sexta-feira, 27 de maio de 2011

Então, tá.


Já que tanta gente tem me perguntado como eu tô, se tá tudo bem comigo depois da cirurgia e tudo mais, devo dizer que sim. Tecnicamente eu estou ótima, já que feiúra não é doença, rs. Meu rosto não está mais inchado e já consigo comer coisas sólidas numa boa, só não consigo morder ou rasgar nenhum alimento com os dentes da frente, tenho que cortar tudo em pedacinhos e mastigar com os dentes de trás, mas pra quem passou trinta dias na sopinha, isso é o de menos. 

Posso me descrever em uma palavra: banguela. Não, eu não perdi nenhum dente, mas é que o diastema é tão grande que parece que tá faltando um dos dentes da frente. Ontem fiquei mexendo no google, procurando saber mais sobre como foi feita a minha cirurgia e os casos que já haviam sido tratados com Expansão Cirúrgica da Maxila e, sério, ainda bem que eu não vi nada disso antes, porque é assustador

É constrangedor andar por aí com uma banguela nos dentes da frente, mas se não há jeito, tento pelo menos encarar com bom humor, tiro onda de mim mesma porque senão vou pirar. Ainda bem que todo mundo no trabalho me recebeu super bem e foram muito compreensivos comigo, não tiraram piadinhas nem nada disso, mas tenho a impressão que todo mundo fica conversando com meu diastema, sabe? É inevitável, as pessoas não conseguem tirar os olhos. Fico falando toda cheia de caretas, colocando a mão na frente, rindo igual à Monalisa, tentando esconder o que tá muito visível e, é claro, só chama mais atenção pro fato. 

Todo mundo fica tentando me consolar que não tá tão feio assim e que logo logo passa, mas, olha, quando é a gente mesmo, demora horrores pra passar. Eu sei, eu sei, eu sei: era necessário e vai ficar lindo quando eu terminar o tratamento, fora todos os benefícios para minha saúde, já que eu tinha o maxilar atrésico, mordida cruzada e disfunção da ATM. Fico repetindo tudo isso como um mantra, porque eu sei que vai passar e nem tô ansiosa pra chegar logo ao fim do tratamento, não, só quero mesmo que chegue o dia de tirar o hyrax, que vai ser em meados de setembro ou outubro, para poder ficar só com o aparelho normal, que nem acho feio e não me incomoda nem um pouco. Só quero estar com os dentes normais, conseguir falar direito e poder sorrir sem ficar constrangida. Não acho que seja pedir demais. 

E ainda respondendo a algumas dúvidas: também não quero tirar fotos para expor aqui no blog, não vou precisar lembrar dessa fase meio chata da minha recuperação. Tirei fotos antes, durante e tirarei depois, tem os moldes ortodônticos e as radiografias para comprovar o resultado do tratamento. Quando tudo isso terminar, eu só vou querer é esquecer os dias ruins. 

É isso, no mais, tudo bem.

Beijo, beijo!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Enquanto o amor não vem


Aprendi uma lição muito importante - e dura - com um professor da faculdade com quem tive um rolo: não esperar que um homem que seja casado por dez, vinte anos, etc, não traia, eventualmente, sua esposa. Na época foi um choque, a destruição dos meus tolos sonhos românticos de família 'feliz para sempre' que eu tinha, aos 19 anos. Só que, por mais que a gente saiba, certas coisas só se aprende vivendo mesmo. Não que eu tenha sido casada, claro, mas observo o que acontece aos amigos e conhecidos e vejo cada dia mais claramente o quanto a maioria dos relacionamentos acaba pelos motivos de sempre.

