terça-feira, 1 de outubro de 2013

Embriaguez


Ainda que meio bêbada, sou a melhor opção que você tem. Que ironia hoje eu ter me rebelado e não estar em casa, não? Encontrar você aqui na porta do prédio, me esperando, é que é uma surpresa. Mas, enfim, que outra mulher exigiria tão pouco quanto eu? Que outra mulher te esperaria em horários tão terríveis e se submeteria a ser convenientemente cega, surda e muda ao que você faz longe de mim? Isso sem falar no que você faz perto, ao celular, essa maldita invenção tecnológica que te rouba de mim e me faz engolir lágrimas, ao sabor das tuas mentiras. Não venha me dizer que eu não fui enganada, essa desculpa batida de quem não tem argumentos para as suas escapadas, eu sei de tudo desde o princípio, eu só não sabia antes o quanto me magoaria mesmo assim. 

Você não gosta da minha embriaguez, isso eu vejo nos seus olhos, mas me diga, como me manter sóbria estando à beira da insanidade? Eu não esperava você aqui hoje, não aguentava mais esse peso sufocante que eu tenho aqui dentro e fui fazer o que sei melhor, lamber minhas feridas, sair da realidade, procurar um escape desse amontoado de hipocrisia em que vivo. Eu sou uma pessoa boa, sabe? Legal. Bonita. Inteligente, dizem. Mas não deve ser verdade, já que estou nessa situação com você e me deixo iludir com falsas esperanças todas as vezes que explodo e você percebe que não vou agüentar mais. Meus ultimatos não fazem mais nenhum efeito, não é? Você não passa de um egoísta. Você vê tudo o que faz comigo, mas parece que não se comove, não tem interesse nenhum no que eu sinto. Não me quer, mas não me larga. Gosta de mim apenas o suficiente para não me deixar em paz. 

Não é que eu tenha planejado essa vida de ser relegada, maltratada, preterida. Meu amor próprio era praticamente intacto antes de te conhecer. Ninguém planeja ter seus sonhos destruídos, ter seu amor maculado de defeitos e se sentir insegura ao ponto de não se afastar de algo doentio, que só faz mal. Eu me apaixonei por alguém que não se apaixonou por mim e não teve a decência de se afastar. Me manteve à mercê dos meus sentimentos, por ser simplesmente cômodo ter alguém que o adora sem pedir nada em troca. Você me roubou o que havia de mais bonito em mim, a minha inocência. Não sei mais como acreditar em outro amor, depois de você. Vejo tudo com tão amargo ceticismo, duvido dos relacionamentos felizes, desdenho dos apaixonados. Coitados, não sabem o sofrimento que os esperam.

O que você esperava? Que eu fosse grata por todo o sofrimento que você me trouxe? Desculpe, não vai rolar. Hoje, não. Eu devo ter tomado algum soro da verdade junto com todo aquele vinho. Pra ser ainda mais clara, o que você tá fazendo aqui? Ela te liberou ou você está sendo um menino mau? Eu to bêbada, não tá vendo? Não adianta me recriminar, hoje eu vou te dizer tudo o que penso. Quem sabe assim você descobre que ainda tem um pouco de consciência e se afasta de mim, já que eu não consigo me desintoxicar dessa merda toda que é a nossa vida juntos. É tão patético. Me salve de mim mesma, por favor.

Mas, espere, onde você vai? Não, não vá embora. Eu disse que não consigo me livrar de você, não disse? E é verdade. Mas não é que eu não ame você, eu amo. Só você sabe me abraçar daquele jeito tão bom, me cobrindo inteira com seus braços e mordendo o cantinho entre a minha nuca e o ombro, só porque sabe que é o meu ponto fraco. E o seu cheiro é tão bom, meu Deus, não consigo passar na prateleira de desodorantes sem parecer uma idiota cheirando um Axe Twist. Me abandone, sim. Mas amanhã. Hoje eu tô bêbada e preciso de você me esquentando para não acordar com a sensação que tá faltando um pedaço. Eu posso lidar com o fim. Nesse minuto, tudo o que eu to falando é verdade e eu quero que você se lembre amanhã, só que releva por hoje? Porque hoje eu não consigo. Me abraça, entra, passa a noite comigo. E não me olhe como se eu fosse uma maluca, porque eu não sou. Bem, nem tanto. Não num nível que precise de intervenção médica, pelo menos. Sou mulher, só isso. Mudar de opinião e fazer drama são só algumas das características que eu não consigo me livrar. Eu amo você, vem, entra, me esquenta. Eu adorei que você veio sem avisar.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

.alone.


