sábado, 30 de outubro de 2010

.e que se foda o hare krishna.


Ele é meu irmão preto do quilombo, alguém por quem tenho um amor fraterno enorme e verdadeiro. A admiração, o carinho, a falta de filtro nas conversas, as risadas, a confiança, é algo que encontramos um no outro sem pedir nada em troca. Não nos incomoda que pensem que nossa amizade é algo mais, porque nós sabemos o que é e estamos contentes por isso. Apesar da simpatia gratuita, nossa amizade foi conquistada, pouco a pouco. Primeiro com os trabalhos da faculdade, o compromisso, a vontade de aprender juntos, depois as conversas, a vontade de estudar fora do país, a admiração pela inteligência e pelo talento, as trocas de livros, as confidências, por fim, as saídas, a convivência fora da faculdade, o contato diário se transformando em amizade sincera. Existem amigos para todas as horas e aqueles especiais para qualquer uma delas. Ele é um amigo para sempre. Realmente podemos contar um com o outro nos problemas e momentos imprescindíveis.

Hojé é aniversário dele, obviamente eu só poderia desejar coisas boas, porque não importa onde nossas vidas nos levem, sempre haverá espaço nos nossos corações para nossa amizade. 

Feliz aniversário. Muitos anos de vida, muito sucesso e muitos anos de amizade para nós. Amo você.

Mau-caráter. Olho junto. Amigo, você é bom, espontâneo e que se foda o hare krishna.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ao Sr(a). Anônimo(a)

'As causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações.'
- Arthur Schopenhauer
Tudo bem. Você conseguiu me chatear de verdade, me senti mal e envergonhada, questionei a mim e a todas as coisas que escrevo. Quem me conhece sabe que eu morro argumentando, até o fim. Mas dessa vez, não pude. Não sei a quem reclamar. Não sei a quem perguntar - porquê tá fazendo isso? Há tanta bobagem por aqui, há tantas mazelas, há tanta dor, existe o que é meu nesse lugar, inclusive o login e a senha - minha pessoalidade! E se não gosta, porque revisitar? Tô lendo Schopenhauer e quando me deparei com isso, pensei em você (olha que estranho: pensar em quem não se conhece!): "ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia, em lugar da própria".
Baseado nisso, no seu lugar, eu faria o seguinte raciocínio: não perder tempo lendo as bobagens cheias de farsante sapiência e intelectualidade. Ok?
E sim, Anônimo! Eu vejo muita coisa boa no mundo, eu percebo o lado doce das coisas, eu acredito na fantasia de fazer novos amigos, de descobrir outros (obrigada pelo toque!), redescobri a paz de estar em casa e ouvir a minha mãe, sou fascinada pela força que vejo ampliada em mim ao ver meus irmãos. Não sei se te conheço, mas se você for meu amigo, saberá de tudo isso. E acredito que vai deixar essas bobagens de lado, porque é tão mesquinho, é feio e desconfortável: sobretudo pra mim. Ou pra você mesmo, que me diz todas essas coisas mas não se realiza completamente, já que não pode dizer quem é.
De qualquer forma, obrigada por ter aparecido. Eu pude fazer uma boa reflexão. Até que o post não ficou tão sofredor, né?
Abraço,
Luciana Lís
(originalmente publicado em Lu on the road)
A Lu é pra mim mais do que uma amiga querida. Não apenas por nos conhecermos há muitos anos ou por ela ter sido namorada do meu irmão por tanto tempo (ex-cunhada sim, ex-amiga nunca), mas porque eu a admiro como pessoa, pelo seu coração generoso, pela sua risada escandalosa, pela sua tendência pro drama, enfim, eu a amo por muitos motivos diferentes e por nada em particular realmente, já que pro coração isso não importa. O amor não precisa de motivos. Não é com parcialidade que me entristeço com esse tipo de coisa que acontece no blogworld, até porque já fui vítima de comentários maldosos vezes suficiente para saber o quanto é chato e incomoda.
O problema não é a crítica em si, mas a forma 'anônima' como é feita, sabe? Tipo 'eu critico do jeito que eu quiser e você não tem direito de explicar seu ponto de vista'? Eu sei que quando expressamos nossas ideias estamos nos abrindo para as opiniões dos outros e essas opiniões nem sempre irão concordar conosco. Até aí, tudo bem. O problema é você expressar sua opinião de forma desrespeitosa, procurando denegrir a imagem da outra pessoa. Isso é o que incomoda de verdade, a maldade. Eu posso não concordar com o que você pensa, mas defendo até a morte o seu direito de opinar. Já disse antes e torno a dizer: se as pessoas se respeitassem mais, a vida seria tão mais bonita. Então, empresto o meu espaço à minha amiga, para também publicar a indignação dela, que se misturou com a minha.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Teresina: Cidade Escoteira (por Nando Reis)


