segunda-feira, 5 de março de 2012

.no tempo em que se escrevia cartas.

Ontem eu abri a caixa de pandora da saudade. Fui mexer na minha caixa de cartas que guardo dos cinco anos que correspondi com muitas pessoas, às vezes com quase trinta delas ao mesmo tempo. Não que eu tivesse o mesmo nível de amizade com todos, nem que todos tenham durado a maioria do tempo, mas houve sobreviventes e é isso o que mais me emociona.

Em idos de 2001, a época que comecei a me corresponder, era bem diferente do que é hoje, não havia essa facilidade de computadores, internet, redes sociais, operadoras de telefonia com custo baixo de ligação ddd. As cartas eram as portas de um mundo novo, pessoas novas, amizades. Não existia mentira nem falsidade, você construía algo concreto com aquela pessoa. Era real. Era amizade sem preconceitos. Sem falar na expectativa da chegada do carteiro e receber aquelas cartas cheias de novidade. Eu ficava ansiosa desde que chegava da escola, era uma delícia, recebia aqueles pedacinhos de papel que estiveram com os meus amigos, com as letras deles, recortes, figuras, memórias. Muitas cartas lindas, desenhadas, enfeitadas. Não existia foto digital, a gente mandava bolos de fotos explicadinhas sobre quem era quem. E a gente devolvia essas fotos, a maioria eram só pra olhar mesmo, mas ainda hoje eu tenho fotos dos meus muitos amigos dessa época. De cada um guardo um carinho diferente e especial.

Vocês tem noção que a Liliane (Coronel Fabriciano - MG) escrevia cada linha da carta de uma cor diferente? Era uma paciência que transmitia de longe todo o carinho. E as cartas mais animadas e alto-astral do Pepê (São Gonçalo - RJ)? Eu ficava impaciente porque ele sempre demorava a responder, mas as cartas valiam muito a pena, porque eram enormes e um capricho só, eu me derretia toda. A Joene (Uberlândia - MG) tinha as maiores dúvidas existenciais do planeta e a gente divagava horrores sobre tudo - e nada, pelo simples prazer de contestar. E a primeira amiga que fiz? Nunca vou esquecer do dia em que a carta-resposta da Patty (Joanésia, mas atualmente mora em Uberaba-MG) chegou na minha casa e eu respondi no mesmo dia e a gente nunca mais se largou, por todos os anos a fio, até hoje. Como ela mesma dizia, ela era minha amiga, não a melhor, mas a de sempre. E há um conforto enorme em saber que alguém está sempre lá por você. Ela também me apresentou a melhor amiga de infância dela, Michelle (também de Joanésia, mas mora em BH-MG), que viria a ser uma das pessoas que, de longe, mais me compreendem no mundo, que leu sobre todos os meus dramas e viveu comigo muitos deles. Nossa amizade ainda é assim, eu sempre recorro à Mi quando não sei o que fazer.

A minha vida era outra, eu era adolescente, brigava com a minha mãe, ia pra escola, estudava pro vestibular, ficava com alguns meninos, mas ainda era virgem, viajava no carnaval e ia em todas as micaretas possíveis, praticamente só ouvia forró, lia muito Sabrina & Júlia porque não tinha dinheiro pra comprar outros livros e me achava madura e coerente, como hoje sei que nem era tanto assim. E eles souberam de tudo isso, como diários pessoais particulares. E eu soube deles também. Cada alegria, tristeza, novidade, primeira vez. Guardarei essas lembranças para sempre e em dias em que quiser voltar àqueles tempos, sei bem onde encontrar quem me compreenda.

Em setembro eu vou pra Uberlândia, pro Congresso das Secretárias das Universidades Brasileiras e eu vou conhecer a Joene, que mora lá, além de esticar a viagem até Uberaba, onde a Patty tá morando e onde a Mi vai me encontrar. Além de todas essas pessoas maravilhosas, ainda vou conhecer a Daniela, meu #eternoamoreterno. Vocês não tem noção da minha ansiedade, é sério.

Depois de março, já é setembro?

7 comentários:

Bel disse...

Ju, eu sei bem o que é isso... e sei também que vai ser lindo, maravilhoso! Setembro é logo ali!!!
Beijoooo

Lulu on the sky disse...

JuLLyane, tb tinha esse hábito de escrever cartas, inclusive tive pen friends no exterior. Acredito que era mais pessoal do que hoje quando a gente lê um email na tela. A letra de uma pessoa, diz muito sobre sua personalidade. Infelizmente hoje em dia, ninguém dá tanto valor.
Big Beijos

Júuh . disse...

É uma gostosura só, também já troquei muitas cartas, mas com o tempo algumas pessoas foram se distânciando e fim. nunca mais soube delas, as verdadeiras continuaram e sei que posso contar com elas sempre e sempre!

Imagino a sua ansiedade pra conhecer as meninas, e a Dani então..ai ai. Uberaba vai tremer nesse dia! haha

Que delícia Ju. Depois que passar meu aniversário, pode acabar março e chegar logo Setembro! o/

Beeijo flor

Anônimo disse...

Tá chegando?
Falta muito?
Já chegou?
Tá longe?
Tá chegando?

(burro do Shrek)

Dayne Dantas disse...

'As cartas eram as portas de um mundo novo, pessoas novas, amizades. Não existia mentira nem falsidade, você construía algo concreto com aquela pessoa. Era real.'

Quem abriu a caixa de pandora aqui, fui eu.
Eita tempo bom o das cartas... Me correspondia com gente de 16 estados diferentes *-*

Michelle disse...

Ai Ju,até chorei lendo este post.Saudade deste tempo,qdo tínhamos tempo pra conversarmos mais.Mas vc sabe que sempre que precisar tô aqui.
Engraçado isso,distantes fisicamente,mas tão próximas.Nos momentos turbulentos a gente sempre se procura,né?Uma confiança sem fim.
Eu deveria ter tuiti né,ficaria mais fácil,mas casada é complicado...rs
Te amo muito e setembro estaremos juntas!

Nataly ferreira disse...

Nossa hoje li aqui! Ameiiii sou apaixonada por cartas também, me encontrei um pouco aqui.