Os dias tem se alternado entre bons e ruins, sei como funciona a lógica da coisa toda, no começo, mais ruins que bons até que um dia os bons se sobressaem, mas é difícil levar a vida enquanto os dias ruins ainda são maioria. 

Tenho pensado em muitas coisas, ponderado sobre as possibilidades, tentado me focar em coisas importantes, buscado novos desafios. É tão difícil abrir mão de sonhos e planos que construímos com outra pessoa, ainda mais quando há tanto envolvido. Não são os sentimentos apenas dessas pessoas que contam, quando a gente coloca na balança, muitas outras são afetadas.

Dói muito abrir mão. Não conseguir encontrar outras alternativas. Tentar minimizar os danos, para que reste carinho e respeito pelo que foi vivido. Ainda que estar só seja a melhor resposta para a situação, decidir por isso sempre vem com dúvidas, medo, insegurança.

Ficar sozinha não é o problema, já sou acostumada com essa independência, que como tudo, tem prós e contras, mas todo esse processo de desligamento é tão dolorido e desgastante. Não quero esquecer tudo o que vivi, só que é cedo demais para ficar rememorando tudo o que já não é mais. Preciso de espaço para me reconstruir, para superar. Alguns caminhos temos que percorrer sozinhos.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

.a filha pródiga.


Não sei bem explicar qual é a emoção que me toma nesse momento. Não é felicidade, nem tristeza, é uma mistura dos dois. Uma alegria dolorida, quem sabe? Cheguei em Parnaíba muito jovem, me achando muito adulta, mas sem saber quase nada da vida, de como é difícil ter que depender de si mesma pra tudo e qualquer coisa. Conheci muitas pessoas, aprendi tanto e depois de um tempo, me senti em casa. Durante os primeiros anos eu queria muito voltar "para casa", em Teresina, meu lar, onde minha família estava, mas já faz alguns anos que isso mudou. Toda vez que pensava em voltar, arrumava mais motivos pra ficar.

Durante esses sete anos aqui, eu me reinventei e me transformei centenas de vezes, aprendi mais do que em qualquer outro momento, me encontrei de tantas formas e hoje vejo o mundo numa lucidez incrível. Sei exatamente quem sou e o que quero da vida. As coisas que são importantes de verdade e os rumos que devem seguir o meu futuro. Posso muito bem mudar minhas prioridades em algum momento, mas hoje tenho a confiança necessária para saber que vou superar o que quer que aconteça.

Por mais difícil que tenha sido tomar essa decisão, não poderia deixar essa oportunidade passar, nunca houve edital de remoção interna na UFPI, não sei se a política da Universidade seguirá assim, nem se no futuro haveria um número de vagas tão propício. 

Vou, mas uma parte de mim fica aqui. Meu coração está dividido entre risos e lágrimas. Construí tantas coisas nessa cidade, deixo amigos, colegas, camaradas, um movimento de mulheres se fortalecendo, uma regional do partido sendo construída, a subseção do sindicato, tantas lutas por vir, mas também sei que onde eu estiver, novos desafios surgirão e sempre haverá um foco de resistência revolucionária para tocar adiante.

É uma época de mudanças: de cidade, relacionamento, expectativas. Tô tentando focar nisso, esperar por novidades boas, deixar a minha zona de conforto. Às vezes, duvido da minha capacidade, mas encontro forças, sigo em frente. Tenho um certo tempo pra me acostumar com a ideia ainda, passar por um período de transição, acho que até o final do ano devo estar por aqui, o ato de remoção só deve sair após o concurso para técnico-administrativo. Enquanto isso, invisto em novos projetos, direciono minha energia para algo que me desafie.

Quero voltar a procurar um refúgio nesse espaço, tenho sentido muita falta de colocar minhas ideias em palavras, aos pouco, retomo o hábito. Obrigada por não desistirem de mim.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A democracia conveniente


“O Gigante acordou”, dizem em coro, mas eu o vejo sonâmbulo, tonto, sem direção e pisoteando todos aqueles que não estavam dormindo. Hoje era para ser um dia muito feliz, de mudanças pelas quais eu luto há bastante tempo, mas terminei o dia com o sentimento que fizeram uma festa na minha casa, eu ajudei a limpar, organizei, gastei meu tempo, dinheiro, disposição e me mandaram para a cozinha na hora de cantar os parabéns.

