quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

.Feliz Ano Novo.

Pra você, a Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade:

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.


FELIZ ANO NOVO E TUDO DE BOM PRA VOCÊS!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Amigo Secreto .quem eu tirei.

Esse ano resolvi participar de um Amigo Secreto diferente, com blogueiras lindas e que se 'conheciam' do mundo virtual. Um grupo muito seleto: Intense, Bel, Jady, Lile, Patrícia Daltro e eu. Resolvemos batucar na lage, fizemos cadastro no site do Amigo Secreto e nos divertimos muito com a brincadeira. Ainda não recebi meu presente e nem sei quem me tirou, mas a Bel já recebeu meu presente e amou. Fez um post lindo (que vale muito a pena ser lido!), todo carinhoso (que eu simplesmente amei), além de deixar extravasar fortes emoções. Quem também já recebeu os presentes foram Lile e Patrícia e também estão felicíssimas.

Muito, muito, muito ansiosa, só faltam Jady, Intense e eu recebermos presentes e já que sou muito inteligente, cheguei a brilhante conclusão que só podem ter me tirado três moças: Lile, Patrícia ou Jady (sou um gênio! Hahaha!).

É isso, quando eu tiver mais novidades, posto por aqui. Tomara que meu presente chegue até quarta, já que é o meu recesso e vou viajar pra Teresina à noite. Já pensou se eu só receber meu presente em 2011??? Nãããão, peloamooor. Vão cruzando aí os dedos pro Correios não me deixar na mão.

Beijos, beijos!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

TCC - o confronto!

Depois de semanas terminando o trabalho, mandando emails para as orientadoras, pentelhando a prof. Renatinha (fofa! um dos meus anjos da guarda!), corrigindo a metodologia científica, querendo que todo mundo lesse meu trabalho e me dissesse se estava tudo certo, gastando rios de dinheiro com formatação e cópias, enfim, chegou o dia da minha apresentação. É claro que eu estava nervosa, muito. Não tenho dificuldade em falar em público, na verdade, tenho muita desenvoltura com plateias e já tive experiência em apresentação de monografia no meu curso de Secretariado Executivo, mas mesmo com toda essa bagagem, não tinha como eu ficar relax.

Foram três dias de apresentação, o meu foi o último e mais intenso, por causa de apresentações do segundo dia que foram transferidas pra quarta-feira, em razão da falta de energia na faculdade, inclusive a do Eduardo (que arrasou e tirou 9,2, diga-se de passagem). Eu sabia que meu trabalho estava bem feito, confiava em mim e no meu potencial. Também tinha o apoio dos meus amigos, nós nos apoiávamos mutuamente em cada apresentação, em cada nota revelada, além do aval das minhas orientadoras, claro.

Comecei minha explanação até que tranquila, apresentei os dados, as atividades que fiz, a pesquisa de satisfação, mas no meio da apresentação dos resultados faltou energia. Sério. E a coordenadora do curso disse para eu continuar a apresentação. E eu continuei, na cara e na coragem. À base de notebook e luzes de celulares, que fique bem claro. Morrendo de medo de estourar o tempo, sem enxergar direito. Terminei em cima do prazo, os amigos já estavam loucos tentando me dizer que o tempo estava esgotando. Recebi as perguntas da banca, as respondi e elogiei minhas orientadoras, especialmente Auristela, outro anjo da guarda.

Morri de nervosismo ao aguardar a nota, recebi os parabéns das pessoas, com Eduardo me dizendo que se eu não tirasse dez iria tocar fogo na faculdade, rs, o dramático. Quando entrei na sala novamente, eu estava zonza, me tremendo toda, processando as coisas lentamente. Só quando a Auristela já estava me elogiando foi que entendi que havia tirado 10. Tipo, eram duas notas, pelos relatórios e pela apresentação, daí era tirada a média, e eu tive que olhar pra ficha de avaliação dela, no escuro ainda, para ter certeza que tinha mesmo ouvido bem, que tinha tirado 10.

