dos meus sonhos, quero que você faça parte dos meus planos, quero conhecer o mundo com você. Não me importa a parte do mundo que não nos aceita, temos amor de sobra para distribuir e com você junto de mim não tenho medo de nada, vou preparada, pra ser feliz.


A gente fica mordido, não fica?
Dente, lábio, teu jeito de olhar
Me lembro do beijo em teu pescoço
Do meu toque grosso, com medo de te transpassar [...]
Deixa eu bagunçar você? Deixa eu bagunçar você?

(Zero – Liniker)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ao amor que vai chegar


Ela não acreditava muito nisso de príncipe encantado. Achava que a sua ideia de perfeição não fosse a mesma da maioria das pessoas. Ela queria alguém que ela pudesse amar e viver sem, mas que apesar de tudo, escolhesse viver com. Alguém que ela pudesse amar apesar dos defeitos e da rotina. Alguém a quem ela admirasse e gostasse de ter por perto, pelo simples prazer da companhia. Sem cobranças de felizes para sempre, apenas usufruindo cada dia de uma vez. Não que ela tenha nascido sem sonhos de amor eterno, mas eles amadureceram com o tempo e evoluíram para algo mais tranquilo dentro dela. Ela não precisava mais de grandes demonstrações públicas de afeto, mas de alguém que segurasse a sua mão no dia em que ela recebesse uma notícia ruim.

Ela não diminuiu a intensidade dos seus sonhos, apenas os trocou por algo que concluiu ser mais real. Ela já havia amado e sido magoada e durante um tempo se questionou acerca do destino, da vida, de tudo. Como pode ela ter amado tanto alguém e no final a única coisa que ainda a fazia lembrar dele era quando ia ao cinema e não conseguia entender a moral da história dos filmes? Ele sempre lhe explicava pacientemente qual foi a trama que se sucedeu em Onze Homens e Um Segredo, sem reclamar, sem perder a paciência. Ela achava incrível como algo tão banal pode ter sido o que ficou gravado mais forte na memória ou o que ela realmente sentia falta. Beijos, abraços, sonhos e planos, esses ficaram esquecidos, não valiam mais a pena, não a interessavam mais.

As pessoas perguntavam e até cobravam um namorado, aquele discurso ridículo de que mulher só é realizada com um homem ao lado. Ela antipatizava com qualquer arranjo de encontro às cegas e vou-te-apresentar-o-primo-do-fulano-que-é-a-sua-cara. Ela tinha preguiça. De explicar que não queria qualquer um, que não estava desesperada, que gostava de não ter que dar satisfações, de poder viajar sem consultar a agenda de ninguém, e, principalmente, ela tinha preguiça de plastificar um sorriso no rosto e conversar amenidades com alguém tão entusiasmado quanto ela. Como tudo o mais na sua vida, ela não queria que fosse ensaiado. Ela sabia que iria encontrá-lo, só não sabia quando, nem como, mas tinha essa fé inabalável: ele também estava por aí, procurando por ela. Ela se sentia bem só de pensar que esse alguém já existia no mundo e adorava imaginar o que ele poderia estar fazendo e como seria quando se encontrassem, onde estariam, o que vestiriam. Parecia tão utópico que ela não contava pra ninguém. O seu maior segredo era ter tanto amor dentro de si, intacto.

Ela seguia sua vida. Trabalhava, estudava, era independente. Defendia as causas sociais porque sempre acreditou que o coletivo sobrepunha o individual. Saía, dançava, se divertia. Lia seus livros. Ia na academia, extrapolava as calorias, comprava roupas novas. Ela não tinha pressa, só vontades, não  se sentia como se estivesse faltando algo, mas na expectativa do que estava por vir, daquelas coisas intangíveis. Ela sentia falta de atenção, de um carinho furtivo, daquela mão para segurar a sua num passeio no parque no domingo à tarde, de alguém que a protegesse da chuva no caminho até o carro, ao sair de um restaurante, não porque ela não pudesse fazer tudo isso sozinha, mas pela gentileza da intimidade compartilhada. Ela não queria nenhum conto de fadas, loucuras de amor, nada desse tipo, isso só funcionava nos filmes, na vida real, o que importava eram as coisas mais simples. Ela acalentava seu coração com sonhos doces, gostava de pensar que um dia sua fantasia ganharia corpo e vida e enfim ela poderia conhecer aquele a quem ela já amava havia muito tempo.


*Texto antigo, anteriormente publicado n'O Caju, e agora remodelado.


(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ao amor que não é meu


Eu nunca soube explicar o que você é pra mim, acho que nem pra mim mesma, imagine pros outros. Ou pra você. Só não tem como negar, quando te vejo meus olhos brilham, se enternecem. Pensar em você me faz bem, me deixa nostálgica, incrivelmente das coisas que não vivemos, dessas possibilidades que não se concretizaram. 

Quando você me disse que estava apaixonado (por outra pessoa, não por mim), não me senti infeliz, nem mesmo por um segundo. Fiquei surpresa, claro, mas radiante. Se existe alguém que merece essa chama boa que é se sentir amado, é você. Me veio logo um sorriso, uma vontade que você fosse a pessoa mais feliz no mundo todo. Torci para que tudo desse certo, que essa pessoa fosse merecedora do seu amor e soubesse a raridade do que tem nas mãos. 

Espero que ela te carregue com cuidado, entenda suas inseguranças, esteja contigo quando você estiver de mau humor, tenha orgulho das suas conquistas, faça carinho na sua barba, ouça seus jazz e suporte seu cigarro. Espero mesmo que ela te ame com um coração leve, com um amor tranquilo, que só faz bem.

Não tenho nada contra ela, nem poderia. Como ter qualquer sentimento ruim por alguém que te deixa com um sorriso bobo? Tenho certeza que é alguém especial, com um brilho admirável e um espírito vibrante. Sempre a verei pelos seus olhos, pelo reflexo do que ela te faz sentir

Eu não desejo que esse amor acabe, de nenhuma forma te desejo algum sofrimento, queria que você fosse dessas pessoas que tem um amor pra vida inteira, que inspirasse aqueles filmes piegas da sessão da tarde. Mas não posso negar que tenho esperança que um dia você me ame assim, que a gente possa ser um amor na vida, na nossa vida. Que eu seja o motivo do seu sorriso, da sua saudade, de você postar fofuras tímidas na internet.

Tenho na minha mente todas as viagens que faríamos, os domingos de preguiça entre cochilos e carinhos, a surpresa que eu faria num dia aleatório, um jantar, uma dança praticamente sem mover nossos corpos, o dia em que me alegraria com uma vitória sua, um passeio à beira mar, uma ligação para contar uma boa notícia e até o sexo de reconciliação. Você não sabe, mas eu tenho um arquivo de fotos suas. Nossas. Estão todas salvas na minha mente. Tenho exatas imagens de momentos que nunca vivemos, mas estão nas lembranças de nós que eu gostaria de ter.

Você é pra mim inexplicável. Um amigo, um querido, um sonho bom, um carinho, um afeto, uma admiração, uma lembrança, uma alegria, um querer bem. Não faço exigências, não tenho expectativas nem ciúmes. Não é amor, não é paixão, não é nada que venha com rótulo. O que eu sinto nem tem nome, não precisa, está aqui dentro guardado. Não vai acabar, talvez mude porque nada é estático, mas quero cultivar essa beleza que guardo, pra te dar, hoje, amanhã, talvez nunca. Não importa, o que sinto apenas é, sem barreiras.

Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

quarta-feira, 4 de março de 2015

#vidafit

Minha vida ano passado foi um turbilhão e esse ano tenho tentado organizar algumas coisas, mas como é necessário ter foco, resolvi me atentar a três coisas: cultivar um estilo de vida mais saudável, com prática de exercícios físicos e alimentação balanceada, me organizar financeiramente para comprar meu canto e  voltar a estudar (concluir a monografia da pós e passar numa seletiva de mestrado). Quanto a esse último, admito não ter feito nenhum progresso, mas em relação ao primeiro já tenho tomado algumas atitudes (o segundo tá caminhando pra dar certo, veremos).

Em janeiro comecei a praticar bodypump, que é uma modalidade bem puxada, com várias séries de levantamento de pesos, remadas, arremessos e agachamentos, como se fosse musculação, mas bem mais dinâmico e divertido, já que as aulas são coletivas e os movimentos sincronizados com música (de ótima qualidade, diga-se de passagem). Descobri que adoro o bodypump e isso é inédito, todas as vezes que tentei ir pra academia era como uma obrigação, um esforço terrível e fatalmente eu desistia não muito tempo depois. Então, tô super animada por enfim ter descoberto algo que me dá prazer em fazer e onde eu posso perceber claramente o condicionamento do meu corpo evoluir. Vou à academia no mínimo três vezes por semana, mas em geral, consigo ir quatro (apenas numa semana consegui ir cinco!).

Comecei, ao mesmo tempo, uma dieta de reeducação alimentar, e com exceção do carnaval, também tenho evitado bebidas alcoólicas. Já perdi alguns quilos, só que ainda estou bem longe do que pretendo, mas meu objetivo é mudar meus maus hábitos, a perda de peso apenas faz parte do processo, não tenho pressa. Tentei fazer dança fitness, mas sinceramente dançar pararatimbum e a muriçoca soca soca não dá pra mim e desisti. Semana passada iniciei o pilates, mais por causa das dores na lombar e falta de flexibilidade, mas tenho que enfrentar algumas realidades:

- tô toda torta, com escoliose na lombar, coluna em s, mais um monte de problemas resultantes do sedentarismo de outros tempos, má postura e falta de ergonomia no ambiente de trabalho;
- não tenho praticamente nenhuma flexibilidade (todos os tendões são bem encurtados), o fisioterapeuta disse que pra ficar ruim ainda tenho muito que melhorar e que dificilmente serei uma pessoa realmente flexível (adeus, olimpíadas);
- não estou fazendo pilates fitness, mas em princípio o clínico, para correção dos problemas já citados;
- os exercícios são vagarosos e doloridos, mais como se fosse uma fisioterapia (o que é, de certa forma), mas tenho feito progressos; 

É claro que não vou reverter uma vida toda de sedentarismo em dois meses, meus planos são de médio/longo prazo. Pretendo continuar levando os dois, já que servem a propósitos diferentes, mas estou bem feliz porque é a primeira vez que realmente tenho curtido a prática de exercícios e isso, por si só, é uma vitória incrível. Quero envelhecer bem e ter saúde, os vinte anos daqui a pouco se despedem e preciso começar a cuidar do meu corpo com mais zelo. Não tenho intenção, muito menos interesse, de viver pra isso ou me tornar paranóica com alimentação, mas sim de dosar os excessos e equilibrar minha vida.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O ano que passou

Turbilhão, superação, aprendizado, intenso, sofrido, louco. São poucas palavras que resumem, ainda que de forma bem sutil. Acho que esse foi o ano mais puxado de todos, em que muitas vezes mal tive tempo pra mim. A mudança de Parnaíba para Teresina se arrastou por meses e finalmente saiu em março, me mudei para Teresina, mas ainda assim só entreguei a casa de Parnaíba em julho. Foi uma trabalheira reorganizar novamente meu espaço, reforma na casa de mamãe, uma dinheirama gasta em móveis novos, entre itens de decoração e tudo o mais, mas valeu a pena (embora já tenha acabado o espaço nas minhas prateleiras pra livros, já tô planejando como - e onde - fazer mais). A readaptação à cidade, reavivar amizades antigas, viver novas, o setor novo na UFPI, a receptividade, o trabalho chato e burocrático, tudo isso ao mesmo tempo. Já está mais estabilizado, mas é um processo que demora mesmo para se equilibrar.

Meu cantinho


A greve foi aquela loucura de sempre, mas com a experiência de compor, além do comando local, o comando nacional de greve, em Brasília, por 15 dias. Militei muito, revi amigos, tomei muita cerveja discutindo política, participei de várias manifestações, conheci pessoas novas, enfim, muito aprendizado em meio ao tumulto. É difícil transpor a realidade nacional para a UFPI, por n motivos, mas principalmente pelo atraso que é a consciência dos trabalhadorxs aliada à falta de trabalho de base do sindicato. É uma eterna disputa que nós não sabemos ainda quando vamos vencer, mas estamos aí tentando mudar de qualquer forma.

Greve dos TAES


Não tem como explicar o que foi a campanha eleitoral de forma exata. E sim, fui candidata à deputada federal. Tinha dias que acordava às 3h da manhã para panfletar em garagem de ônibus e quase nunca chegava em casa antes das 22h. Fizemos campanha em praças, escolas, gráficas, universidades, canteiros de obras, zona rural, várias cidades do estado, etc. No geral, tinha apenas um dia na semana pra me organizar ou descansar, mas não era sempre. Escrever e gravar os programas eleitorais também foi outro desafio, vocês não tem ideia do quanto é difícil denunciar e passar o programa do partido, de forma coerente e didática em poucos segundos, mas ficamos super felizes com os resultados. Quem quiser dar uma olhada, é só acessar a página do PSTU Piauí no Youtube. Nossos programas foram super elogiados e nossas aparições nos debates e programas de TV também.

É claro que não podemos deixar de levar em conta minha inexperiência, mas tenho consciência que me desdobrei e me superei em muitos momentos, ainda mais por ser uma campanha financiada pelxs próprixs trabalhadorxs, feita por nós, com apenas nossa garra e disposição, fruto de nosso esforço pessoal e coletivo em fazer algo diferente. Saí da campanha com a sensação de dever cumprido e um número de votos que superaram nossas expectativas. Ser candidata me fez aprender muita coisa, conhecer muita gente e também ser reconhecida.

Campanha Eleitoral


Outra coisa que também marcou o meu ano foi o lançamento da coletânea Blasfêmas - elas entre poemas e prosas, da qual orgulhosamente fiz parte. Há alguns anos conheci o produtor artístico e cultural Carlos Pontes, através da minha participação no blog O Caju, em que eu assinava uma coluna, convidada pelo meu querido amigo/irmão, poeta super talentoso, Ithalo Furtado (super indico os textos e os livro dele, gente!). A ideia de juntar escritoras piauienses num livro de prosa e poesia partiu do Carlos e dele também foi todo o empenho de conseguir grana pra lançar o livro, coisa que é bem difícil com a escassez de recursos destinados à cultura. O livro saiu em julho e, além de uma lindeza, também é um super orgulho. Mais: um sonho realizado. Teve um lançamento em Parnaíba, que por causa da agenda da campanha não pude comparecer, mas no dia 02/08, às 19h, na Livraria Entrelivros, foi o lançamento em Teresina e eu quase morri de amô, com tudo lindo e super caprichado, grande parte das autoras (são dez!), o organizador, minha família e amigos mais queridos presentes, muitos convidados, coquetel e champanhe, enfim! Um super incentivo pra levar a sério um hobby que me faz muito bem e que eu abandono de vez em quando, mas nunca largo, que é escrever. Quem sabe qualquer dia desses não saia um "filho" totalmente meu?