Construo a CSP Conlutas, a Fasubra, o SINTUFPI, o Movimento Mulheres em Luta e o PSTU, me organizo politica e sindicalmente por entender que somente unidos os trabalhadores e a juventude conseguem unificar suas pautas e ter foco para encaminhar suas demandas. Além de ser um direito garantido pela dita democracia, no instrumento chamado Constituição Federal.

Muitas pessoas foram torturadas e deram suas vidas para que eu desfrutasse desse direito e eu não abro mão dele, não tenho que pedir permissão a ninguém para exercê-lo, mas parece que muita gente faltou a essa aula de história. O sentimento anti-partidário, que evoca o fascismo e o nacionalismo, está ganhando proporções inimagináveis. Hoje, acredito que pela primeira vez na história da cidade de Parnaíba (Piauí), houve uma manifestação que reuniu cerca de três mil pessoas. Um feito para ser celebrado, diriam alguns. Não discordo do fato, mas tenho as minhas ressalvas. Que maravilha que as pessoas estão gostando das ruas! Que terrível que estejam expulsando àqueles que já estavam lá.

Não pude carregar a bandeira do meu partido porque temi pela minha integridade física, e a dos meus (poucos) camaradas. Fomos ameaçados por diversas pessoas que fizeram intervenções no carro de som: “não admitimos partidos!”, “quem quiser vestir camisa de partido, que o faça na sua casa”, “queimem e rasguem as bandeiras de partidos”. Já viajei mais de 30h num ônibus (isso sem contar a volta) para marchar – várias vezes – em Brasília, para acampar na Esplanada dos Ministérios, acordei de madrugada para tomar o Ministério do Planejamento, estive nas manifestações #contraoaumento em Teresina (primeiras manifestações populares na capital do estado do Piauí contra o aumento das tarifas de ônibus), estive nas greves das Universidades Federais, participei de atos, plenárias, congressos, encontros políticos diversos (sindicais, de mulheres, negrxs, LGBTs), sempre com o coração feliz, certa de estar lutando pelos direitos dos trabalhadores, da juventude, dos oprimidos, pelo ideal de um mundo melhor, pensando não em mim, mas em todos, coletivamente.

Hoje eu fui subjugada, agredida moralmente e marginalizada. Incrivelmente, não pelo Governo, que me explora e oprime cotidianamente, mas pelos meus próprios pares, àqueles por quem eu luto diuturnamente, ainda que eles nem saibam disso. Não desisti, mas confesso que chorei em diversos trechos do percurso, tentando juntar os cacos de dignidade que me sobraram. Não me surpreendi com a despolitização geral do movimento, afinal, pra quê uma manifestação precisa de organização, né? Todo mundo reivindica o que quer, desde o seu PS4 até cerveja mais barata, passando, inclusive, por “sambar na cara de Satanás”, como diria um cartaz da “Irmã Zuleide”. Tentei, mas não consegui entender que um travesti estivesse se manifestando contra a homofobia com um cartaz homofóbico (que dizia “O SUS não tá curando nem virose quanto mais viadagem). Protesto vazio contra tudo e contra todos, o mal em geral e tudo mais que alguém achar que não deve ser assim.

Em Teresina, não foi diferente. Tivemos camaradas agredidos fisicamente e o tempo inteiro fomos vaiados, xingados e achincalhados. Entoavam “vem pra rua”, mas o convite era apenas se você se enquadrasse no “padrão Globo de qualidade” para manifestantes, vestidos de branco, protestando pacificamente, pedindo permissão para as “autoridades” e propagando o apartidarismo em massa. Gritavam “sem violência” e nos agrediam de todas as formas. Protestavam contra a repressão e tentavam nos enquadrar aos moldes do que cada um tinha adicionado como item importante na sua “cartilha do manifestante”. Diziam “todos os partidos são corruptos, quando chegam ao poder, fazem sempre a mesma coisa” e nunca leram, sequer conhecem os programas dos partidos, muito menos do meu, que não almeja o Governo, mas destituí-lo por meio de uma revolução socialista e que só participa das eleições porque é um meio de conseguir espaço para mobilizar mais pessoas, além de apresentar-se como uma alternativa ao trabalhador, para que as suas demandas sejam pautadas.