"Teresina é uma dessas cidades que parece que não existem. Não porque não seja relevante, pelo contrário. Simplesmente porque possui uma característica muito atípica para uma capital do Norte/Nordeste: não fica no litoral. É uma cidade charmosa, plana e quente, muito quente! Mas o tempo inteiro tem-se a impressão de que daqui a dois quarteirões vamos dar no mar e…nada! Isso dá aos nossos olhos, em Teresina, uma visao de ininterrupta procura. Ficamos permanentemente preparados para a qualquer instante debruçarmos o olhar sobre o Atlântico que não vem, que nunca chega. Em Teresina estamos o tempo inteiro de prontidão, alertas. É uma cidade escoteira.

Cheguei de lá no ultimo domingo, após um show surpreendentemente cheio e animado. Uma plateia assim: em busca, de prontidão, otimista. Com os olhos ávidos para ver o mar e neles descansarem. Enquanto ele não chega, divertem-se com as ondas que qualquer barato oferece. Qualquer barato não! O barato que foi escolhido, eleito e preferido. Foi assim com o show. Éramos o mar sobre o palco diante da plateia vasta como a areia. E assim fizemos, todos nós, juntos, praia em Teresina.

Conto isso para dizer que trouxe uma forte impressão dessa viagem. Um olhar diferente, imaginoso. E quando pousei na manhã de domingo em São Paulo, embora exausto, atravessei o dia inteiro guardando um silêncio que continha uma miragem, uma visão inclusa. E foi assim até a hora que finalmente pude repousar em casa.[...]"

Trecho de post escrito por Nando Reis em seu blog em 07.10.10
Lindo, né? Eu gostei. E acho que meu amor por Nando Reis cresceu um pouco também. Pelo respeito e pela doce percepção de uma cidade que o recebeu de braços abertos. Se as pessoas se respeitassem mais, a vida não seria tão mais bela?
Beijos, beijos!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

.so sad.


É difícil levar as coisas tranquilamente quando se está desmoronando por dentro. Esse último mês foi difícil, ainda mais com os trabalhos da faculdade se acumulando, as decisões sobre a formatura exigindo de mim bem mais do que eu poderia dar e muitos outros problemas pequenos que se avultavam perante o maior de todos eles. Tracei uma rota de fuga, me enterrei em livros para fugir da minha própria realidade. Tive momentos de desligamento, como a viagem para Porto Alegre, em que eu coloquei os problemas no fundo da mente, antes que eles me tragassem de vez.
Ainda não tinha nem entendido direito, nem caído minha ficha, quando as coisas começaram a tomar rumos inesperados e decisivos e ainda não sei o que pensar deles. Foi triste, demais, ainda tenho insônia e fico acordada à noite com imagens de tudo o que aconteceu, mas só consigo pensar que foi o melhor, tenho que acreditar nisso, eu preciso disso para não colocar minha sanidade à prova. Ninguém melhor do que eu para saber que superar ainda vai demorar.
Deixei de lado coisas importantes para mim, como o blog e seu aniversário de dois anos, contar do casamento da minha melhor amiga ou sobre a viagem e o congresso. Tudo estava em segundo plano e os acontecimentos me atropelaram, não tem outra forma de dizer. O que posso fazer agora é me reerguer, me apoiar nos amigos queridos que estiveram ao meu lado, superar da forma como eu conseguir. Aos poucos as coisas vão se encaixando e o tempo vai apagar o sabor amargo que ficou em mim.