quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Desafio Literário Julho - O retrato de Dorian Gray

Título original: The picture of Dorian Gray
Publicado em: 1890
R$: emprestado do Eduardo 'mau caráter', mas tem até de R$ 12,90 nas Americanas.
Sinopse: O retrato de Dorian Gray conta a história de um jovem inglês, Dorian Gray, que é extremamente bonito e inocente . O jovem Dorian é o modelo preferido do pintor Basil Hallward, é neste contexto que a história começa. Enquanto posa para Basil, Dorian conhece um lorde, Henry Wotton, extremamente irônico e que o vai influenciar de modo decisivo. E é quando Basil Hallward completa um retrato de corpo inteiro de Dorian Gray que a história começa a se desenrolar com mais interesse. Dorian fica tão encantado com o retrato que formula um desejo: ficar jovem para sempre e que o quadro envelheça por ele. Ele deseja tão ardentemente que está disposto a dar a alma por esse milagre. E é somente quando tem uma atitude cruel e nota uma pequena alteração no seu retrato que percebe que seu desejo foi atendido.
Sobre o autor: Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna. Em 1884, casa-se com a bela Constance Lloyd. Com a publicação de "O Retrato de Dorian Gray", sua carreira literária deslancha. Oscar e Constance tiveram 2 filhos, mas uma noite, Robert Ross, um hóspede canadense jovem, seduziu Oscar e forçou-o, finalmente, a confrontar-se com seus sentimentos homossexuais que o perseguiam desde a época em que era estudante. Anos depois, Oscar foi preso com acusações de conduta homossexual e sentenciado a 2 anos de prisão com trabalhos forçados. As condições calamitosas da prisão causaram uma série de doenças e o levou às portas da morte. Foi declarada, ainda, sua falência. Morreu como um homem arruinado em 30 de novembro de 1900.
[CONTÉM SPOILLERS]
O pintor Basil Hallward começou a pintar com extrema perfeição um retrato de um belo jovem de 21 anos chamado Dorian Gray. Enquanto Dorian posava, ele conheceu Lorde Henry Wotton, amigo de Basil. Lorde Henry é um homem inteligente, sarcástico, hedonista. Admirando a beleza do rapaz e a reprodução desta no quadro, Henry comenta que a beleza humana acaba com o passar dos anos, porém, o retrato a imortalizaria junto com a juventude. O belo rapaz, ouvindo o comentário de Henry, faz um pedido impensado enquanto a noite londrina trovejava e enviava raios que iluminava a sala fantasmagoricamente. O desejo de Dorian é que o retrato envelhecesse em seu lugar. Um estrondoso trovão faz-se ouvir após as palavras do rapaz.
"Que tristeza! Eu envelhecerei, ficarei horrível, medonho. Mas esse quadro sempre se manterá jovem. Nunca será mais velho do que esse dia de junho… Se fosse o contrário! Se fosse eu que me mantesse jovem e o retrato que ficasse velho! Por isso, — por isso — Eu daria tudo! Sim, não há nada no mundo todo que eu não daria por isso."
Basil tem pelo rapaz um sentimento exagerado e o previne do caráter amoral de Henry. O Lorde é irônico, mordaz e cativante. Dessas pessoas que você pode não concordar com as opiniões, mas as justificativas, a retórica e a argumentação dele faziam que o respeitassem. De longe, um dos melhores personagens que eu já vi, uma pessoa de pensamento tentador e perigoso. Lorde Henry sente-se desafiado pela aparente inocência do jovem Dorian e torna-se amigo e companheiro de diversões dele, que passa a preterir Basil, que se sente arrasado e tenta sem sucesso prevenir o rapaz.
Surge o amor no coração do jovem. Ele conhece uma moça de dezessete anos que interpreta heroínas de Sheakspare em um pequeno teatro. Ele resolve casar-se com a moça e convida os amigos para conhecê-la. Na noite em que Dorian leva Basil e Henry ao teatro, a moça emocionada interpreta mal fazendo com que o rapaz se sinta humilhado e decepcionado. Ao cair do pano, ele procura Sibyl mostrando-lhe sua decepção e dizendo que não mais a ama, deixando a moça desesperada, humilhada e desprezada. Virou lhe as costas para nunca mais voltar. Ao chegar em casa, Dorian, dirigiu-se a seu quarto e, ao olhar seu retrato, percebeu que o quadro havia se alterado. Seu sorriso não era mais o mesmo. Caracteriza-se pelo cinismo e maldade. Refletiu e percebeu que o quadro refletia sua alma. Portanto, deveria desculpar-se com Sibyl, assim o quadro voltaria ao normal. Entretanto, era tarde demais, Sibyl havia cometido suicídio.
A partir de então, Dorian passou a viver tudo que lhe era ou não permitido. Passou a ter uma conduta fria e interesseira com todos à sua volta. Induziu pessoas a atos vulgares e criminosos, seduzindo e destruindo vidas, sempre impune. Dorian descobre que permanece belo e jovem e que o seu retrato, aos poucos, vai assumindo expressões vis e de envelhecimento. Passa a odiar o retrato e o transfere para o sótão de sua casa. Passados alguns anos Dorian recebe a visita de Basil, ele não suporta o diálogo com o pintor, que lhe mostra quem ele era e no que ele se tornou, Dorian acaba por matá-lo, como se quisesse a própria obra, que tanto o incomodava, exterminar. Leva outro amigo, um químico, ao suicídio após induzi-lo a desfazer-se do cadáver de Basil. Apenas o quadro se alterava, transformando-se numa figura monstruosa.