Enquanto isso, boa parte tirava fotos para compartilhar no Instagram e Facebook, cumprindo o seu papel social de mudar o Brasil. Manifestar tá na moda, é legal, te faz revolucionário, pra quem quiser se sentir mais integrado ao movimento, tem até camiseta vendida a preço de banana que diz que “o filho teu não foge à luta”. Se tivesse cordão de isolamento, poderia bem ser uma micareta, mas como em Teresina tem o maior corso do mundo (oba!), talvez seja só uma prévia carnavalesca.

Pelas notícias que vi, não foi muito diferente de outras capitais, considerando-se as devidas proporções. Não foram apenas as bandeiras de partidos que sofreram, mas também as de movimentos feministas, de negros, LGBTs, centrais sindicais, etc. Afinal, isso não é democracia? A maioria “vence”. Não se surpreendam se na semana que vem impedirem mulheres, negros e gays de se manifestarem, afinal, são minorias, não representam o movimento, são oportunistas que se utilizam de uma manifestação do povo para aparecer, tê-los participando significa que são eles que estão liderando. Não importa que eles tenham direito de organização e livre manifestação, a manifestação não é deles e eles podem muito bem ir incomodar em outro lugar, silenciosamente, de preferência.

Também publicado no blog da Lola: Ei, vc que acordou, não hostilize quem nunca dormiu.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

.porque eu preciso do feminismo.

Sou homem.

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai, esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Netinho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma Beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil. Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira. Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco de ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me vir lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Menos rosas e mais respeito!


O Dia Internacional da Mulher mobiliza as mulheres em todo o mundo desde o ano de 1910. Nesse dia, as mulheres ocupam as ruas para lutar por conquistas e combater os retrocessos e perdas de direitos. Infelizmente, vemos a cada ano que a data foi banalizada pelo capitalismo, virou dia de mulher receber uma rosa e ouvir um 'parabéns por ser mulher', com mensagens que reforçam os estereótipos de beleza, doçura, sensibilidade, pureza, maternidade, etc., padrões esses que subjugam as habilidades e possibilidades da mulher, limitando sua atuação ao lar, marido e filhos. Mulheres não são flores de estufa, não são frágeis, não são feitas para serem subservientes, mulheres são fortes, dignas e capazes de realizar qualquer tarefa que se propuserem!

Vivemos sob uma falsa noção de empoderamento das mulheres, pois a ideologia pregada é a de que não existe opressão, que a Justiça é igualitária e todxs tem as mesmas oportunidades e possibilidades, o que sabemos, é falso. A presidente Dilma Roussef se elegeu com a expectativa das trabalhadoras, mas não vem avançando na conquista de melhores condições de vida, educação, emprego, saúde, moradia, transporte público, assistência social, entre outros. Não basta ser mulher, tem que governar para a classe trabalhadora, é necessário que xs trabalhadorxs entendam que apenas a união e organização política pode contribuir, de fato, para o avanço que tanto almejam.

Devemos comemorar o Dia Internacional da Mulher sem esquecer nem por um minuto que todo dia é dia de lutar por um mundo melhor. Lutar para que a Lei Maria da Penha seja efetivamente implantada, com centros de referência, casas abrigo, delegacias de mulheres, juizados especializados. Lutar contra a Reforma do Código Penal, que quer extinguir o parágrafo 9º do artigo 129, estabelecendo medidas alternativas e penas mais brandas pros agressores, colocando a violência doméstica no rol de crimes menos ofensivos. Lutar contra o Acordo Coletivo Especial, que prevê que os direitos sejam negociados livremente entre trabalhadorxs e empresários, possibilitando a flexibilização desses direitos, e, consequentemente, ameaçando com ainda mais afinco, os direitos das mulheres, como a licença gestante e o direito à amamentação. Lutar pelo direito às creches públicas, gratuitas e de qualidade, para que as trabalhadoras possam ter tranquilidade no seu emprego e até mesmo possam entrar no mercado de trabalho, visto que muitas não tem sequer com quem deixar os filhos, por vezes se colocando em situações de risco por não ter estabilidade financeira. Lutar pela descriminalização do aborto, um problema de saúde pública, que mata e mutila milhares de mulheres todo ano, em decorrência de abortos clandestinos. Lutar por uma ampla campanha de educação sexual e divulgação de métodos contraceptivos, com distribuição gratuita e sem burocracia para aqueles que necessitem. Em 2013, queremos denunciar as situações de violência, seja a violência física e psicológica, seja a violência institucional cometida pelo Estado em suas várias dimensões.

