terça-feira, 2 de março de 2010

Só o amor não basta


"Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que NÃO. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.
Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos. Mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.
Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos.
Passe por tudo que tiver que passar, não se economize!
Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para SER FELIZ novamente."

(Dores de Amor - Arnaldo Jabor)

Muitas pessoas me perguntam pelo meu ex-namorado, se eu tenho contato com ele, se eu sinto saudades dele ou se vamos voltar. Elas dizem que não acreditam que o nosso namoro acabou, afinal éramos tão perfeitos juntos, um amor tão grande, achavam que íamos nos casar. Respondo sorrindo que eu também achava isso. Que ele era o homem da minha vida e que seria meu marido e pai dos filhos que eu teria um dia. Mas não foi isso que aconteceu, vocês sabem.



Algumas dessas pessoas, as que não me conhecem tão bem ou que não convivem comigo o suficiente para perceber que eu só lembro dele porque as pessoas me perguntam sobre ele, não acreditam na minha tranquilidade, na minha certeza, na minha paz comigo mesma. Acho que isso acontece comigo porque eu sei o que se passa dentro de mim, eu sei até onde eu posso e quero continuar tentando e até onde ultrapassei meu limite. Eu sei quando não dá mais e não insisto no sofrimento. Prefiro ter consciência de que já tentei de tudo a insistir em algo que já acabou, até restar apenas desentendimento e ódio pelo outro. É preciso passar por todos os estágios até o fim, mas insistir no sofrimento também não leva a nada.

Não digo que não penso nele para ser melhor ou pior que ele, jamais irei desdenhar de um amor que me foi tão caro, digo porque é isso o que acontece, é apenas um fato. Não quero mal a ele, mas tampouco o quero de volta à minha vida. Eu sei que estou melhor sozinha. Eu sei que o nosso relacionamento foi ótimo e me deu momentos maravilhosos, mas acabou, é passado. Nos amamos muito, mas as dificuldades inerentes a qualquer relacionamento normal somadas à distância, brigas, ciúmes e possessividade acabaram por nos separar. Só que não vamos focar em mim, não é sobre isso que eu quero realmente falar.

Só amor não basta para fazer um relacionamento dar certo. Quantas pessoas conhecemos que insistem em relacionamentos há muito naufragados? Que vão se casar só porque namoram há anos e não tem coragem de terminar? Que se magoam e se ferem todos os dias, que não se entendem e não confiam um no outro, que mantém relacionamentos paralelos ou que simplesmente não conseguem conviver pacificamente com o outro e mesmo assim não conseguem dar um basta à relação? Pessoas que não acreditam que podem e devem esperar mais da vida e de um próximo relacionamento.

Porque sofrer eternamente se você pode ser feliz? Acredite, você pode e vai ser feliz novamente se você terminar um relacionamento. Você não vai ser a primeira pessoa (nem a última) a passar por isso. Não estou dizendo que não há sofrimento ou riscos, sempre há, mas muitas pessoas empurram um relacionamento com a barriga por medo do que virá depois. Já acabou, mas as pessoas se negam a enxergar isso. De fato, é preciso saber enxergar. Não é assim tão claro, ainda mais pela confusão de sentimentos que sempre permeia os fins dos relacionamentos. Se não há um motivo sólido, como uma traição ou algo que o valha, sempre fica o carinho, respeito e consideração pelo que foi vivido, mas isso não é amor.

Se você começa a se perguntar se é essa a pessoa da sua vida é o começo do fim. Se você se questiona se é com essa pessoa que você quer ficar de verdade é porque talvez outras pessoas começaram a parecer interessantes a sua volta. Se você não sente o mesmo prazer de sair e se divertir com essa pessoa do que com seus amigos é porque você deve ter se cansado da companhia do seu par. A sutileza é perceber que você não odeia aquela pessoa, mas também não a ama mais e que o relacionamento, infelizmente, acabou.

Se há amor ainda se pode tentar. Mas só amor, puro e simples, não é suficiente para sustentar uma relação. Às vezes é preciso ser egoísta e saber o que é melhor para si. Permanecer num relacionamento que te faz mais mal do que bem, que tem mais momentos ruins, de brigas, cobranças e acusações traz muitos transtornos emocionais (e talvez até físicos). Tudo é aprendizado e nos faz pessoas melhores e mais experientes pro que ainda vai vir. Do amor ao sofrimento, tudo é importante e faz parte da nossa evolução como seres humanos. Apenas liberte-se para a felicidade. Saiba o que fazer com a sua vida, pois ela é muito preciosa para que não sejamos felizes, pelo menos na maior parte do tempo. Sofrer é ruim, mas passa. Afinal, já diria a antiga máxima, antes um fim trágico do que uma tragédia sem fim.

16 comentários:

Bel disse...

Primeiraaaaaaaaaa

Bel disse...