A maioria dos homens não se aguenta, tem o juízo no pinto. Não é uma questão de generalizar, mas como já estou generalizando, é impossível não pensar em mil exemplos diferentes. E pior, a maioria não se aguenta, tem que comentar, contar vantagem para os amigos, dizer que comeu, fez isso e aquilo, muitas vezes sem nem ter feito tanto assim. As mulheres ainda são estigmatizadas: se não dão, tão fazendo doce, se dão, são vagabundas, mesmo que sejam solteiras, livres e desimpedidas. A maioria dos caras só quer isso mesmo: um número a mais. Se para isso eles tiverem de fazer teatrinho, bancar o romântico, fingir que se importam, é só uma inconveniência temporária.

Não que as mulheres sejam santas, longe disso. Nós também comentamos, muitas vezes todas ao mesmo tempo, destrinchamos nossos relacionamentos com as amigas até não poder mais, falamos de putaria, desejos, fantasias sexuais, mas, no geral, há uma diferença: mulheres tendem a contar a verdade. Analisar, interpretar as atitudes, enlouquecer à procura de mensagens subliminares, sim, mas pessoalmente, eu nunca conheci uma mulher que mentisse em relação a com quem tinha transado. Já os homens, adoram se vangloriar de suas conquistas em rodas de bar.

Eu creio que você não trai por princípio, geralmente é algo que você traz arraigado nos seus valores. Se não for assim, se você não fizer apenas pelo outro, é fácil acontecer um escorregadela num momento de fraqueza. Também não estou criticando quem trai ou quem fica com alguém sabendo que essa pessoa é comprometida, porque isso é uma questão particular, de se saber o que se quer e o que se espera num relacionamento. Na vida real as coisas não são tão ou pretas ou brancas. Tem tanta tonalidade de cinza por aí e quem sou eu pra julgar o que é certo pra alguém? Mau dou conta do meu próprio armário cheio de esqueletos.

Os relacionamentos humanos ainda continuam sendo os principais dramas no cotidiano da maioria das pessoas. E, como todo mundo bem sabe, não adianta tentar fórmulas mágicas, o jeito é descobrir vivendo, errando e aprendendo o que é melhor para si. Mesmo que não seja, necessariamente, o melhor pro outro.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pequeno Príncipe Heitor



Acho que quase todo mundo já me ouviu falar do bebê mais aguardado do ano, meu afilhado Heitor, filho da minha amiga e #metadeloira, Éryka. Esses dias em que estive de licença também foram dias de aproveitar muito a companhia da minha comadre, planejar o quartinho do neném, bater perna atrás das coisinhas dele, enfim, foi uma festa. Mês que vem ele vai estar dando o ar de sua graça nesse mundão, encantando tantas pessoas que já são apaixonadas por ele, mesmo antes de conhecê-lo.

Desejo que ele nasça com muita saúde e que seja um neném muito fofinho, para a dinda enchê-lo de beijos, abraços, mordidas e beliscões (Nazaré Tedesco o/). Tô tão ansiosa pra ver o rostinho dele, saber se ele vai ser a cara da mãe ou do pai, se vai ser chorão, calminho ou manhoso, se vai dormir a noite inteira, se vai ser alérgico a alguma coisa, porque, madrinha é um pouco como mãe também, né? Mas por enquanto, só posso olhar para a USG Morfológica e torcer pro Heitor não nos pregar uma peça e nascer antes do tempo, que, segundo o Dr. Carlile, será entre 13 e 20.06.




E quem quiser ver o Heitor já fazendo sucesso, seguindo os passos da mãe, clica aqui pra assistir o VT da Joalheria Rubi, para o Dia das Mães, que a Éryka gravou.

Beijo, beijo!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Tô viva, gente

Não sou uma drama queen, vocês me conhecem, mas tenho que dizer que essa cirurgia superou minhas expectativas, no lado ruim, quero dizer. É claro que eu tava preparada psicologicamente pra tudo, não me arrependo de ter feito, era necessário à minha saúde, mas não achei que fosse ser tão trash. Vou contar como foi e porque andei tão sumida. Bom, me internei no Hospital da PM dia 12.04, terça, à noite. Fiquei lá sozinha e tal, até aparecer um doutorzinho lindo para preencher minha ficha (e depois mandar sms no meu cel - q ele pegou no prontuário - me paquerando, rá!). Foi o melhor da noite, rs. 