E é por isso que participar é fundamental. Pra lutar. Pra fugir do senso comum. Hoje é uma data importantíssima para as mulheres, com eventos, celebrações e reivindicações por todo o Brasil. A data é uma conquista do feminismo, não do capitalismo distribuidor de rosas que diariamente nega e reforça o sexismo. Não precisamos de rosas, precisamos de respeito!


Entenda, conheça, se informe, estude, participe de grupos feministas, de estudo e de lutas, contribua para a luta das mulheres e contra as opressões e exploração em que vivemos! Não importa o seu gênero, pois todxs sofremos com o machismo dominante. O feminismo dá voz às mulheres, como também abre o caminho para que homens se libertem da camisa de força da masculinidade tradicional.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Amarga e com limão

 
Sou oficialmente uma mulher desiludida. Sabe daquelas que vê um casal apaixonado e torce o nariz? Mas não pensem mal de mim, nem sempre fui assim. A vida e as desilusões é que nos transformam, nos fazem cínicas, céticas, endurecidas.

Palavras não me seduzem mais, já tive minha cota de cartas lindas e mensagens românticas para saber que elas são apenas estratégias interesseiras para desejos momentâneos. Que uma piadinha interna que você jura que tem um significado especial só para vocês bem pode ser compartilhada com outras tantas. Que aquelas horas de conversas intermináveis são esquecidas ao raiar do dia. Que aquelas confidências secretas já foram feitas para outras pessoas. Que aqueles olhares que dizem tudo quando vocês estão juntos não dizem, na realidade, nada. É particularmente espantoso como as palavras transformam-se em pó de um dia pro outro. São jogadas no vento e perdem-se, conforme a conveniência e só o que resta, é esquecê-las de vez, para não se magoar ainda mais.

É de se questionar mesmo, que pessoa incrível é essa que sou, se no final das contas só fica a rejeição e a humilhação de não saber o que foi feito de errado? Na verdade, a conclusão é simples, o bom e velho: 'o problema não é você, sou eu'. Porque, quando o cara não quer, não adianta tentar ser melhor, mais inteligente ou mais bonita. Ele vai continuar não querendo. O que falta, na maioria dos homens, é essa sinceridade. Não que seja legal alguém explicar o fora, ninguém quer ouvir isso. Se fosse a verdade, nua e crua, vá lá, mas eufemismos que não dizem nada? Dispensável. Mas sabe a sinceridade de atitudes? Pois é. Não quer? Não ligue, não procure, não crie situações, não venha atrás quando eu tô numa boa. Não fique se fingindo de amiguinho. Te garanto que entendo tranquilamente. O que não suporto é que me confundam e me façam de idiota.

Não sei se são egoístas ou apenas estúpidos. Se querem ter alguém sempre à mão, pro caso de ter uma recaída ou só não fazem a mínima ideia do quanto essa gangorra emocional nos machuca. Não entendo a banalidade das relações, essa vontade férrea de nos manter à distância, sempre próximas, mas nunca o bastante para nos tornar permanentes.

Pessimista, eu? Nem tanto. Pensando bem, é até bem provável. Acho que desenvolvi diabetes, meu organismo não suporta mais nenhuma doçura, todas elas acabam me fazendo mal.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Amigo Secreto da Laje 2012

Eu nem sei como posso ser tão sortuda e ter os melhores amigos do mundo, mas tenho essa facilidade em encontrar pessoas incríveis. Sejam esses amigos 'reais' ou 'virtuais', são sempre pessoas lindas de coração, alegres, prestativos, inteligentes e alguns até verdadeiros artistas. Meus amigos são ecléticos, diferentes uns dos outros e originais em suas particularidades e eu só posso agradecer aos céus por essa 'sina'.

Nesse anos de vida virtual fui conhecendo muitas pessoas lindas, mesmo sem conhecê-las 'de verdade', o que impulsiona essa vontade de um dia sentarmos todas juntas e tomar um café (ou um chopp, quem sabe?). Um dia tudo isso pode ser possível. Ano passado eu conheci a Dani e esse ano, a Natália, e sei que aos poucos, as coincidências e os planos vão se encarregando de concretizar todas as nossas vontades.

