sexta-feira, 8 de março de 2013

Menos rosas e mais respeito!


O Dia Internacional da Mulher mobiliza as mulheres em todo o mundo desde o ano de 1910. Nesse dia, as mulheres ocupam as ruas para lutar por conquistas e combater os retrocessos e perdas de direitos. Infelizmente, vemos a cada ano que a data foi banalizada pelo capitalismo, virou dia de mulher receber uma rosa e ouvir um 'parabéns por ser mulher', com mensagens que reforçam os estereótipos de beleza, doçura, sensibilidade, pureza, maternidade, etc., padrões esses que subjugam as habilidades e possibilidades da mulher, limitando sua atuação ao lar, marido e filhos. Mulheres não são flores de estufa, não são frágeis, não são feitas para serem subservientes, mulheres são fortes, dignas e capazes de realizar qualquer tarefa que se propuserem!

Vivemos sob uma falsa noção de empoderamento das mulheres, pois a ideologia pregada é a de que não existe opressão, que a Justiça é igualitária e todxs tem as mesmas oportunidades e possibilidades, o que sabemos, é falso. A presidente Dilma Roussef se elegeu com a expectativa das trabalhadoras, mas não vem avançando na conquista de melhores condições de vida, educação, emprego, saúde, moradia, transporte público, assistência social, entre outros. Não basta ser mulher, tem que governar para a classe trabalhadora, é necessário que xs trabalhadorxs entendam que apenas a união e organização política pode contribuir, de fato, para o avanço que tanto almejam.

Devemos comemorar o Dia Internacional da Mulher sem esquecer nem por um minuto que todo dia é dia de lutar por um mundo melhor. Lutar para que a Lei Maria da Penha seja efetivamente implantada, com centros de referência, casas abrigo, delegacias de mulheres, juizados especializados. Lutar contra a Reforma do Código Penal, que quer extinguir o parágrafo 9º do artigo 129, estabelecendo medidas alternativas e penas mais brandas pros agressores, colocando a violência doméstica no rol de crimes menos ofensivos. Lutar contra o Acordo Coletivo Especial, que prevê que os direitos sejam negociados livremente entre trabalhadorxs e empresários, possibilitando a flexibilização desses direitos, e, consequentemente, ameaçando com ainda mais afinco, os direitos das mulheres, como a licença gestante e o direito à amamentação. Lutar pelo direito às creches públicas, gratuitas e de qualidade, para que as trabalhadoras possam ter tranquilidade no seu emprego e até mesmo possam entrar no mercado de trabalho, visto que muitas não tem sequer com quem deixar os filhos, por vezes se colocando em situações de risco por não ter estabilidade financeira. Lutar pela descriminalização do aborto, um problema de saúde pública, que mata e mutila milhares de mulheres todo ano, em decorrência de abortos clandestinos. Lutar por uma ampla campanha de educação sexual e divulgação de métodos contraceptivos, com distribuição gratuita e sem burocracia para aqueles que necessitem. Em 2013, queremos denunciar as situações de violência, seja a violência física e psicológica, seja a violência institucional cometida pelo Estado em suas várias dimensões.

E é por isso que participar é fundamental. Pra lutar. Pra fugir do senso comum. Hoje é uma data importantíssima para as mulheres, com eventos, celebrações e reivindicações por todo o Brasil. A data é uma conquista do feminismo, não do capitalismo distribuidor de rosas que diariamente nega e reforça o sexismo. Não precisamos de rosas, precisamos de respeito!


Entenda, conheça, se informe, estude, participe de grupos feministas, de estudo e de lutas, contribua para a luta das mulheres e contra as opressões e exploração em que vivemos! Não importa o seu gênero, pois todxs sofremos com o machismo dominante. O feminismo dá voz às mulheres, como também abre o caminho para que homens se libertem da camisa de força da masculinidade tradicional.

Um comentário:

Lulu disse...

Jullyane,
Um maravilhoso dia internacional da mulher pra vc.
big beijos!
Lulu
blog | twitter | face