Lançamento Blasfêmeas


Fora as viagens da campanha pelo interior do Piauí e à Brasília, por conta da militância, e com toda a loucura do ano, não deixei de turistar, uma das coisas que eu mais amo fazer. Passei o carnaval entre João Pessoa e Recife/Olinda, conhecendo praias lindas, revendo amigos e aproveitando a cultura maravilhosa dessas cidades. Voltei à João Pessoa em dezembro também, por uns dias, nas férias e foi uma delícia, mesmo que rapidinho. Conhecer JP e suas praias me deliciaram com visões das mais espetaculares e a vontade de voltar é constante. Em dezembro também passei uns dias em Barra Grande (litoral do Piauí), velha conhecida, mas um dos lugares que eu mais amo estar no mundo, que me traz paz e me sintoniza com a natureza de uma forma maravilhosa. Outra cidade que tive o prazer de conhecer foi o Rio, que por mais clichê que possa parecer, é MUITO lindo. Não dá pra explicar, só é diferente de qualquer outro lugar que eu já tenha ido, só a visão panorâmica da chegada na cidade é de tirar o fôlego! Claro que fiz todos os passeios de primeira vez, Pão de Açúcar, Cristo, Lapa, praticamente não dormi os poucos dias em que estive lá, mas nem precisava. Também voltei em São Luís, que mesmo sendo vizinha fazia um tempinho que eu não visitava, então aproveitei o casamento dos queridos amigos (Felipe e Fernanda) para passear pelo Reviver e a orla da  Litorânea.

Viagens


Um dos pontos negativos do ano foi minha total falta de rotina e com isso, de disciplina no cuidado com alimentação e prática de exercícios. Sabe quando você relaxa totalmente? É claro que os resultados não foram bons, ganhei mais de dez quilos durante o ano e mais que isso uma indisposição terrível e um possível caso de refluxo, fruto dos excessos do final do ano e férias. Então, que uma das minhas metas pro ano é encontrar algo que eu goste de fazer e mudar certos hábitos que tem me feito mais mal que bem. Não quero me tornar obcecada com meu corpo nem nada disso, mas preciso ter uma qualidade de vida maior, me sinto sem nenhum condicionamento físico e não é mais todas as comidas que me caem bem. Daqui a pouco chegam os trinta, tenho que me cuidar.

Tive uma grande decepção esse ano com uma amizade, na verdade, não exatamente apenas com uma, mas de uma forma mais forte com uma pessoa que eu considerava demais e compreendi que elx não tem nenhuma moral ou princípio, que se for pra se dar bem e se safar, vai fazer qualquer coisa, inventar qualquer mentira e passar por cima de qualquer amizade. Fiquei triste, de coração partido mesmo, me achando boba, crédula e idiota por ter passado tantos anos sem enxergar quem de fato elx era. Chorei muito e me recriminei pela minha ingenuidade, mas também passei a compreender diversas coisas, a fazer uma releitura de vários episódios do passado. E no final, fiquei feliz em perceber que tinha pessoas ao meu lado para me ajudar a passar por aqueles problemas e compreender que não sou eu que estou errada por me entregar e acreditar numa amizade, mas quem se aproveita disso conscientemente, para se beneficiar em detrimento do prejuízo dx outrx. Não tem como não sair afetada, não repensar muita coisa, não aprender a ser mais cautelosa, ao mesmo tempo, não me tornei amargurada, tenho várias pessoas lindas e de coração bom para me mostrar que não é um erro me abrir para as pessoas, que muitas delas ainda valem pena.

Acho que não sei como explicar esse ano pela sua intensidade, principalmente. Descobri muita coisa sobre mim durante esse período. Nunca fui uma pessoa "normal", sempre contestei muita coisa, mas tem piorado/melhorado bastante. Então que cada dia mais me desvinculo de rótulos e fórmulas, me jogando em novas experiências e vivências. Tenho repensado muita coisa e acho que não me encaixo mais na maioria dos padrões. Os relacionamentos usuais não me satisfazem mais e acho que é muito difícil que eu vá fazer parte do time dos casados convencionalmente. Não tô criticando ninguém, gente, pelamor. Só que com as minhas experiências, vivências e estudos, é uma coisa que eu não quero mais. Ainda não sei bem o quero, acho que tenho que descobrir vivendo mesmo e com certeza ainda tenho muita coisa pra me livrar até chegar nessa resposta. Claro que quero me apaixonar, ter filhos e umx companheirx, mas acho que elx tem que tá também na mesma vibe que eu (bem essa que eu ainda tô descobrindo, hahahaha).

Então chegou 2015 novinho e cheio de dias que me trarão novas descobertas. Com certeza, dias felizes, de luta, de pequenas decepções, de surpresas, de tristezas, de preguiça, de ternura, de dificuldades, de milhões de sentimentos e facetas diferentes. Você quer vir comigo descobrir?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

.daquilo que eu queria te dizer.


"das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter, só assim sinto você bem perto de mim... outra vez" (Roberto Carlos)


É tão difícil aceitar que tem um milhão de coisas sobre mim que você não sabe mais e que eu adoraria te contar, mas não posso, não mais. Você me disse que não consegue conviver comigo assim, de forma platônica, que suas prioridades mudaram e sua forma de ver o mundo também, desde sua experiência de quase-morte. Entendo, ainda que discorde de boa parte. Não acho que não saberíamos lidar, muito embora, no fundo saiba que seria sempre uma tentação, ali, ao alcance. 

Fico triste porque sinto sua falta, da sua amizade. Das conversas sobre coisas sérias e sobre besteiras também (na maioria das vezes). De você ser um dos amigos mais antigos da minha vida e de poder contar muitas histórias incríveis sobre a nossa amizade. Sinto falta de te ver depois de muito tempo e parecer que não passou nenhum minuto desde o último encontro. Sinceramente, acho que sinto falta até de brigar com você. Não foram poucas as vezes que discordamos e nos separamos, como que terminados da nossa amizade, mas sempre retomamos, depois de algum tempo ou de uma ou duas conversas difíceis, vinham as fáceis, bobas ou safadas, que provocavam risos e desejos, com aquela sensação confortável de familiaridade.

É verdade que tem muita coisa sobre mim que você precisaria reaprender, mas tem muito mais coisa que você já sabe, por experiência, conhecimento ou instinto. De uma forma ou de outra, sei que ainda iremos nos reencontrar, que seja mês que vem ou daqui a anos pouco importa. Não tenho restrições quanto à forma, aceitaria de bom grado àquilo que você estivesse disposto a dar.