Entre as blogueiras mais queridas da timeline, fazemos, todos os anos, uma espécie de confraternização, o Amigo Secreto mais legal de todos e lá se vão três anos de fofurice. Esse ano, participaram as queridas: Dani, Bel, Bbel, Ana, Lile, Patrícia e Juuh. Eu fiquei muito feliz com quem eu tirei, até porque, não tinha como não ficar: todas são queridas, mas como a Lile me tirou no primeiro Amigo Secreto, eu queria retribuir à altura e rachei o coco pensando no presente dela. Até que lá pelo site do Amigo Secreto, ela disse que queria um puzzle e eu, na minha ignorância, pensei: 'mas, gente, isso é de comer ou de beber?', então lá fui  eu pro tio Google procurar e, entre vários sites, acabei achando um que vendia um monte e passei dias escolhendo qual comprar e, para minha felicidade, quando ela recebeu o presente, veio logo me contar, por mensagem inbox, que namorava aquele puzzle há tempos. Fiquei toda convencida, me achando a Mãe Diná, rs. Daí que ainda faltava o presente regional, mas eu prefiro comprar em Teresina, porque no Centro de Artesanato 'Mestre Dezinho' tem as coisas mais legais, vááárias lojinhas que vendem de tudo, então, deixei pra comprar quando fosse pra casa da mamãe no Natal.

Fui num sábado, com mamãe, e fizemos a feira, comprei o presente regional da Lile e umas guloseimas pra mandar pra tia Zezé, junto com o presente de aniversário da Dani, mais guloseimas pra levar pra Rio Branco (agradar a sogra, néam?) e as cajuínas (mais postal e ímã de geladeira do Piauí) que prometi mandar pras todas as blogueiras. Mamãe também comprou um monte de coisas pra eu levar pra uma amiga dela, que também é de Rio Branco (não é de se espantar que paguei excesso de peso na ida pra lá). Só que, por causa do feriado, só consegui postar no dia da viagem, quando a atendente dos Correios fez a maior confusão e, após empacotar e registrar todos as minhas encomendas, me disse que o caixa dela estava com um problema no sistema e me passou pra outra atendente, que teve que estornar tudo, retirar os selos e registrar sete encomendas novamente. Resultado: quase duas horas nos Correios, o que me fez voltar pra casa e ir pra rodoviária voaaaando, mas mesmo assim perdi o ônibus pra São Luís (meu vôo saia de lá) e tive que pegá-lo em Timon (cidade vizinha a Teresina, mas que já é Maranhão). Foi uma saga épica. 

Não tenho uma boa relação com os Correios desde que eles extraviaram o presente regional que mandei pra Bel, em 2010, então, sempre desconfio dos serviços que eles prestam e não é para menos: a qualidade é péssima e deixa MUITO a desejar. É só fazer as contas: de 7 cajuínas que mandei, 2 chegaram quebradas, ou seja 28% das encomendas chegaram avariadas. É um número altíssimo e eu nem tô falando aqui do preço - nada barato - que a gente paga por esse serviço. Fiquei muito chateada, ainda mais porque a cajuína da Lile, minha Amiga Secreta, foi uma das que chegou quebrada. Não que eu não tenha me chateado pela da Bel, mas é que a principal pessoa que tinha receber era a Lile, né, gente? Por isso prometi mandar outra pra ela (e pra Bel também), assim que possível, mas, dessa vez, vou embalar no plástico bolha e acomodar com, sei lá, isopor ou qualquer outra coisa assim, porque não dá MESMO pra confiar nos Correios.

Enfim, voltando ao Amigo Secreto, por obra do acaso, meu presente chegou assim que eu viajei pra Teresina, no Natal, meu primo que mora comigo (Júnior) recebeu, mas não levou pra Teresina, me obrigando a guardar a curiosidade para quando voltasse das férias. Pelo menos o nome da remetente consegui saber antes, pela Carol, que sempre fica com a chave de casa, para dar uma olhada e comida pro Marx, nos dias que o Júnior também estava viajando. Foi uma alegria, chegar em casa cansada e jururu de saudades do Namorado, abrir aquela caixa e me deparar com tanta coisa linda.

O que será?
 
