segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os livros e eu

Lembro do primeiro livro que eu li (Meu livro de histórias bíblicas), eu o ganhei de um vizinho que estava paquerando a minha mãe na época, rs. Eu devia ter uns 6 anos e adorei o presente. O livro tinha uma capa amarela com letras vermelhas e contava as histórias da Bíblia de maneira simples, pois era um livro para crianças. Tinha muitas ilustrações lindas e eu o li muitas e muitas vezes, ainda o tenho, bem acabadinho e sem capa, na casa de mamãe.
Logo depois veio a minha paixão pelos gibis da Turma da Mônica que minha prima fazia coleção. Eu devorava vários, passava as tardes lendo enquanto os primos brincavam de correr e se pendurar nas árvores. Minha prima até me deu alguns poucos que eu ainda não havia lido, antes da minha viagem para Sorocaba.
Lá pelos meus 9 anos veio a paixão pelos livros de histórias infantis que minha tia, professora de alfabetização, tinha na estante da casa dela. De histórias da Bruxa Onilda à Pedro Bandeira, eu lia tudo, fascinada. As férias na casa de papai eram uma festa para mim. Ele logo percebeu e me incentivou, me dava livros de presente e eu lia tudo o que caía nas minhas mãos. Aos 13 anos adorava os Clássicos da Literatura, o primeiro que li foi A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo e fiquei encantada quando descobri que o livro já tinha sido novela, queria que fosse reprisada para que eu pudesse assistir.
Li praticamente tudo dos Clássicos. José de Alencar, Machado de Assis, Bernardo Guimarães, etc. Me aventurei por Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco (como eu chorei com Amor de Perdição!) e Júlio Diniz. Me encantei com Fernando Pessoa aos 14 anos, depois de ler A marca de uma lágrima, de Pedro Bandeira, em que o autor colocava a personagem Isabel como fã do poeta português. O que me fez ter curiosidade para ir atrás do trabalho do heterônimo e dos homônimos do escritor. A marca de uma lágrima e Pedro Bandeira foram um livro e um autor que marcaram minha adolescência como nenhum outro.
Logo depois veio a fase das cartas. Fiz amigos pelo Brasil todo por meio das palavras e dos correios. Chegava em casa correndo e olhava logo a caixinha do correio, às vezes esperava o carteiro na porta de casa, ansiosa com as notícias dos meus amigos. Foi uma época de trocar experiências, de beijos, ficantes, brigas com os pais, expectativas e sonhos pro futuro. Eu não trocaria essa experiência por nenhuma outra, mesmo pela internet. Receber uma carta é algo que faz bem demais. Saber que alguém que está longe dedicou um tempo pra você, quis dividir a vida com alguém que não conhece fisicamente, sabendo que ela não tem nenhum interesse, só amizade pura e simples. Gente, isso não tem preço!
As cartas vinham de todo o Brasil, com a amizade de pessoas tão especiais que ainda hoje fazem parte da minha vida, que cresceram comigo em muitos aspectos. [Patty, Michelle, amo vocês. Ainda vou conhecê-las, prometo. Nem que seja quando for madrinha do casamento da Patty, rs. Não é lindo? Ela me convidou!]
Leio muito, é a minha paixão e o meu vício. Hoje eu leio livros, blogs, até e-books, quando a grana aperta, porque por mim eu teria uma imensa biblioteca cheia dos meus livros preferidos, os que já li e os que ainda vou descobrir. Não tenho palavras para dizer o quanto eu preciso de livros para viver bem. Tantas coisas maravilhosas descubro todos os dias por causa deles, tantas idéias e opiniões diferentes posso encontrar, quanto entretenimento, quanto alento para minhas dificuldades. Tudo eu posso encontrar nos livros. Cabe o infinito dentro de algumas páginas. E este infinito cabe dentro de mim.

3 comentários:

Carla P.S. disse...

Te admiro um pouco mais com esse post, Ju! Assim como vc, eu comecei meu gosto pela leitura cedinho, e os gibis da turma da Mônica tiveram um papel muito especial, tanto pelo meu gosto pela leitura, quanto pela minha imaginação. Desenhava, fazia quadrinhos, até sabia imitar os personagens, das vozes dos desenhos. Gostava do Pedro Bandeira,e muito! Li A marca de uma lágrima, amei, e tb li toda a sequência dos Karas, que era um grupinho pré adolescente que desvendava os maiores mistérios. Um policial pra juventude.
Li e ainda leio, também encontro esse alento, e creio que o que mais me incentivou foi na época da escola quando as professoras linham literatura infantil para nós em voz alta, e a imaginação percorria os recantos da alma...Muito bom. Continuemos, isso nos faz mais fortes e mais sensiveis.
Um café. =)
Obs: que bom que gostou do post, eu realmente me sentia daquele jeito, fico feliz de saber que tinha muito a ver com o momento que passavas. Bom te ter de volta, tb! Beijos, querida.

Bel disse...

Menina, como nós nos parecemos, nessa história com os livros!!! QUalquer dia desses escrevo um post assim tb, e vc vai ver!

Bjooo

luluonthesky disse...

Aprendi a gostar de ler por causa do meu q sempre me incentivou. Participei daquele circulo do livro da Abril não sei se vc conhece? Atualmente to lendo Melancia da Marian Keyes.
Big Beijos