Feliz aniversário, el diablo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Amigo Secreto da Laje 2014




Todos os anos, eu e um grupo de amigas blogueiras participamos de um Amigo Secreto muito especial, tenho certeza que vocês que vem aqui há algum tempo já conhecem o nosso Amigo Secreto da Laje. Essa foi a 5ª edição, quem diria!? Tudo bem o consenso foi de que esse ano tiveram algumas dificuldades inesperadas, que poderíamos ter interagido e nos dedicado mais, mas acredito que no final o carinho valeu muito a pena. Esse ano fizeram parte da nossa brincadeira as veteranas: eu, Lile, Ana, Anabel e Juliane (não puderam participar Dani e Bel) e foram colocadas no nosso time as novatas super queridas Quel e Lu.


 Tchan-ran!

Fiquei naquela pilha quem-será-que-me-tirou, mas claro que quase nunca acerto, não poderia ser diferente, passei bem longe da verdade. Ganhei um livro que estava na minha lista de desejados do Skoob (não é difícil me agradar, gente, rs) mais um copo bem legal e super útil que levei para o trabalho e já está me acompanhando na dieta (ano novo, vida nova!), além de um chaveirinho de luas bem bacana e super mimoso que eu adorei. Minha amiga secreta não economizou na fofura e também me mandou um licor de jabuticaba, que é típico da cidade dela, que é Jaboticabal (ainda não provei porque não quero que acabe logo, hehe).  Acho que assim ficou fácil saber quem me tirou, né?

A Lu, que mesmo às voltas com o casamento dela ainda teve tempo e disposição para tamanha demonstração de afeto e carinho. Adorei todos os presentes, sério mesmo, até a caixa é uma lindeza (e a minha prima queria pra ela como pagamento por ter me ajudado a mandar os presentes da minha amiga secreta, juro). Muito obrigada por toda a delicadeza, pode ter certeza que senti suas boas energias atravessando os vários quilômetros que nos separam!

O livro
Copo de porcelana
Licor
A cartinha *--*

Só não posso deixar de comentar a minha sorte, já que tudo veio assim, como a foto mostra, dentro da caixa, e por um milagre da natureza (que eu nem acredito, rs), nada veio quebrado. Ao embalar os presentes que mandei, coloquei tanto plástico bolha que achei que minha amiga secreta nem ia conseguir desempacotar! Não tenho uma experiência muito boa com os correios, vocês sabem.

Pois bem, já que tô falando da amiga secreta que eu tirei, deixa eu contar como foi que escolhi os presentes dela. Pensei em várias coisas e fiquei super indecisa entre tudo porque minha amiga secreta é uma pessoa super especial que estava precisando de muito carinho. Então, acabei optando por várias coisas, em juntar muitas fofuras, para espalhar por todos os cantos, em casa, no trabalho e lembrar sempre que aquilo era carinho, vindo de longe. Como ela adora itens de papelaria, juntei uma agenda Opinião linda, super artística, cheia de pinturas e poemas em todas as páginas, que eu uso todos os anos e adoro, com post-its com ímãs, bloquinhos de anotações, clips e um pen drive que eu tinha comprado pra mim e nunca tinha usado (afinal, nunca é demais). Só que não fiquei feliz e pensei em acrescentar algum livro legal e como sei que ela ama Ágatha Christie, fui à caça de algum livro dela que ela ainda não tivesse lido (praticamente uma missão impossível, acreditem). Além disso, como ela ama fotografia e está sempre nos presenteando com fotos lindas da cidade dela, acrescentei também no pacote cartões postais especiais e não vendáveis de pontos turísticos de Teresina, que ganhei por participar de um evento de fotografia. E como não podia deixar de ser, também mandei umas gordices piauienses, para adoçar a vida: cajuzinho (de caju), rapadura de caju, castanha (isso mesmo: de caju), cajuína (enfim!) e uma cachaça típica da região, a Mangueira. Fiquei muito feliz em ter acertado (de novo!) no presente pra Lile e de ter levado carinho e muitos sorrisos ao seu rosto, em meio à um ano tão difícil e dolorido. Ela contou todas as suas impressões sobre o meu presente aqui.

Entrega especial para Ouro Preto

Quem quiser saber também sobre as outras revelações, é só clicar:


Mais uma vez, meninas, obrigada por tudo, por me ouvirem, me apoiarem e estarem comigo durante o ano e por continuar, ano após ano, me mostrando quanta amizade a gente pode cultivar, ainda que de longe. Muitos anos de amizade, carinho e de amigo secreto para nós!

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Nuances


Começou com os olhos que me enxergaram a alma, depois foram as palavras que me encantaram e divertiram, por último a barba espessa roçando minha pele. Foi daquelas coisas inevitáveis que a gente nem espera, até tenta resistir, mas só um pouco, porque sabe que amanhã ou depois, não adiantaria nada mesmo. De uma forma tranquila e leve me traz paz, me faz esperar uma mensagem no celular, me arranca um sorriso bobo.

Talvez não seja futuro, nem quero. Gosto de ser assim, novidade. Da intimidade se fortalecendo, das descobertas, dos encantos, não quero a toalha molhada em cima da cama ou as prestações vencendo no fim do mês. Acho que sou dessas pessoas que não nasceram pra ser a última história, mas aquela que é saudosa e encontra eco no coração.

Incrível essa sintonia expressa nos detalhes, na confiança dos segredos da alma, na vontade de experimentar, em sentir que pode ser você mesmo sem medo nem culpa. Eu sei que sou seu escape, quando ser quem você deveria se torna muito pesado, mas não ligo, gosto de ter um você que não é dos outros.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

I don't love you anymore


Sua pele na minha e eu não me arrepio mais. Seu cheiro continua tão bom, tão seu. Seu beijo me é familiar, eu reconheceria de olhos fechados. Estar com você é confortável, terno e seguro. Você conhece meu corpo tão bem, meu gosto, minhas manias, meus olhares. E ainda assim isso não me convence, eu não vejo mais um futuro para nós. É tão triste perceber que está tudo bem e ainda assim essa normalidade carece da emoção de outros tempos. 

Acho que as mágoas e o tempo cimentaram meus sentimentos. Você admitir suas responsabilidades é importante e demonstra o quanto você amadureceu, mas desculpe, é tarde demais. Eu quis tanto ouvir essas palavras, mas agora elas não penetram mais meu coração, ficam ali no limbo dos sentimentos, suficientemente importantes para serem notadas, mas não o bastante para me tentar.

Queria te odiar, por mais contraditório que possa parecer, porque ainda seria uma emoção forte, mostraria que eu me importo. Mas não, eu gosto de você, de estar perto, conversar, do sexo familiar. É bom, gostoso, mas não me completa mais. Não me empolga. Não me faz ter vontade de enfrentar todos os nossos problemas.

Eu mudei. O que tínhamos não é o que eu quero mais, talvez nunca tenha sido e só agora me dei conta. É estranho, não faz tanto tempo assim que ter você era a fonte de todos os meus anseios. Mais do que tudo, aquele setembro me mudou. Quando me despedi de você naquela rodoviária, já sabia que era a última vez.

No auge da paixão não queremos admitir a fragilidade da vida, as nuances dos sentimentos. O fato é sólido, os amores mudam. Eu sentir falta da sua mãe, querer saber como anda sua nova sobrinha e me alegrar com suas vitórias não é amor. Talvez seja amizade, carinho, consideração. O nome pouco importa.