Menina, você arrebentou com esse post!

Maturidade, coerência e sensibilidade. Tudo que uma pessoa precisa pra ser feliz, com ou sem um amor, terminando ou não um relacionamento.

Beijo enorme!!!

Anônimo disse...

Estou suspirando, vou ler novamente, pensar antes de dormir, amanhã comento. :*

Juliana* disse...

Olha eu aqui...
Concordo Juju, viveu o que tinha de viver, agora são só águas passadas.
Adorei o post anterior!Fala sério, mães são a perfeição da vida, né?!!!

beijinhos

fique com Deus

Constância disse...

Arrasou amiga!
Concordo com tudo o que vc disse!
Saudades!

Luciana Lís disse...

Montão de justificativas plausíveis, daquelas que chocam com a emoção. Daí concordo com a colega lá de de cima: melhor apelar pra coerência.

Gostei desse post, de abrir os olhos!

;*

Cli disse...

Ju...Que legal isso que você escreveu aproveitando a deixa do Jabor... É preciso ter coragem, força, fé e muito amor próprio... Realmente só o amor não sustenta não, mudei de opinião sentindo isso na pele. O amor puro e simples nada sustenta, vc falou bem, eu e meu 'namorido' sabemos bem disso e hoje estamos mais amadurecidos.

Me empolguei...kkkkkkkk.

BjO

Rossana Fernandes disse...

Puta que pariu. Só isso que tenho pra dizer. Puta que pariu.

Quando eu crescer quero ser igual a você.

bjs

Shelly Gonçalves disse...

Texto lindo de viver!!!!
Sensível, sincero e leve.

Assuntos do coração são sempre muito complexos, e vc acertou em cheio com tanta delicadeza.

Sou sua fã!!! :*

Carol disse...

Humm adorei o post, adorei que nossa singela( e diga-se de passagem breve) conversa tenha te dado tanta inspiração se superou Jú.. adorei!! BJ

Anônimo disse...

Acredito que o sucesso deste post seja porque a maioria de nós, principalmente nós mulheres, passamos e sentimos por tudo isso que você elencou. Chegamos em um momento dos nossos relacionamentos que até então era maravilhoso e nos perguntamos: o que faltou? o que deu errado? Particularmente me senti muito tocada com tudo que está escrito pois daquelas etapas que Arnaldo Jabor cita, acho que estou terminando a da amizade, e já estou sentindo a dor de ter que concluir o ciclo e já esparar o inevitável. Confesso que já me perguntei se esse alguém é realmente a pessoa da minha vida, e eu sempre soube que essa dúvida já poderia ser o começo do fim. Porém definitivamente eu concordo com você em uma coisa, todas nós podemos ser felizes após o término de uma relação, basta entender que o maior amor do mundo, É O SEU POR VOCÊ MESMA, e que temos força de dar a volta por cima da melhor maneira possível, e que assim a dor rapidinho se desmancha e se vai. Um beijo! :*

Naiara disse...

Que belo texto hein? É... isso tudo é muito verdade! ;*

Lya Gomes disse...

por isso que sou tua fã! quero tantoo ser assiim, tem horas que eu penso que ainda posso, outras horas que já tentei demais. queria dizer suave como ele se diz.. pq ju? pra mim é mais dificil?
te amooo!
feliz dia da mulher!
você é uma mulher maravilhosa e tenho muito orgulho de ser sua amiga.
bjus

Tati disse...

que lindo Ju.
eu gosto de gastar tudo até o fim.
aí a gente cansa, deixa passar e começa tudo de novo.
o que vale é estar sempre em paz.
;)

beijo no seu coração!

Yana disse...

Nossa...foi incrível ler esse texto, veio um flashback na minha kbç...
Parabéns!

July disse...

Jully...
Este texto foi incrivel. Quando cheguei de viagem umas das meninas da republica me perguntou pelo meu ex. Já tem mais de um ano que terminamos e a primeira coisa que ela perguntou foi "e ele como está?". Não sei dele, ele já não faz parte da minha vida, dos meus dias. No principio me incomodava muito as perguntas hoje respondo com sereniadade que não sei. Terminamos sem brigas, sem traição, sem ciumes somente um quis atravessar a rua e o outro continuou para no sinal. A pedido da atual namorada dele deixamos de nos falar, no começo sentia uma falta enorme pois além dele ser "meu amor" era meu amigo, confidente alguém que me escutava. Com o passar dos dias isso passou acabou.Já não sinto raiva quando me perguntam dele, já não sinto nada. Lembra do conselho que você me deu no blog, que um dia eu encontraria novamente alguém para amar. Te desejo a mesma coisa, que você encontre um novo amor e quem sabe este será o pai dos teus filhos, teu marido e se não for que arrume logo outro.
É bom ler teu post tão maduro e sereno.