 Livros e fofurices
 
Estrelinhas origami pra dar sorte
Cartão de Natal em forma de caixinha cheio de tsúrus (pássaros origami) para trazer saúde e prosperidade e lindos marcadores de página (também origami).
A cartinha super carinhosa

Foi uma alegria receber tanto carinho em forma de presente, a Bbel me deixou encantada com tamanha habilidade, as estrelinhas, os tsúrus e os marcadores de páginas foram feitos por ela e são de um primor que me deixou boba. Não sou a pessoa mais talentosa quando um assunto é artesanato e tudo mais. Sem falar no carinho, todas aquelas coisinhas foram feitas por ela, uma a uma, pra me presentear. Muito amor, gente. E os livros? Não escondo a minha paixão por eles, tanto é que em três anos, sempre fui presenteada com eles e estes estavam há tempos na minha lista de desejados do Skoob. Já tô lendo o Feios e logo depois, será O céu está em todo lugar. Errei meu palpite esse ano, eu achava que era a Ana ou a Dani e nunca suspeitei da Bbel, mas foi uma surpresa maravilhosa, devo dizer, ter recebido tanto carinho dessa paulista super querida.


Nem preciso dizer que sempre vou querer participar do Amigo Secreto das Garotas da Laje, piada interna que vingou depois da primeira edição, porque o site fazia uma brincadeira com um churrasco na laje e um nêgão, que eu sempre queria ganhar (acabei ganhando um de presente do destino, né?). Não é simplesmente pelos presentes, porque senão cada uma compraria algo legal pra si mesma com aquele dinheiro que comprou o presente da outra e pronto, tava resolvido. É pela diversão em não saber quem te tirou, mandar recadinhos pra sua escolhida, fazer piadas no Mural do grupo, bater cabeça pensando no que mandar e ficar naquela expectativa pra receber o seu presente e ele vir cheinho de amor, carinho e fofura embalados numa caixa. Tem certas coisas intangíveis que não dá pra explicar o valor porque não tem preço.

Obrigada, meninas, por mais um ano de amizade, cada uma de vocês é especial pra mim, não tenham dúvidas. Saber que vocês existem, tão diferentes e únicas, alegra minha vida. Tenho certeza que, em algum momento, nossos destinos vão se cruzar e é claro que a gente vai voltar aqui, nesses nossos espaços virtuais, pra contar.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Retrospectiva

Apesar de um tanto atrasada, essa análise merecia ser escrita, então, já que ela está dentro de mim há um bom tempo, resolvi parí-la, porque isso aqui também é um diário e eu quero voltar a reencontrar esses sentimentos que hoje tenho daqui a algum tempo. Eu sei que quem me conhece ou acompanha o blog também já deve ter tirado suas próprias conclusões. Em resumo: 2011 foi um dos piores anos da minha vida, aliás, amplio de julho/2010 até o último dia de 2011. Cagado-até-o-fim. Mas, de certa forma, foi importante, uma desconstrução, assim como se prepara o solo prum novo cultivo destruindo toda a plantação anterior.

E o ano passado me trouxe muitas coisas maravilhosamente incríveis. Muito aprendizado, luta, conquistas, viagens, congressos, encontros, novas amizades, descobertas que impactaram a minha vida, mudanças nos meus hábitos alimentares e físicos, que eu precisava (e adiava) há tempos e um amor novinho em folha pra amolecer meu coração.

É verdade que tenho me afastado um pouco daqui, não por vontade própria, mas por excesso de vida. É tanta responsabilidade, muitas coisas pra fazer, aprender, ver, ler. Não dizem que blogueiro feliz não escreve? Acho que tô comprovando um pouco disso. Mas não me vejo longe daqui de vez, penso sempre em voltar, porque sei que tenho ainda muitas coisas a dizer por aqui. Talvez não tão regularmente, mas sempre registrando o que for mais importante.

A sensação de ser capaz é maravilhosa. A de se superar, então, fantástica. O fato de perceber o quanto evoluí (e evoluo um pouco mais todos os dias), na prática, é uma felicidade sem tamanho. Sei que há muitas pessoas incríveis na minha vida, que torcem por mim, pelo meu sucesso. Não ligo pro resto, sempre haverão invejosos e maliciosos, que se escondem à sombra daqueles que admiram.


É um ano novo e cheio de oportunidades, planos e expectativas, mas meu coração tá leve, feliz, em paz. Meu sorriso não sai do rosto e a alegria transparece nos olhos. O que mais quero é viver intensamente cada momento e levar comigo só o que for bom e fizer o bem.