sexta-feira, 11 de maio de 2012

Entremares

Então, tá. Você me diz cada coisa linda, passa madrugadas de amor e conversa jogada fora, puro encantamento e deleite e no final das contas, volta para ela. Eu sou mulher moderna e digo que não me incomoda, mas sabe lá no fundo? Me corrói um ciúmes que é mais competitivo do que quando eu era criança e queria ser a preferida da professora da escola. Sério, como será que você é com ela? Será que ela deita no seu ombro da mesma forma que eu? Será que você sente a falta dela quando ela tá longe e passa o dia mandando mensagens de texto no celular? Ou, pior, será que usa as mesmas piadas, os mesmos gestos de carinho, as mesmas formas para enternecê-la, que usa comigo?

Sabe, minhas amigas me dizem para ter cuidado e eu fico lá dizendo que tá tudo bem, não tô criando expectativas, não quero ser responsável por algo assim e aquele blá blá blá bonito de quem tem o rabo preso, mas eu não sou idiota, posso até tentar iludir um ou outro mas nunca a mim mesma, eu tô vendo que a gente tá se jogando no escuro. Não sou só eu, você também. Ou por acaso eu tô criando alucinações sobre todos os olhares embevecidos nos olhos um do outro madrugada adentro?

E aí? E depois? Até quando vamos viver assim? Dividindo nosso tempo, nossa vida, confundindo nossas histórias, não fazendo planos, fingindo que ninguém se importa com o amanhã? Eu sei, não foi isso o que a gente combinou, a gente disse que não ia cobrar nada, que não iríamos nos envolver, tampouco nos apaixonar e não sei quem quebrou primeiro as regras, mas não consigo mais fazer pose de blasé. Eu me importo sim, eu quero que o meu cheiro se confunda com o seu, que você não precise mais ir embora e que não haja mais finais de semana em que eu tenha que demonstrar que tenho uma vida agitadíssima e que ter ou não você perto, não faz a mínima diferença. 

É difícil para você, eu sei, você se dividiu entre dois amores. Um tão cheio de momentos e superações, que já passou por tanta coisa, tantos anos, que já é antigo e enraizado, seguro, terno. E eu, que não sei de verdade o que sou para você, só tenho momentos roubados, palavras e impressões. Não, não. Não é para você escolher, é pra você se decidir. Se não pode me amar, tem que me deixar partir.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal) 

4 comentários:

meus instantes e momentos disse...

existem momentos que independem de escolhas ou decisões.
existem momentos que simplesmente subentende-se a hora de ir...

Maurizio
* que bom voltar aqui.

Lulu disse...

Ai Jullyane é tão complicado dividir um amor. Espero que tenha um final feliz.
Big Beijos

Eterno Retorno disse...

Como sempre usando sua sensibilidade para traduzir o desespero humano...Deve ser complicado viver uma relação onde existe prioridades concorrentes! Bom texto, o melhor escritor é o que consegue convencer os leitores que vivencia o que escreve! Doida para conversar com vc!

Hertammy disse...

Como isso é dificil qnd é real! =(