Te quero bem, feliz, inteiro, intenso. Não pra mim, mas pra vida. Como uma cena final de um filme, o que me seduz é aquele olhar misterioso do que está por vir.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Amigo Secreto da Laje 2013

Como já é tradição, todos os anos nos reunimos para celebrar nossa amizade, entre um seleto grupo de blogueiras (algumas até se conhecem fora do mundo virtual) super queridas com um animado Amigo Secreto, esse ano tivemos a baixa da Ana e da Patrícia, mas a primeira participou praticamente de tudo, só não ganhou (nem mandou) presente, mas já garantiu a participação pro próximo. Olha lá, hein, Ana? Você fez muita falta na nossa brincadeira! Então, estavam na disputa: eu, Dani, Bel, Anabel, Ju Rodrigues e Lile.

Esse ano foi consensuado que iríamos enviar os presentes em janeiro, o que, na minha opinião, não deu muito certo. Considerando os nossos atrasos, que já são de praxe, mais o descaso dos correios, o resultado é que aqui estamos, praticamente em março, ainda emboladas com a revelação do AS. Então, fica aqui o meu apelo, vamos voltar pra dezembro, meninas? Muita aflição adiar o envio e a revelação dos presentes!

Adoro participar dessa brincadeira, ficar imaginando quem que vai me tirar, o que eu vou ganhar, receber os bilhetinhos, todo o carinho e cuidado, não tem preço. E esse ano, tive uma surpresa maravilhosa, porque, afinal de contas, eu quase sempre erro o palpite de quem me tirou. Nunca na vida adivinharia que meu presente viria de Uberaba! Isso mesmo, quem me tirou foi a Dani!

Recebi o presente do carteiro, claro que é o mesmo que vai pegar o malote na UFPI e é claro que eu estava de camisola super sexy #sqn again. Não é o mesmo de outros tempos, meu velho amigo que até me ligava pra dizer que as encomendas tinham chegado, mas o que era meio chatinho e de cara amarrada que não gostava de mim, só que hoje já é meu brother e fica se lamentando porque eu vou embora. Recebi a encomenda e foi todo um ritual, coloquei a caixona bem no meio da sala e fui tirando fotos, desempacotando com cuidado, morrendo de amor a cada descoberta.

O que será?
Embrulho super bacana
 
 Fofurices
 

O presente foi da Imaginarium - que eu adoro! - que sempre tem coisas tão fofas e eu sou aquela pessoa que ama penduricalhos. Ganhei um cubo com fotos personalizadas, que a Dani fez questão de selecionar, de momentos que ela acha importante pra mim ou fotos que ela acha que me caracterizam, como nosso encontro, minha formatura, a militância, a tatuagem no meu pé, Heitor, etc. E a coisa mais linda do mundo é que esse cubo fica girando, gente, vocês tem noção do amor? É uma lindeza só!!!

Daí que ganhei outras coisas, doce de leite na palha e doce de leite com chocolate (amo!), um chaveirinho de vaquinhas (ela sempre me diz que é o que Uberaba tem de melhor e eu gosto de pensar que como eu dei a Pão-de-ló pra ela, é meio que um símbolo da nossa amizade) e uma geléia de caipirinha (não me perguntem porquê, não faço ideia, rs), que eu ainda não provei, só o Égil, de metido.

Cubo mágico?

E, como não poderia deixar de ser, também veio a cartinha mais linda do mundo, cheinha de amor, carinho, confiança, amizade. São muitos anos (nenhuma de nós sabe o quanto ao certo) que nos amamos de longe, como se fosse perto, é muita história que compartilhamos, momentos bons e ruins, muito riso, muita lágrima, muito conselho, muita amizade. A Dani é aquela amiga que eu não sei explicar porque, só sei que é. Agradeço muito todo o amor que veio de presente pelos correios, mas agradeço ainda mais pelo que é intangível e essencial, como já dizia Saint-Exupéry, que é invisível aos olhos.

Cartinha cheia de amor

Já que a Anabel postou primeiro que eu, vou falar um pouquinho de como foi que escolhi o presente da AS que eu tirei. Foi uma saga encontrar o presente dela, já que ela não me pediu nada, não me deu nenhuma dica e eu já tinha dado tanta coisa pra ela (das quatro edições, tirei ela em três!). Nada era novidade! Enchi o saco da Jady e da filha da Anabel, por tabela. Pensei em dar sapatilhas estilizadas lindas da Miallegra (dica de presente pra mim, n.º 37, please, hahahaha), mas descobri que ela não usa sapato fechado. Me embananei toda de novo. Depois de incomodar meio mundo de gente e de visitar vários sites, pedi um livro que não tinha mais no estoque do Submarino (sobre fotografia digital, super bacana) e por fim, segui a dica da minha amiga fotógrafa Dayne Dantas, que me sugeriu Sebastião Salgado (ela disse que era sem erro e comprovei). Juntei mais umas fofurices, lápis coloridos para a coleção dela, um super clipe de borboleta e a cajuína que os correios entregou quebrada, ano passado. Fiquei super feliz porque ela adorou e fez um post lindo contando tudo, é só conferir aqui.

 Para Ilhéus, com amor

E assim terminou mais um ano de Amigo Secreto da Laje, espero que venham muitos outros anos de brincadeiras, muitas surpresas boas e um estoque ilimitado de carinho!

Xêro grande pr'ocês, meninas!

Revelações:
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

.forever is a long time.


Não sei dizer muito bem como estou me sentindo. A palavra geral é confusa, mas acho que não exprime muito bem. Eu sabia que ainda não tinha sido escrito o final definitivo da nossa história, mas achei que não haveria nenhuma surpresa ou reviravolta. Só em perceber que você sabe os meus motivos e entende os meus porquês, meu coração dá um pulo no peito.

Embora eu não tivesse aquela certeza absoluta, por questões de tempo, espaço e oportunidades, estava me encaminhando para ela, me sentia bem, serena, em paz com minhas decisões. Agora, não sei mais o alcance delas ou que esperar das minhas reações.

É tão estranho ninguém ver o mundo que levamos por dentro, toda a miríade de sentimentos que surgem num segundo, num olhar, numa frase, num momento, dentro da gente. Não sou dessas pessoas que expressam tudo o que sentem, escondo muita coisa, pra me preservar. Tenho toda uma ordem de prioridades, meu amor próprio e minha dignidade sempre estão à frente dos demais sentimentos. Os mais sentimentais podem me acusar de não conhecer o amor verdadeiro, então, mas eu sei muito bem de mim e do que sinto. Já aprendi a lidar melhor com o meu orgulho crônico, me preservando de algumas inconveniências, mas também abrindo mão de algumas coisas.

Não sou uma pessoa inconstante, embora mude muito de humores, minha essência persevera. Não sou aquela pessoa que vai viver em função de um relacionamento, tenho tantos interesses e preciso de outras pessoas na minha vida para ser feliz. Isso não quer dizer que não me dôo ao máximo, que não deixo claro que meu companheiro é uma prioridade também. O complicado é entender que esse "também" não o diminui em nada, muito pelo contrário, enriquece ainda mais nossa relação.

 Difícil enterrar o que ficou pra trás sem carregar um amargo no fim. Volta, revira, revive. Espero que a doçura não seja demais pro meu paladar cansado.
              

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

.eu também.


Daqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

.capítulos.