O irmão de Sibyl Vane retorna da Austrália, para onde havia partido em busca de emprego, como faziam os demais desprotegidos da sociedade inglesa. James Vane busca o sedutor da irmã para matá-lo, vigiando-o, à espreita de uma oportunidade para conseguir seu intento, porém, morre em um acidente de caça da qual Dorian participava, então pensou em curar sua alma. Pensou em levar uma vida pura, sem magoar quem quer que fosse. E por isso não se aproveitou de uma camponesa. Ele se dá conta de que sua soberba o levou a esta vida de pecados. Amaldiçoou sua beleza e mocidade e pensou que sem elas sua vida seria pura. O que mais lhe doía era a morte, em vida, da sua alma. A visão daquele rosto marcado por maldades e velhice o aterroriza.
Finalmente, decidido e acabar com seu tormento, perfura seu retrato com o mesmo punhal que assassinou o pintor para que sua vida voltasse ao que era antes de conhecê-lo. Um grito angustiante é escutado por toda a cidade. No dia seguinte, o mordomo arromba a porta do sótão onde Dorian estava e é encontrado o retrato em sua forma original, com o semblante de juventude e beleza e, ao lado dele, morto, um velho de expressão triste e enrugada.,só o anel o identifica.
Embora a história do livro seja interessante, são os diálogos, especialmente os de Henry Wotton, que realmente o enriquecem. É a escolha de palavras, o texto. Além disso, a temática dele é atemporal. Podem até dizer que é uma crítica ácida a sociedade inglesa do século XVIII, mas o livro é muito mais do que isso, a crítica que nele se encontra é atual: a beleza realmente tem essa importância toda? Será que podemos culpar aquelas meninas cujo o maior sonho é posar nua na Playboy se o que a nossa sociedade realmente valoriza é isso mesmo, a beleza? Será que elas simplesmente não estão jogando conforme as regras do jogo? Se a garota é bela, porque aprimorar-se? Não é melhor uma vida hedonista, aproveitando os prazeres momentâneos sempre? O livro dá muito em que pensar. E estou louca para ver o filme, com o gostoso do Ben Barnes no papel de Dorian, mentindo o 'mau caráter' que vai gravar pra mim.
Falando nele, vou rasgar uma seda aqui pro meu amigo, que canta super bem, Eduardo, se garante muito (meu amigo, meu orgulho, own!), quem quiser conferir, dá uma olhadinha nesse vídeo do Youtube, é uma música da banda dele, RasMandu.
O próximo livro é um romance policial e seguindo a indicação da Natália e da Lu, vou ler O caso dos dez negrinhos, como eu já havia dito mesmo, só que ainda nem comecei, mas o livro é pequeno, leio rapidinho. Já estou no segundo livro do Dexter, que também daria uma ótima resenha para este mês, mas primeiro vou terminar a trilogia, depois escrevo alguma coisa para vocês também se apaixonarem por esse serial killer que mata apenas outros serials killers, gente, a forma da narrativa, na pessoa do próprio Dexter é muuuuito interessante! Mas isso depois eu conto, prometo!
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5 comentários:

Anônimo disse...

Bem, esse eu já li muito bom o livro, esse cara que você recomenda aí...não sei...meio duvidoso o talento dele...tem que ver....sim, Ju, sempre que posso to lendo aqui, vendo tuas aventuras, traquinagens, e cultura que convenhamos você tem de sobra... Beijão, Abraço. Adoro você, Amiga mau-caráter.-RaS-.

Naiara disse...

como sempre ótimas dicas ;)

Constância disse...

Dos melhores livros que já li na vida.Clássico né?!
Saudade...
Te amooo

meus instantes e momentos disse...

saudades de ti.
Apareça.
tenha um semana feliz.
Maurizio

Michelle Dangeli disse...

Como funciona o caso do desafio? É uma proposta de leitura?Me conta!!!