quinta-feira, 16 de agosto de 2012

♪ E quem irá dizer que não existe razão?


'Que continue sendo doce o seu modo de demonstrar afeto, o seu jeito, seus olhares, seus receios... Que doce seja uma ausência do nosso medo, o seu abraço e a maneira como segura minha mão. Que seja doce, que sejamos doce e seremos, eu sei...' 
(Caio F.)

Você entrou na minha vida como quem não quer nada, com esse seu jeito meio tímido, meio misterioso, mas decidido a me fazer te olhar de maneira diferente, a dar uma chance para esse novo cara, a acreditar nas suas boas intenções. Lembro de ter pensado que era impossível, mas você derrubou todos os meus poréns: minha desconfiança patológica nos homens, nossas convicções políticas contraditórias, minha resolução de três reveillóns atrás de nunca mais me envolver com alguém que morasse a mais de uma cidade de distância. Eu quis tanto não te querer, quando na verdade, já te queria.

Você ousou e me fez sonhar junto com você, acreditar ainda que me questionando, me envolver, ainda que me freando, fazer planos, mesmo morrendo de medo. Para um coração tão magoado quanto o meu, conceder o benefício da dúvida é a prova da minha disposição em tentar ser feliz novamente. Aqui estou me livrando de preconceitos profundamente arraigados, debatendo ideias que julgava sem analisar, procurando passagens de avião em sites de menor preço, planejando viajar milhares de quilômetros pra te ver, sentir teu cheiro, abraço, gosto bom de esperança.

Há muito tempo, a saudade não doía tanto. Já havia me acostumado a ela e aos seus dissabores, mas agora ela é nova, constante e latente, exigindo o que lhe é negado. Me perco nela, mesmo sem querer, porque a saudade é essa medida implacável do quanto gostamos de alguém. Nos dias bons, lembrar do seu querer já me conforta, mas nos dias ruins, só a sua voz pra me acalmar e me devolver a paz de espírito. É que as noites de domingos pedem filme e chamego, não necessariamente nessa ordem.

Não tem jeito, eu gosto mesmo de você. Me apaixonei pelo seu jeito simples, mas decidido. Pelos pequenos gestos, tão delicados, de me mostrar que se importava. Pela sua preocupação com a minha saúde e alimentação errada, ao ponto de me acordar com salada de frutas pro café da manhã. Pelos seus olhos castanhos, tão doces, me olhando como se eu fosse a coisa mais especial do mundo. Pelo seu toque delicioso, que chega até mim sem que eu consiga resistir aos impulsos traiçoeiros do meu corpo tão entregue. Pelo respeito que você tem pela minha opinião e ideologias, ainda que discorde delas em alguns níveis. Pela delicadeza do seu afeto, que não sufoca, nem cobra, porque sabe que o que se dá espontaneamente tem muito mais valor. Pelo seu carinho com o meu cachorro vira-lata, dando atenção, carinho, cuidado, banho. Pelo seu encantamento pelo mar, como se ele fosse novidade. Pela sua paixão por livros. E, principalmente, pela sua perseverança em me fazer acreditar que a distância não deve ser o maior empecilho, porque a gente faz pequenos planos para confundir os grandes prazos.

Estou entregue, exposta, disposta. Lá vou eu apostar no amor outra vez.