No meio das vãs esperanças das pessoas de que eu 'encontre o amor novamente', me perco. Não estou disposta a atender às expectativas de ninguém, nem quero dar explicações do que acontece na minha vida. Tão bom viver leve, tranquila e despreocupada. Viver pra mim, e só. Se apaixonar é bom, mas relacionamento é tão complicado, eu só não tô no clima. Pode ser que eu mude de ideia, pode ser que não, mas só cabe a mim decidir.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

.dos motivos do meu ateísmo.

É meio polêmico falar sobre isso e eu nunca tinha falado tão abertamente quanto agora. As pessoas tem muito preconceito e às vezes eu só não tô com saco para ouvir tanta baboseira. Não "nasci" ateia. Eu tive convivência com a religião desde sempre, meus pais não eram praticantes de nenhuma religião mais específica, mas sempre foram pessoas religiosas, que acreditam em Deus. Eu frequentei a igreja católica por bastante tempo, fui batizada lá, fiz primeira comunhão, me crismei, participei de grupos de jovens, legião e liturgia de Maria, gostava de ir às missas, cantar os hinos e tudo mais. Não ia regularmente, mas gostava de ir quando possível. Quando fiquei mais velha, passei a frequentar centros espíritas, ler livros, tomar passes, eu gostava muito daquele ambiente de aprendizado e tolerância que eu encontrava por lá.

Mas eu nunca achei que tudo o que as pessoas diziam tava correto, sempre discordei de várias coisas. Lembro de dizer à minha mãe, lá pelos meus dezessete anos, que a Bíblia poderia ser um livro com grande dose de sabedoria, mas que eu não acreditava ser um livro sagrado. Não foi escrito por Deus, mas por homens, anos e anos após a morte de Jesus, numa época que ninguém tinha os conhecimentos e a tecnologia que temos hoje. Um eclipse era um acontecimento inexplicável!

Então, com o tempo, comecei a mudar minha concepção de Deus. Lia muitos livros que me mostravam diferentes crenças, ao longo da história, da concepção de Deus/Deusa. Percebi que o paganismo (assim denominado pelo cristianismo) tinha ideias totalmente diferentes das que as religiões professam hoje. Não havia esse moralismo, esse julgamento perante às atitudes do outro, esse preconceito com relação à mulher. Bom, foi muito lógico pra mim questionar esse modelo de divindade antropomórfica.

Segui acreditando numa força espiritual maior que deveria nos reger de alguma forma, aprofundei minhas leituras, não apenas na história, já que sou marxista dialética, mas também nos aspectos sociais e culturais como um todo. Percebi a força limitadora e alienadora que a Igreja foi ao longo dos séculos, o quanto os dogmas serviram de pano de fundo para subjugar mulheres, negros e gays, o quanto a Igreja cumpriu seu papel como braço do Estado de forma a conformar os pobres da sua condição, já que o reino dos céus prepara uma existência sublime para eles após a morte. Meu ateísmo foi apenas uma constatação diante de tanta contradição, incoerência, crueldade e intolerância.

Algumas pessoas poderiam discordar da minha reflexão dizendo que quem faz tudo isso são os homens, não Deus, mas eu não consigo acreditar numa divindade que permite que isso aconteça em nome d'Ele. É muito simples pra mim, desde o início dos tempos, os homens sempre criaram lendas e mitos para explicar o incompreensível. Os homens precisam colocar a responsabilidade acerca das suas atitudes em algo acima deles, precisam depositar sua fé na possibilidade de mudança em algo que eles não possam controlar, para assim ter mais paz e equilíbrio, mesmo que de forma inconsciente, dos fatos duros da vida.

Tenho muita tranquilidade com minha decisão de não professar nenhuma religião e de não acreditar em Deus, embora tenha acreditado por muito tempo. Essas deduções são mais ou menos recentes, iniciaram cerca de 2 ou 3 anos atrás. Eu não compreendia o que era ser ateu, admito que era meio contaminada pelo preconceito que impera em relação a esse assunto. As pessoas, infelizmente, compreendem os ateus como pessoas que odeiam Deus, pois "o contrário de amor só pode ser o ódio", mas não é bem assim. Não vou dizer que não existam pessoas ateias intolerantes, pois elas existem em todos os lugares, mas observo que a incidência é muito rara. 

Sou ateia e vou em missas, cultos, batizados, faço as orações de praxe nos rituais necessários, não cruzo os braços ou começo um discurso contra isso no meio de todo mundo. Não tenho nada contra a fé de ninguém, não bato na porta das pessoas domingo de manhã pra tentar convencê-los que Deus não existe. Eu aceito as convicções religiosas das pessoas numa boa, mesmo que sejam diferentes das minhas. Eu sou uma pessoa boa, que tenta ser melhor a cada dia, que tenta ser mais e mais tolerante e exercita diariamente a busca pelo direito de todxs de serem aquilo que quiserem, sem que ninguém as julgue por isso, ainda que seja totalmente o oposto de mim.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

.entretantos.


Eu não sei bem o que dizer pra explicar tanta coisa que aconteceu nesse ano que passou, amei, sofri, perdi pessoas que amava, aprendi, vivi e me reconstruí de muitas formas. Continuo a mesma pessoa, na essência, mas nunca a mesma do dia anterior. 

Tive depressão e poucas pessoas souberam, comecei a fazer terapia ainda em abril e estou em processo de alta. Me sinto bem, leve, feliz. Meu terapeuta é maravilhoso e me ajudou muito, ele diz que minha trajetória é incrível, que aprendeu muito comigo também e que hoje é feminista, preocupado com a situação social de vulnerabilidade da mulher. É bom saber que influencio as pessoas a pensarem diferente. 

Se olhar as fotos, bate até uma nostalgia, viajei muito esse ano: Rio Branco, Puerto Maldonado (Peru), Cobija (Bolívia), Brasília, Pedro II, São Paulo, São Luís e Belo Horizonte. Fui a muitas festas, casamentos, formaturas, aniversários, almoços em família. Fiquei muito com meus pequenos, me diverti muito com a minha família, me reconciliei com uma parte dela. Passei um natal e um reveillón excelentes, sem viajar pra lugar nenhum, rodeada das pessoas mais amadas e queridas. Conheci muitas pessoas e continuei amando e cativando meus amigos de sempre. Li muitos livros, assisti muitos filmes, sorri, chorei, mandei mensagens. Pouco escrevi, é verdade, mas muito registrei.

A militância, como sempre, tomou uma grande parte do meu tempo e energia e, de muitas formas, também foi onde me apeguei para não me deixar levar pela tristeza. Meu ideal de vida me dá esperança de construir um mundo melhor. Não é fácil, mas também não é impossível. Morrerei lutando e acreditando, pois hoje posso dizer sinceramente que o partido - e seus princípios - me fizeram uma pessoa melhor, mais tolerante com as diferenças, mais empática ao sofrimento dos outros. Os que acreditam em Deus podem achar que é obra d'Ele, como eu não creio, afirmo tranquilamente que não me importa discutir Sua existência, apenas ter a consciência da minha evolução como pessoa.