Na cirurgia foi tudo bem, o pior, como vocês devem supor foi o pós-operatório. Acordei na recuperação com muitas náuseas por causa da anestesia geral, vomitando muito sangue que engoli durante a cirurgia, sem contar que meu nariz também ficou pingando sangue por qualquer esforço que eu fizesse, por dias. O rosto parecia um acidente de carro, de tão inchado, tava envolto em faixas, por causa das compressas geladas constantes. Já no quarto, percebi nos olhos do meu pai o quanto ele estava preocupado comigo, mas procurava disfarçar, para não me assustar. Minha mãe, então, nem se fala, eu não podia dar um gemido, que ela já estava em cima, daquele jeito superpreocupado dela, rs. Claro que sem o carinho e o cuidado dos meus pais, a recuperação teria sido bem pior, para eles nenhum agradecimento é suficiente, mas, pelo menos, não fiquei muito tempo no hospital, saí na quinta-feira de manhã, 14.04.

O rosto continuou inchado, por dias, ainda hoje está um pouco inchado nas bochechas, apelidei-me de Quica, porque, né? Filha espiritual. o/ Poucos dias depois da cirurgia, comecei a ativação do hyrax (o aparelho que fica no céu da minha boca e que já estava instalado há algum tempo): duas pela manhã, duas pela noite, por quase 10 dias. Um incômodo do cacete, vocês não tem noção, não era bem dor, até porque a cirurgia era para possibilitar essa abertura do meu lindo palato atrésico, mas fazia uma pressão enorme no rosto, dava pra ver que estava abrindo mesmo, sentir em todos os ossos da face, seios nasais e tal. Sem contar que meus dentes da frente iam progressivamente se afastando um do outro (o nome correto para essa 'separação' é diastema, bleh). E cá estou eu, passando um trem por eles. Filha espiritual do Tiririca, nessa nova fase da minha vida, rs. Ainda vou ficar com o hyrax por uns 6 meses, até que o osso calcifique e eu possa colocar o aparelho ortodôntico normal, mas segundo minha dentista, e amiga, Juliana França, o diastema deve diminuir consideravelmente, pela próximas duas semanas. Não que eu vá poder competir em algum concurso de beleza, claro, mas deve ficar menos ruim.

Mas o pior mesmo de tudo é a comida: pastosa por 30 dias. Só posso comer sopa, suco, iogurte, mingau, etc. Gente, é uma tortura. Não que eu consiga comer outra coisa, vejam bem, meus dentes estão todos tortos e fora do lugar, além de dormentes, eu não tenho força para morder os alimentos, não é como se eu tivesse opção. Nem sei se vou conseguir comer normalmente após o período indicado pela médica, com certeza minha alimentação ainda vai ficar restrita por muito tempo. A única coisa boa é que passando fome desse jeito, não tem como não emagrecer.

Tenho muito que agradecer, porque apesar dos perrengues, tô muito bem, me recuperando ainda, mas só melhorando. Sem contar que tive pessoas maravilhosas me ajudando. Agradeço muito meus médicos, Dra. Amparo Velloso e Dr. Henrique Ferro, porque cuidaram de mim muitíssimo bem. E nem tenho como dizer como sou agradecida à Juliana, pelas visitas em casa e no consultório, numa relação muito mais que profissional, mas pela amizade, assistência e a preocupação de que tudo corresse bem.

E é isso, gente, a Ju não me liberou para ir trabalhar ainda. Tecnicamente estou bem, não sinto dores, mas minha aparência não é das melhores para me expor, ainda mais com o tipo de trabalho que eu faço, atendendo ao público e tal. Mas, como eu já disse, agora é só melhorar. 

Beijo, beijo!