Eu juro que queria ter um gravadorzinho naquele momento para ouvir muitas e muitas vezes todos os elogios que elas me fizeram (tenho uma linha de raciocínio lógico brilhante, sou muito desinibida e soube contornar muito bem os contratempos, Auristela me disse ter sido um prazer me ter como aluna e orientanda, que eu teria sucesso em qualquer área que quisesse atuar e me indicou especialmente a docência, pois eu tenho talento, pra vocês terem noção). É claro que eu agradeci imensamente e fiquei louca-doida-varrida, saí da sala já gritando e me pendurando no pescoço do Eduardo. Sei que muitas pessoas me parabenizaram, mas não lembro exatamente quem foi, estava tonta de emoção. Minhas mãos tremiam tanto, parecia que meus ossos eram geléia, suava feito louca. Eu não conseguia me controlar, a adrenalina no meu organismo só começou a baixar no final da outra apresentação (já com luz, êba!)

Apresentação


Mayra, eu e Naiara
Mau-caráter que eu amo
Eduardo e o TCC
Fui a única da turma a tirar 10 e pode parecer convencimento, mas estou muito orgulhosa de mim mesma, não posso negar. Só eu sei o quanto lutei para concluir esse curso, tudo o que sacrifiquei e quantas horas (e anos) da minha vida dediquei a isso. Se estou orgulhosa é com razão e merecimento. Agora, podem vir as festas em janeiro, tudo o mais que vier, só serão glórias e agradeço aqui a cada um que contribuiu direta ou indiretamente para essa minha conquista.
Beijos, beijos!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

.cute-cute.

Eu já não era linda, fofa e metida desde a tenra idade? Hahahahahahaha! Sim, sou eu com 1 ano e alguns meses e não, minha boca quase não cresceu desde então. Em compensação, sempre fui uma diva, prestem atenção em todo o charme e no 'carão' que eu já fazia nessa época, rs.
Só pra descontrair, enquanto não apresento o bendito TCC, continuem torcendo por mim!
Beijos, beijos!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

.tired.

 "Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."


(Cansaço - Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterônimo de Fernando Pessoa)
*O bom é que eu posso jogar a culpa toda no TCC. E graças a Deus está quase acabando. Dia 15.12 é minha apresentação, torçam por mim!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Escola 'Gerson' formando gerações


Quando ele me adicionou no msn eu já sabia que não o conhecia pelo nome e sobrenome e quando começamos a conversar pensei: ‘Ufa! Pelo menos não é mais um taradinho da internet’, porque se você não sabe, eu devo dizer, sim, eu atraio taradinhos da internet, homens, mulheres, casais, todos querendo me transformar numa praticante de swing, lesbianismo, ménage, entre outras modalidades sexuais. Na vida real, também atraio tipos inóspitos, os comprometidos me farejam à distância. Não sou puritana ao ponto de dizer que nunca fiquei com alguém comprometido, já aconteceu, mas não é algo que eu procure preferencialmente, apenas acho que sou solteira e não devo me preocupar com as namoradas alheias, se rolar o clima, todo mundo é adulto, não? E olha, não vou dizer que sou de parar o trânsito, mas tenho lá o meu charme, se você quer saber.

Eu escrevo, mas nada demais, o blog é minha válvula de escape, meu vício, meu diário, mas ó, é um blog de família, não abordo nada nem perto do sexual. Então, quando ele me disse que me adicionou porque gostou do blog, do meu perfil e porque aprecia mulheres com unhas vermelhas – e eu sou adepta – não achei nada demais. A conversa entre nós fluiu facilmente, logo encontramos várias coisas em comum e muito rapidamente nasceu a vontade de nos conhecermos pessoalmente. Passávamos horas e horas conversando no msn, nos adicionamos no orkut, nos falamos por telefone. E fora um ou outra confissão pessoal, nossas conversas sempre foram num nível bacana, eu o achava até tímido, no princípio. É claro que eu estava encantada por ele, não apaixonada, óbvio, mas muito interessada naquela pessoa tão bacana que morava tão longe, mas que eu queria ter mais perto.

Daí ele me confessou que gostava de pés femininos com unhas pintadas de vermelho e que tinha fetiche em ele mesmo pintar as unhas de sua parceira. Eu achei até bonitinho. Ele me pediu para fazer isso comigo quando me conhecesse e eu nem vi nada demais. Mas fui perdendo um pouco da graça de conversar com ele porque, aos poucos, ele só queria saber dos meus pés e de quando iria pintá-los de vermelho. Foi ficando chato, eu tentava não dar bola, cortar o assunto. E quando ele parava com essas conversas bobas, voltava a ser a pessoa que me encantava e me fazia ter vontade de conhecê-lo melhor, pessoalmente. Bonito, engenheiro químico, 26 anos.