Estou a um passo de uma grande mudança, voltar para Teresina representa risos e lágrimas, às vezes fico insegura, outras saudosa, mas tenho confiança que tomei a melhor decisão, apenas verei isso a longo prazo, pois é difícil sair da zona de conforto. E esse ano vai ser um desafio, sob muitos aspectos, mas estarei sempre tentando dar o melhor de mim, mesmo quando o desânimo me pegar, porque eu lutei muito até aqui e entre tantos poréns, sobrevivi.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Embriaguez


Ainda que meio bêbada, sou a melhor opção que você tem. Que ironia hoje eu ter me rebelado e não estar em casa, não? Encontrar você aqui na porta do prédio, me esperando, é que é uma surpresa. Mas, enfim, que outra mulher exigiria tão pouco quanto eu? Que outra mulher te esperaria em horários tão terríveis e se submeteria a ser convenientemente cega, surda e muda ao que você faz longe de mim? Isso sem falar no que você faz perto, ao celular, essa maldita invenção tecnológica que te rouba de mim e me faz engolir lágrimas, ao sabor das tuas mentiras. Não venha me dizer que eu não fui enganada, essa desculpa batida de quem não tem argumentos para as suas escapadas, eu sei de tudo desde o princípio, eu só não sabia antes o quanto me magoaria mesmo assim. 

Você não gosta da minha embriaguez, isso eu vejo nos seus olhos, mas me diga, como me manter sóbria estando à beira da insanidade? Eu não esperava você aqui hoje, não aguentava mais esse peso sufocante que eu tenho aqui dentro e fui fazer o que sei melhor, lamber minhas feridas, sair da realidade, procurar um escape desse amontoado de hipocrisia em que vivo. Eu sou uma pessoa boa, sabe? Legal. Bonita. Inteligente, dizem. Mas não deve ser verdade, já que estou nessa situação com você e me deixo iludir com falsas esperanças todas as vezes que explodo e você percebe que não vou agüentar mais. Meus ultimatos não fazem mais nenhum efeito, não é? Você não passa de um egoísta. Você vê tudo o que faz comigo, mas parece que não se comove, não tem interesse nenhum no que eu sinto. Não me quer, mas não me larga. Gosta de mim apenas o suficiente para não me deixar em paz. 

Não é que eu tenha planejado essa vida de ser relegada, maltratada, preterida. Meu amor próprio era praticamente intacto antes de te conhecer. Ninguém planeja ter seus sonhos destruídos, ter seu amor maculado de defeitos e se sentir insegura ao ponto de não se afastar de algo doentio, que só faz mal. Eu me apaixonei por alguém que não se apaixonou por mim e não teve a decência de se afastar. Me manteve à mercê dos meus sentimentos, por ser simplesmente cômodo ter alguém que o adora sem pedir nada em troca. Você me roubou o que havia de mais bonito em mim, a minha inocência. Não sei mais como acreditar em outro amor, depois de você. Vejo tudo com tão amargo ceticismo, duvido dos relacionamentos felizes, desdenho dos apaixonados. Coitados, não sabem o sofrimento que os esperam.

O que você esperava? Que eu fosse grata por todo o sofrimento que você me trouxe? Desculpe, não vai rolar. Hoje, não. Eu devo ter tomado algum soro da verdade junto com todo aquele vinho. Pra ser ainda mais clara, o que você tá fazendo aqui? Ela te liberou ou você está sendo um menino mau? Eu to bêbada, não tá vendo? Não adianta me recriminar, hoje eu vou te dizer tudo o que penso. Quem sabe assim você descobre que ainda tem um pouco de consciência e se afasta de mim, já que eu não consigo me desintoxicar dessa merda toda que é a nossa vida juntos. É tão patético. Me salve de mim mesma, por favor.

Mas, espere, onde você vai? Não, não vá embora. Eu disse que não consigo me livrar de você, não disse? E é verdade. Mas não é que eu não ame você, eu amo. Só você sabe me abraçar daquele jeito tão bom, me cobrindo inteira com seus braços e mordendo o cantinho entre a minha nuca e o ombro, só porque sabe que é o meu ponto fraco. E o seu cheiro é tão bom, meu Deus, não consigo passar na prateleira de desodorantes sem parecer uma idiota cheirando um Axe Twist. Me abandone, sim. Mas amanhã. Hoje eu tô bêbada e preciso de você me esquentando para não acordar com a sensação que tá faltando um pedaço. Eu posso lidar com o fim. Nesse minuto, tudo o que eu to falando é verdade e eu quero que você se lembre amanhã, só que releva por hoje? Porque hoje eu não consigo. Me abraça, entra, passa a noite comigo. E não me olhe como se eu fosse uma maluca, porque eu não sou. Bem, nem tanto. Não num nível que precise de intervenção médica, pelo menos. Sou mulher, só isso. Mudar de opinião e fazer drama são só algumas das características que eu não consigo me livrar. Eu amo você, vem, entra, me esquenta. Eu adorei que você veio sem avisar.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

.alone.


Os dias tem se alternado entre bons e ruins, sei como funciona a lógica da coisa toda, no começo, mais ruins que bons até que um dia os bons se sobressaem, mas é difícil levar a vida enquanto os dias ruins ainda são maioria. 

Tenho pensado em muitas coisas, ponderado sobre as possibilidades, tentado me focar em coisas importantes, buscado novos desafios. É tão difícil abrir mão de sonhos e planos que construímos com outra pessoa, ainda mais quando há tanto envolvido. Não são os sentimentos apenas dessas pessoas que contam, quando a gente coloca na balança, muitas outras são afetadas.

Dói muito abrir mão. Não conseguir encontrar outras alternativas. Tentar minimizar os danos, para que reste carinho e respeito pelo que foi vivido. Ainda que estar só seja a melhor resposta para a situação, decidir por isso sempre vem com dúvidas, medo, insegurança.

Ficar sozinha não é o problema, já sou acostumada com essa independência, que como tudo, tem prós e contras, mas todo esse processo de desligamento é tão dolorido e desgastante. Não quero esquecer tudo o que vivi, só que é cedo demais para ficar rememorando tudo o que já não é mais. Preciso de espaço para me reconstruir, para superar. Alguns caminhos temos que percorrer sozinhos.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

.a filha pródiga.


Não sei bem explicar qual é a emoção que me toma nesse momento. Não é felicidade, nem tristeza, é uma mistura dos dois. Uma alegria dolorida, quem sabe? Cheguei em Parnaíba muito jovem, me achando muito adulta, mas sem saber quase nada da vida, de como é difícil ter que depender de si mesma pra tudo e qualquer coisa. Conheci muitas pessoas, aprendi tanto e depois de um tempo, me senti em casa. Durante os primeiros anos eu queria muito voltar "para casa", em Teresina, meu lar, onde minha família estava, mas já faz alguns anos que isso mudou. Toda vez que pensava em voltar, arrumava mais motivos pra ficar.

Durante esses sete anos aqui, eu me reinventei e me transformei centenas de vezes, aprendi mais do que em qualquer outro momento, me encontrei de tantas formas e hoje vejo o mundo numa lucidez incrível. Sei exatamente quem sou e o que quero da vida. As coisas que são importantes de verdade e os rumos que devem seguir o meu futuro. Posso muito bem mudar minhas prioridades em algum momento, mas hoje tenho a confiança necessária para saber que vou superar o que quer que aconteça.

Por mais difícil que tenha sido tomar essa decisão, não poderia deixar essa oportunidade passar, nunca houve edital de remoção interna na UFPI, não sei se a política da Universidade seguirá assim, nem se no futuro haveria um número de vagas tão propício. 

