sábado, 29 de maio de 2010

Desafio Literário Maio - A vida sexual da mulher feia

Título: A vida sexual da mulher feia
Publicado em:
2005
R$:
grátis, imprimi e encadernei, baixei aqui.
Sinopse:
"Nunca tive vergonha do meu corpo, embora meus dois irmãos achassem que eu deveria ter. Andava apenas de calci­nha ou mesmo despida dentro de casa, até meus peitos crescerem tanto que se tornou impossível lavar a louça do almoço sem que eles mergulhassem na pia cheia de detergente. Foi quando meu pai pediu que minha mãe esclarecesse para mim as diferenças entre meninos e meninas, e então meu busto foi encarcerado para toda a eternidade em grandes sutiãs de bojo acolchoado que ela mesma comprava, muitas vezes em lojas de gestantes, para que eu me sentisse mais confortável. Eu sou aquela que muda o cabelo e sempre fica pior, que sai de roupa nova e ninguém repara, que passa festas inteiras fin­gindo que dança com os amigos, quando na verdade está dançando sozinha. A mulher feia não é apenas uma deformação da estética. A mulher feia é um estado de espírito."
Sobre a autora: Claudia Tajes nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1963, e conta que renasceu no ano de 2000, quando estreou na literatura. Antes de tornar-se escritora, era uma redatora publicitária das mais requisitadas e criativas. Ela sempre escreveu profissionalmente, trabalhou em diversas agências importantes, criou textos de todo tipo, e costuma dizer que, nessa época, era quase feliz. É que Claudia seduzia as pessoas com as palavras e ficava contente de ver os seus textos fazerem sucesso, mas ela tinha uma falta que ardia por dentro, uma ausência linda e doída que acabou se transformando em histórias e personagens. Escreveu alguns roteiros para televisão e tem 6 livros publicados: Dez (Quase) Amores, As Pernas de Úrsula, A Vida Sexual da Mulher Feia, Dores, amores e assemelhados, Vida Dura e Louca por Homem.
[CONTÉM SPOILLERS]
A vida sexual da mulher feia é um livro muito engraçado, poucas páginas, dá pra ler facilmente em poucas horas. Ju (olha aí, hein? praticamente minha xará!), como é conhecida para disfarçar seu nome de batismo - Jucianara - é dona de um humor negro e de uma autocrítica impagável. Ela nos apresenta sua vida desde as primeiras impressões, como quando ela percebe que é feia, passando pelo primeiro beijo, primeira transa e primeiro abandono até as relações mais amadurecidas, em que mesmo assim, ela nunca encontra estabilidade. Suas descrições são livres de eufemismos, algumas vezes até com requintes de crueldade. Mas, como é a própria que se deprecia, não fica politicamente incorreto.
O primeiro amor de Ju é um menino da escola - Artur, para quem ela deu praticamente todos os seus brinquedos (e os dos irmãos), seus lanches e sua devoção durante o pré-primário. É claro que ele é o garoto mais lindo da classe e no dia em que ela entrega um coração com a letra A, dizendo ser pra ele, ele responde que não quer, então, no auge da sua coragem aos seis anos ela retruca: "Mas tem a letra A. De Artur. É porque eu gosto de você" e ele responde com sua calma infantil: "Não quero que você goste de mim. Você é feia". Ela não desiste e continua com sua impassível paixão até que tudo acaba quando o garoto muda de escola, deixando-a arrasada.
O primeiro beijo acontece com um primo - Renan - por quem ela não sentia nada. No entanto, ela deixou que ele a beijasse por pena, por ele, tão feio quanto ela, se declarar apaixonado. Mas depois do beijo, o primo saiu correndo e nunca mais voltou. Ela só o vê novamente muitos anos depois, no casamento dele com uma loira classificada em terceiro lugar num concurso de modelos e ele - que já não é mais feio - a trata formalmente, como se nada tivesse acontecido.
Suas aventuras sexuais começam com um colega do terceiro ano, Marcos, o único que parava para conversar com ela, então, um dia ele a convidou para assistirem tv na casa dele e ela, obviamente, aceitou. A transa rápida ainda foi custeada pela divisão de um pacote de jujubas. “Mulheres costumam esconder sua primeira vez no sexo. Com as mulheres feias a tendência é acontecer o mesmo, com uma diferença: no caso delas, é o deflorador quem prefere evitar a divulgação dos fatos”. Os encontros acabam no dia em que Marcos revela que está apaixonado por uma garota e que pretende namorá-la. Ju, nem mesmo assim se abala e diz que não se importa, contato que eles continuem se vendo. Ele não aceita. E ela fica arrasada, mais uma vez.
Ela vai nos apresentando cada uma de suas histórias, entre as que chegaram a acontecer algum fato até outras em que ela apenas se apaixonou pelo homem. O histórico afetivo inclui, entre outros, um cobrador, um índio pintor frustrado, um motoboy e um porteiro. Os dois últimos se tornam, inclusive, namorados.
O motoboy, Otelo, tragicomicamente sofria de ciúmes doentios, desconfiando de todos os seus atrasos e atacando sua maneira de se vestir, até que ela não aguentou mais e terminou com ele. Ele ameaçou se matar. Ela não desistiu. Ela nunca ouviu nenhuma notícia no jornal que mostrasse que ele tinha cumprido a promessa.
O porteiro, Rocha, trabalhava na mesma empresa em que Ju era locutora de rádio, era bonito, 1.90 m de altura, loiro e educado. Um homem que Ju nunca imaginou que fosse se interessar por ela, mas ele apresenta suas intenções formalmente e logo começam a ter um relacionamento público. É claro que quando a esmola é demais o santo desconfia. Rocha a torna sua cozinheira, lavandeira, se instala em sua casa, mas não consegue ter uma relação sexual com Ju, levando-a praticar sexo oral nele, dia após dia, sem que ele jamais retribuísse. Eles ficam juntos sete meses, tempo recorde de relacionamento para Ju, até que ela perde a paciência com ele e termina o namoro.
No formato de teses, a escritora define e exemplifica os horrores vividos por Ju, nos fazendo rir e chorar com as desventuras da personagem. Não há um final feliz, ela não se torna bela, não fica rica, nem nada parecido. Senti falta de um desfecho mais claro para a personagem, mas entendo que a autora quis colocar de forma que parecesse uma história real.
Ainda não decidi qual livro de autor nacional irei ler para o próximo mês, então, aceito sugestões, rs. Pensei em Martha Medeiros, Tudo o que eu queria te dizer ou Doidas e Santas, mas não tenho certeza. Dicas?
Beijos, beijos!
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5 comentários:

Alice Voll disse...

ai, deu vontade de ler, tanto pela sinopse tanto pelos seus dizeres!
mas cara, minhas férias já estão com seriados e leituras agendadas, e quando em aula não rola!
olha só, ano passado li doidas e santas, mui bom, a mulher que não prestava da tati bernardi, bom tb e tem tb a vida como ela é, pois sou nelson rodriguista!

Naiara disse...

Esse deve ser no mínimo engraçado uaehuehu' dar uma olhada depois ;*

Bel disse...

Primeironaaaa???

Adorei a resenha, e vou catar pra ler. (será??? E a dissertação??? kkkk)

Beijo, lindona, tô de volta!

Maari Sala disse...

Juu, linda... obrigada!
Passei aqui rapidão só pra agradecer.
Ah, e meu filhote nasceu tá, dia 17.
Quando der, posto fotos pra vcs conferirem.
Beeeijos!

Juliana* disse...

'Eu volteeeiiii...'

Saudade da blogsfera e desse seu universo vermelho!

beijos

Juliana