Algum tempo sem conversarmos direito, me pego saindo do trabalho quando ele entra no msn já puxando papo, querendo saber com que cor estavam pintadas as minhas unhas. Estranho, no mínimo. Mas era só a deixa que ele queria para me dizer que ele tinha pintado as unhas dele de vermelho. É claro que fiquei chocada, mas eu nem imaginava o que ainda estava por vir. Foi só o início da série de revelações que ele me faria naquele dia. Gostava de ser escravizado, chicoteado, humilhado, que lhe passassem vinagre no corpo. Gostava de lamber os corpos femininos molhados de vinagre. Não entendi o porquê. Vinagre? Não entendi mesmo. Mas o pior ainda estava por vir, ele me confessou, então, que era adepto de um fetiche estranho e que tinha vergonha de contar. Eu, curiosa ao extremo, disse que ele podia contar, que eu não iria julgá-lo. Sei lá, eu estava preparada até pra ele dizer que gostava de ‘fio-terra’, brinquedinhos, essas coisas, a julgar pelas unhas vermelhas que ele gostava de usar nele mesmo. Mas não, ele me fala uma palavra estrangeira que eu não sei o que é, mas que quer dizer tudo. Então, ele me explica e eu fico petrificada em frente ao computador. Ele sente prazer em comer as fezes da parceira. Sim, isso mesmo. Ele come cocô. Gosta de se lambuzar com o cocô, comê-lo e tudo mais. Nojento, eu sei. Eu só conseguia pensar ‘como dá na cabeça de uma pessoa que ela gosta de cocô?’.

Perguntei logo das suas namoradas, se elas participavam daquilo, ele me disse que isso não era algo que ele contasse a qualquer pessoa, que não partilhava disso com elas. Eu tinha que fazer uma prova na faculdade, saí correndo do msn, mas não conseguia nem me concentrar direito, só pensava nisso. O mundo é cheio de putaria, a gente é que não sabe. Quantas pessoas julgamos ‘normais’ tem essas estranhas preferências? Ninguém conhece ninguém mesmo. As pessoas que ele convive não sabem que há algo errado com ele. Sim, porque não consigo pensar que está tudo bem com uma pessoa que se excita ao comer fezes, deve ser algum problema psicológico grave. Sem contar que deve fazer mal à saúde também. Na saída da prova, liguei pra uma amiga, desabafei. Ela ficou chocada, já sabia sobre o rapaz do msn. Toda vez que eu lembrava do assunto meu estômago revirava.

Ele conversou comigo outras vezes, perguntei detalhes de como ele tinha descoberto essa vontade, curiosa que estava de sua iniciação naquele fetiche, ele disse que se excitou ao ver um vídeo, que pintava as unhas desde moleque, que sempre se excitou bebendo vinagre. Contou histórias de realização das suas fantasias e até mesmo queria me convencer a partilhar dos seus fetiches. Sem ofendê-lo, declinei do convite. E ele, então, quis desdizer tudo o que já havia dito, quis negar o que, àquela hora já era inegável. Não colou, então, acho que ele resolveu não se importar mais com minha opinião. As conversas começaram a girar em torno de assuntos polêmicos, eu tentava cortar, ignorar, mas não sabia o que fazer, ele tinha todos os meus contatos. O garoto encantado virou um sapo que eu tinha que me livrar.


Depois de várias conversas tensas, ele começou a me ofender e a ser muito preconceituoso com meu estado e origens. Eu fingia superioridade, só pra mater as aparências. No fundo eu só queria que ele esquecesse minha existência, mas comecei a ser grossa com ele também, fui enxendo o saco. Quanto menos eu respondia aos seus recados, mais ele ficava obcecado por mim. Até que ele resolveu ser muito cretino e fez observações xenofóbicas em fotos da minha tatuagem no orkut. Da primeira vez, apenas ignorei, apaguei o comentário. Mas ele insistiu, o idiota, e eu chutei o pau da barraca: escrevi um recado na página dele que ele e os amigos que tiveram a sorte de ler, jamais irão esquecer. No fim, mandei-o tomar no cu, por que, olha, tava entalado na minha garganta. Bloqueei e excluí de todas as formas possíveis e não me arrependo. Ele ainda tentou me ligar, mas de forma alguma irei ter contato com ele novamente. De vez em quando, ele me adiciona com nomes falsos, mas quando descubro que é ele - que só quer me xingar mais e mais - torno a bloquear e excluir tudo de novo.

 *Adaptado.