quinta-feira, 13 de maio de 2010

...quando o amor acaba...

"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que deixou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva."
(Caio Fernando Abreu)
Uns dias atrás, numa conversa com minha amiga Éryka, relembrei muitas coisas sobre o meu namoro, ela sempre defensora de que deveríamos voltar (embora nós dois afirmemos a ela que isso não vai ser possível). É claro que doeu, que me deixou triste, que me fez pensar num bocado de coisas. Não, eu não penso em voltar, mas me dói lembrar que tudo o que foi já não é mais. Como a cumplicidade e o amor tão grande que tínhamos acabou ao ponto de hoje nos falarmos o estritamente necessário, como se fôssemos estranhos?
Lembrar dele nos momentos doces, nas declarações de amor e nas suas qualidades me fazem querer ter tido outras atitudes, ter lutado mais, ter dado outras chances, mas sabe? Tudo isso se passa em dois segundos, porque logo em seguida eu lembro claramente de todas as vezes que tentei, e muito. De tudo o que fiz pela relação. De tudo o que engoli. De tudo que tentei superar. E eu também sei que ele tentou de todas as formas que pôde. E eu olho pro meu coração e não vejo mais amor dentro dele. Vejo carinho, respeito e até nostalgia, mas amor, eu sei que não tem.
Todo fim é complicado, deixa mágoas, rancores, cada um leva do outro coisas que são invisíveis e que não há como exigir de volta. E o que vivemos também não tem como deletar da memória, trazemos conosco lições de vida, bons momentos, aprendizados de tudo o que passou. O amor acaba, a gente, não. É um processo entre a turbulência, o fim e o depois, mas passa. É normal que passe, mesmo que fiquem arestas mal aparadas, mesmo que restem sentimentos. Só o tempo é bondoso o suficiente para tornar as emoções mais amenas.
A Intense falou tudo o que eu queria dizer:
"deixar de amar tb dói. os olhos ficam crus, a gente começa a pensar, a enxergar falhas, pequenas maldades puras, nasce mágoa, tristeza - que, embora ruim, é preciso tb, pra fazer a gente ter mais malícia, enxergar tudo mais racional, analisar, pesar, principalmente se não fez isso durante, só no depois. pensar pequenas verdades dói, pro amor, no amor. é uma alfinetada nele, que se encolhe, resmunga, lacrimeja. deixar de amar dói muito. só q os dias vão passando, e a gente não morre. a falta, a saudade bate, a gente apanha, e não morre. as perguntas surgem, e a gente não morre. os fds vem e vão, e a gente não morre. conversa com outras pessoas, recebe ligações, msgs, emails, depoimentos...e não morre, e começa a ver q não vai morrer mesmo - quem diria? nem eu mesma. "

7 comentários:

Carol disse...

Tudo é tão lindo quando começa, os olhares, as mãos que não se deixam, o beijo que não acaba, o cheiro que inebria, só quem já viveu isso sabe a dor de deixar para trás histórias, os planos, as risadas, as fotos... enfim é dolorido, é triste é quase como enterrar um ente querido, entramos em estado de luto, mas passa e como disse a intense não vc não vai morrer de amor, a roda gira e um outro amor começa.

Anônimo disse...

Ow linda isso vai passar eh igual a musica do chiclete... Não vou chorar, nem vou me arrepender, foi eterno ENQUANTO durou, foi SINCERRO o NOSSO AMOR, mais chegou ao FIM!!!!!!!!!!!!!!!!

Luciana Lís disse...

Parece que senti tudo isso aí, dona Jullyane.
Delicado, né?

O mais mágico é como tudo vai se encaixando com o passar do tempo. Parece que até passamos a achar que a dor tem razão em existir.

E contrariando García Marquez, a sabedoria pode sim chegar enquanto ainda existirá serventia.

;***

LoveU.

Naiara disse...

Tudo que você escreveu é tão profundo. Quem não já passou por uma situação dessas? Boa sorte na nova fase da vida ;*

Flor da Pele disse...

Quando o amor acaba a gente constrói e descontroi várias teorias sobre o amor, é um turbilhão de sentimentos que nem com bilhões de palavras conseguimos explicar, exteriorizar... apenas sentir!

Mas vc colocou aqui, de uma forma tão doce e delicada alguns pontos que acredito ser em comun a todos os términos. Amar dói, deixar de amar dói mais ainda. A ausência trás consigo vários novos sentimento que até então desconheciamos.É uma falta absurda que o outro faz. A dor chega a ser fisica, fica um buraco no peito que durante um bom tempo ninguém consegue preencher.

É de um certo modo o término dos sonhos,dos planos, da crença em um amor eterno, do carinho trocado,das viagens a dois,de dormir de conchinha,dos programinhas,dos telefonemas,da cumplicidade, enfim, de tudo que idealizamos com aquele que acreditávamos ser o amor da nossa vida. Putz, esquecer tudo isso é muito doloroso. E p/ superarmos é necessário esquecer, sim! Para que possamos proseguir...seguir em frente.

O que vale, é continuar acreditando no amor sempre, ter a certeza de que no momento certo um novo amor acontece. E ahhhh...nisso eu realmente acredito!


oh mulher p/ escrever lindamente e tocar meu coração!!! Adoro *___*



Bjusssssss

Alice Voll disse...

eu não sei, mas pra mim, amar doi tanto quanto deixar de amar!
pq amar é abrir concessões, é ter que às vezes deixar de ser por vc pra ser pelo outro, é coisa demais, sei não!

Lilic´s disse...

Olá, estou começando um novo blog sobre unhas, cabelo, maquiagem, moda, e gostaria de te convidar a conhecê-lo! Espero sua visita! Bjinhus!