Vou, mas uma parte de mim fica aqui. Meu coração está dividido entre risos e lágrimas. Construí tantas coisas nessa cidade, deixo amigos, colegas, camaradas, um movimento de mulheres se fortalecendo, uma regional do partido sendo construída, a subseção do sindicato, tantas lutas por vir, mas também sei que onde eu estiver, novos desafios surgirão e sempre haverá um foco de resistência revolucionária para tocar adiante.

É uma época de mudanças: de cidade, relacionamento, expectativas. Tô tentando focar nisso, esperar por novidades boas, deixar a minha zona de conforto. Às vezes, duvido da minha capacidade, mas encontro forças, sigo em frente. Tenho um certo tempo pra me acostumar com a ideia ainda, passar por um período de transição, acho que até o final do ano devo estar por aqui, o ato de remoção só deve sair após o concurso para técnico-administrativo. Enquanto isso, invisto em novos projetos, direciono minha energia para algo que me desafie.

Quero voltar a procurar um refúgio nesse espaço, tenho sentido muita falta de colocar minhas ideias em palavras, aos pouco, retomo o hábito. Obrigada por não desistirem de mim.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A democracia conveniente


“O Gigante acordou”, dizem em coro, mas eu o vejo sonâmbulo, tonto, sem direção e pisoteando todos aqueles que não estavam dormindo. Hoje era para ser um dia muito feliz, de mudanças pelas quais eu luto há bastante tempo, mas terminei o dia com o sentimento que fizeram uma festa na minha casa, eu ajudei a limpar, organizei, gastei meu tempo, dinheiro, disposição e me mandaram para a cozinha na hora de cantar os parabéns.

Construo a CSP Conlutas, a Fasubra, o SINTUFPI, o Movimento Mulheres em Luta e o PSTU, me organizo politica e sindicalmente por entender que somente unidos os trabalhadores e a juventude conseguem unificar suas pautas e ter foco para encaminhar suas demandas. Além de ser um direito garantido pela dita democracia, no instrumento chamado Constituição Federal.

Muitas pessoas foram torturadas e deram suas vidas para que eu desfrutasse desse direito e eu não abro mão dele, não tenho que pedir permissão a ninguém para exercê-lo, mas parece que muita gente faltou a essa aula de história. O sentimento anti-partidário, que evoca o fascismo e o nacionalismo, está ganhando proporções inimagináveis. Hoje, acredito que pela primeira vez na história da cidade de Parnaíba (Piauí), houve uma manifestação que reuniu cerca de três mil pessoas. Um feito para ser celebrado, diriam alguns. Não discordo do fato, mas tenho as minhas ressalvas. Que maravilha que as pessoas estão gostando das ruas! Que terrível que estejam expulsando àqueles que já estavam lá.

Não pude carregar a bandeira do meu partido porque temi pela minha integridade física, e a dos meus (poucos) camaradas. Fomos ameaçados por diversas pessoas que fizeram intervenções no carro de som: “não admitimos partidos!”, “quem quiser vestir camisa de partido, que o faça na sua casa”, “queimem e rasguem as bandeiras de partidos”. Já viajei mais de 30h num ônibus (isso sem contar a volta) para marchar – várias vezes – em Brasília, para acampar na Esplanada dos Ministérios, acordei de madrugada para tomar o Ministério do Planejamento, estive nas manifestações #contraoaumento em Teresina (primeiras manifestações populares na capital do estado do Piauí contra o aumento das tarifas de ônibus), estive nas greves das Universidades Federais, participei de atos, plenárias, congressos, encontros políticos diversos (sindicais, de mulheres, negrxs, LGBTs), sempre com o coração feliz, certa de estar lutando pelos direitos dos trabalhadores, da juventude, dos oprimidos, pelo ideal de um mundo melhor, pensando não em mim, mas em todos, coletivamente.

Hoje eu fui subjugada, agredida moralmente e marginalizada. Incrivelmente, não pelo Governo, que me explora e oprime cotidianamente, mas pelos meus próprios pares, àqueles por quem eu luto diuturnamente, ainda que eles nem saibam disso. Não desisti, mas confesso que chorei em diversos trechos do percurso, tentando juntar os cacos de dignidade que me sobraram. Não me surpreendi com a despolitização geral do movimento, afinal, pra quê uma manifestação precisa de organização, né? Todo mundo reivindica o que quer, desde o seu PS4 até cerveja mais barata, passando, inclusive, por “sambar na cara de Satanás”, como diria um cartaz da “Irmã Zuleide”. Tentei, mas não consegui entender que um travesti estivesse se manifestando contra a homofobia com um cartaz homofóbico (que dizia “O SUS não tá curando nem virose quanto mais viadagem). Protesto vazio contra tudo e contra todos, o mal em geral e tudo mais que alguém achar que não deve ser assim.

Em Teresina, não foi diferente. Tivemos camaradas agredidos fisicamente e o tempo inteiro fomos vaiados, xingados e achincalhados. Entoavam “vem pra rua”, mas o convite era apenas se você se enquadrasse no “padrão Globo de qualidade” para manifestantes, vestidos de branco, protestando pacificamente, pedindo permissão para as “autoridades” e propagando o apartidarismo em massa. Gritavam “sem violência” e nos agrediam de todas as formas. Protestavam contra a repressão e tentavam nos enquadrar aos moldes do que cada um tinha adicionado como item importante na sua “cartilha do manifestante”. Diziam “todos os partidos são corruptos, quando chegam ao poder, fazem sempre a mesma coisa” e nunca leram, sequer conhecem os programas dos partidos, muito menos do meu, que não almeja o Governo, mas destituí-lo por meio de uma revolução socialista e que só participa das eleições porque é um meio de conseguir espaço para mobilizar mais pessoas, além de apresentar-se como uma alternativa ao trabalhador, para que as suas demandas sejam pautadas.

Enquanto isso, boa parte tirava fotos para compartilhar no Instagram e Facebook, cumprindo o seu papel social de mudar o Brasil. Manifestar tá na moda, é legal, te faz revolucionário, pra quem quiser se sentir mais integrado ao movimento, tem até camiseta vendida a preço de banana que diz que “o filho teu não foge à luta”. Se tivesse cordão de isolamento, poderia bem ser uma micareta, mas como em Teresina tem o maior corso do mundo (oba!), talvez seja só uma prévia carnavalesca.

Pelas notícias que vi, não foi muito diferente de outras capitais, considerando-se as devidas proporções. Não foram apenas as bandeiras de partidos que sofreram, mas também as de movimentos feministas, de negros, LGBTs, centrais sindicais, etc. Afinal, isso não é democracia? A maioria “vence”. Não se surpreendam se na semana que vem impedirem mulheres, negros e gays de se manifestarem, afinal, são minorias, não representam o movimento, são oportunistas que se utilizam de uma manifestação do povo para aparecer, tê-los participando significa que são eles que estão liderando. Não importa que eles tenham direito de organização e livre manifestação, a manifestação não é deles e eles podem muito bem ir incomodar em outro lugar, silenciosamente, de preferência.

Também publicado no blog da Lola: Ei, vc que acordou, não hostilize quem nunca dormiu.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

.porque eu preciso do feminismo.

Sou homem.

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai, esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Netinho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma Beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil. Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira. Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco de ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me vir lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece.