segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Nuances


Começou com os olhos que me enxergaram a alma, depois foram as palavras que me encantaram e divertiram, por último a barba espessa roçando minha pele. Foi daquelas coisas inevitáveis que a gente nem espera, até tenta resistir, mas só um pouco, porque sabe que amanhã ou depois, não adiantaria nada mesmo. De uma forma tranquila e leve me traz paz, me faz esperar uma mensagem no celular, me arranca um sorriso bobo.

Talvez não seja futuro, nem quero. Gosto de ser assim, novidade. Da intimidade se fortalecendo, das descobertas, dos encantos, não quero a toalha molhada em cima da cama ou as prestações vencendo no fim do mês. Acho que sou dessas pessoas que não nasceram pra ser a última história, mas aquela que é saudosa e encontra eco no coração.

Incrível essa sintonia expressa nos detalhes, na confiança dos segredos da alma, na vontade de experimentar, em sentir que pode ser você mesmo sem medo nem culpa. Eu sei que sou seu escape, quando ser quem você deveria se torna muito pesado, mas não ligo, gosto de ter um você que não é dos outros.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

I don't love you anymore


Sua pele na minha e eu não me arrepio mais. Seu cheiro continua tão bom, tão seu. Seu beijo me é familiar, eu reconheceria de olhos fechados. Estar com você é confortável, terno e seguro. Você conhece meu corpo tão bem, meu gosto, minhas manias, meus olhares. E ainda assim isso não me convence, eu não vejo mais um futuro para nós. É tão triste perceber que está tudo bem e ainda assim essa normalidade carece da emoção de outros tempos. 

Acho que as mágoas e o tempo cimentaram meus sentimentos. Você admitir suas responsabilidades é importante e demonstra o quanto você amadureceu, mas desculpe, é tarde demais. Eu quis tanto ouvir essas palavras, mas agora elas não penetram mais meu coração, ficam ali no limbo dos sentimentos, suficientemente importantes para serem notadas, mas não o bastante para me tentar.

Queria te odiar, por mais contraditório que possa parecer, porque ainda seria uma emoção forte, mostraria que eu me importo. Mas não, eu gosto de você, de estar perto, conversar, do sexo familiar. É bom, gostoso, mas não me completa mais. Não me empolga. Não me faz ter vontade de enfrentar todos os nossos problemas.

Eu mudei. O que tínhamos não é o que eu quero mais, talvez nunca tenha sido e só agora me dei conta. É estranho, não faz tanto tempo assim que ter você era a fonte de todos os meus anseios. Mais do que tudo, aquele setembro me mudou. Quando me despedi de você naquela rodoviária, já sabia que era a última vez.

No auge da paixão não queremos admitir a fragilidade da vida, as nuances dos sentimentos. O fato é sólido, os amores mudam. Eu sentir falta da sua mãe, querer saber como anda sua nova sobrinha e me alegrar com suas vitórias não é amor. Talvez seja amizade, carinho, consideração. O nome pouco importa.

Te quero bem, feliz, inteiro, intenso. Não pra mim, mas pra vida. Como uma cena final de um filme, o que me seduz é aquele olhar misterioso do que está por vir.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Amigo Secreto da Laje 2013

Como já é tradição, todos os anos nos reunimos para celebrar nossa amizade, entre um seleto grupo de blogueiras (algumas até se conhecem fora do mundo virtual) super queridas com um animado Amigo Secreto, esse ano tivemos a baixa da Ana e da Patrícia, mas a primeira participou praticamente de tudo, só não ganhou (nem mandou) presente, mas já garantiu a participação pro próximo. Olha lá, hein, Ana? Você fez muita falta na nossa brincadeira! Então, estavam na disputa: eu, Dani, Bel, Anabel, Ju Rodrigues e Lile.

Esse ano foi consensuado que iríamos enviar os presentes em janeiro, o que, na minha opinião, não deu muito certo. Considerando os nossos atrasos, que já são de praxe, mais o descaso dos correios, o resultado é que aqui estamos, praticamente em março, ainda emboladas com a revelação do AS. Então, fica aqui o meu apelo, vamos voltar pra dezembro, meninas? Muita aflição adiar o envio e a revelação dos presentes!

Adoro participar dessa brincadeira, ficar imaginando quem que vai me tirar, o que eu vou ganhar, receber os bilhetinhos, todo o carinho e cuidado, não tem preço. E esse ano, tive uma surpresa maravilhosa, porque, afinal de contas, eu quase sempre erro o palpite de quem me tirou. Nunca na vida adivinharia que meu presente viria de Uberaba! Isso mesmo, quem me tirou foi a Dani!

Recebi o presente do carteiro, claro que é o mesmo que vai pegar o malote na UFPI e é claro que eu estava de camisola super sexy #sqn again. Não é o mesmo de outros tempos, meu velho amigo que até me ligava pra dizer que as encomendas tinham chegado, mas o que era meio chatinho e de cara amarrada que não gostava de mim, só que hoje já é meu brother e fica se lamentando porque eu vou embora. Recebi a encomenda e foi todo um ritual, coloquei a caixona bem no meio da sala e fui tirando fotos, desempacotando com cuidado, morrendo de amor a cada descoberta.

O que será?
Embrulho super bacana
 
 Fofurices
 

O presente foi da Imaginarium - que eu adoro! - que sempre tem coisas tão fofas e eu sou aquela pessoa que ama penduricalhos. Ganhei um cubo com fotos personalizadas, que a Dani fez questão de selecionar, de momentos que ela acha importante pra mim ou fotos que ela acha que me caracterizam, como nosso encontro, minha formatura, a militância, a tatuagem no meu pé, Heitor, etc. E a coisa mais linda do mundo é que esse cubo fica girando, gente, vocês tem noção do amor? É uma lindeza só!!!

Daí que ganhei outras coisas, doce de leite na palha e doce de leite com chocolate (amo!), um chaveirinho de vaquinhas (ela sempre me diz que é o que Uberaba tem de melhor e eu gosto de pensar que como eu dei a Pão-de-ló pra ela, é meio que um símbolo da nossa amizade) e uma geléia de caipirinha (não me perguntem porquê, não faço ideia, rs), que eu ainda não provei, só o Égil, de metido.

Cubo mágico?

E, como não poderia deixar de ser, também veio a cartinha mais linda do mundo, cheinha de amor, carinho, confiança, amizade. São muitos anos (nenhuma de nós sabe o quanto ao certo) que nos amamos de longe, como se fosse perto, é muita história que compartilhamos, momentos bons e ruins, muito riso, muita lágrima, muito conselho, muita amizade. A Dani é aquela amiga que eu não sei explicar porque, só sei que é. Agradeço muito todo o amor que veio de presente pelos correios, mas agradeço ainda mais pelo que é intangível e essencial, como já dizia Saint-Exupéry, que é invisível aos olhos.

Cartinha cheia de amor

Já que a Anabel postou primeiro que eu, vou falar um pouquinho de como foi que escolhi o presente da AS que eu tirei. Foi uma saga encontrar o presente dela, já que ela não me pediu nada, não me deu nenhuma dica e eu já tinha dado tanta coisa pra ela (das quatro edições, tirei ela em três!). Nada era novidade! Enchi o saco da Jady e da filha da Anabel, por tabela. Pensei em dar sapatilhas estilizadas lindas da Miallegra (dica de presente pra mim, n.º 37, please, hahahaha), mas descobri que ela não usa sapato fechado. Me embananei toda de novo. Depois de incomodar meio mundo de gente e de visitar vários sites, pedi um livro que não tinha mais no estoque do Submarino (sobre fotografia digital, super bacana) e por fim, segui a dica da minha amiga fotógrafa Dayne Dantas, que me sugeriu Sebastião Salgado (ela disse que era sem erro e comprovei). Juntei mais umas fofurices, lápis coloridos para a coleção dela, um super clipe de borboleta e a cajuína que os correios entregou quebrada, ano passado. Fiquei super feliz porque ela adorou e fez um post lindo contando tudo, é só conferir aqui.

 Para Ilhéus, com amor

E assim terminou mais um ano de Amigo Secreto da Laje, espero que venham muitos outros anos de brincadeiras, muitas surpresas boas e um estoque ilimitado de carinho!

Xêro grande pr'ocês, meninas!

Revelações:
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

.forever is a long time.


Não sei dizer muito bem como estou me sentindo. A palavra geral é confusa, mas acho que não exprime muito bem. Eu sabia que ainda não tinha sido escrito o final definitivo da nossa história, mas achei que não haveria nenhuma surpresa ou reviravolta. Só em perceber que você sabe os meus motivos e entende os meus porquês, meu coração dá um pulo no peito.

Embora eu não tivesse aquela certeza absoluta, por questões de tempo, espaço e oportunidades, estava me encaminhando para ela, me sentia bem, serena, em paz com minhas decisões. Agora, não sei mais o alcance delas ou que esperar das minhas reações.

É tão estranho ninguém ver o mundo que levamos por dentro, toda a miríade de sentimentos que surgem num segundo, num olhar, numa frase, num momento, dentro da gente. Não sou dessas pessoas que expressam tudo o que sentem, escondo muita coisa, pra me preservar. Tenho toda uma ordem de prioridades, meu amor próprio e minha dignidade sempre estão à frente dos demais sentimentos. Os mais sentimentais podem me acusar de não conhecer o amor verdadeiro, então, mas eu sei muito bem de mim e do que sinto. Já aprendi a lidar melhor com o meu orgulho crônico, me preservando de algumas inconveniências, mas também abrindo mão de algumas coisas.

Não sou uma pessoa inconstante, embora mude muito de humores, minha essência persevera. Não sou aquela pessoa que vai viver em função de um relacionamento, tenho tantos interesses e preciso de outras pessoas na minha vida para ser feliz. Isso não quer dizer que não me dôo ao máximo, que não deixo claro que meu companheiro é uma prioridade também. O complicado é entender que esse "também" não o diminui em nada, muito pelo contrário, enriquece ainda mais nossa relação.

 Difícil enterrar o que ficou pra trás sem carregar um amargo no fim. Volta, revira, revive. Espero que a doçura não seja demais pro meu paladar cansado.
              

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

.eu também.


Daqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

.capítulos.


No meio das vãs esperanças das pessoas de que eu 'encontre o amor novamente', me perco. Não estou disposta a atender às expectativas de ninguém, nem quero dar explicações do que acontece na minha vida. Tão bom viver leve, tranquila e despreocupada. Viver pra mim, e só. Se apaixonar é bom, mas relacionamento é tão complicado, eu só não tô no clima. Pode ser que eu mude de ideia, pode ser que não, mas só cabe a mim decidir.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

.dos motivos do meu ateísmo.

É meio polêmico falar sobre isso e eu nunca tinha falado tão abertamente quanto agora. As pessoas tem muito preconceito e às vezes eu só não tô com saco para ouvir tanta baboseira. Não "nasci" ateia. Eu tive convivência com a religião desde sempre, meus pais não eram praticantes de nenhuma religião mais específica, mas sempre foram pessoas religiosas, que acreditam em Deus. Eu frequentei a igreja católica por bastante tempo, fui batizada lá, fiz primeira comunhão, me crismei, participei de grupos de jovens, legião e liturgia de Maria, gostava de ir às missas, cantar os hinos e tudo mais. Não ia regularmente, mas gostava de ir quando possível. Quando fiquei mais velha, passei a frequentar centros espíritas, ler livros, tomar passes, eu gostava muito daquele ambiente de aprendizado e tolerância que eu encontrava por lá.

Mas eu nunca achei que tudo o que as pessoas diziam tava correto, sempre discordei de várias coisas. Lembro de dizer à minha mãe, lá pelos meus dezessete anos, que a Bíblia poderia ser um livro com grande dose de sabedoria, mas que eu não acreditava ser um livro sagrado. Não foi escrito por Deus, mas por homens, anos e anos após a morte de Jesus, numa época que ninguém tinha os conhecimentos e a tecnologia que temos hoje. Um eclipse era um acontecimento inexplicável!

Então, com o tempo, comecei a mudar minha concepção de Deus. Lia muitos livros que me mostravam diferentes crenças, ao longo da história, da concepção de Deus/Deusa. Percebi que o paganismo (assim denominado pelo cristianismo) tinha ideias totalmente diferentes das que as religiões professam hoje. Não havia esse moralismo, esse julgamento perante às atitudes do outro, esse preconceito com relação à mulher. Bom, foi muito lógico pra mim questionar esse modelo de divindade antropomórfica.

Segui acreditando numa força espiritual maior que deveria nos reger de alguma forma, aprofundei minhas leituras, não apenas na história, já que sou marxista dialética, mas também nos aspectos sociais e culturais como um todo. Percebi a força limitadora e alienadora que a Igreja foi ao longo dos séculos, o quanto os dogmas serviram de pano de fundo para subjugar mulheres, negros e gays, o quanto a Igreja cumpriu seu papel como braço do Estado de forma a conformar os pobres da sua condição, já que o reino dos céus prepara uma existência sublime para eles após a morte. Meu ateísmo foi apenas uma constatação diante de tanta contradição, incoerência, crueldade e intolerância.

Algumas pessoas poderiam discordar da minha reflexão dizendo que quem faz tudo isso são os homens, não Deus, mas eu não consigo acreditar numa divindade que permite que isso aconteça em nome d'Ele. É muito simples pra mim, desde o início dos tempos, os homens sempre criaram lendas e mitos para explicar o incompreensível. Os homens precisam colocar a responsabilidade acerca das suas atitudes em algo acima deles, precisam depositar sua fé na possibilidade de mudança em algo que eles não possam controlar, para assim ter mais paz e equilíbrio, mesmo que de forma inconsciente, dos fatos duros da vida.

Tenho muita tranquilidade com minha decisão de não professar nenhuma religião e de não acreditar em Deus, embora tenha acreditado por muito tempo. Essas deduções são mais ou menos recentes, iniciaram cerca de 2 ou 3 anos atrás. Eu não compreendia o que era ser ateu, admito que era meio contaminada pelo preconceito que impera em relação a esse assunto. As pessoas, infelizmente, compreendem os ateus como pessoas que odeiam Deus, pois "o contrário de amor só pode ser o ódio", mas não é bem assim. Não vou dizer que não existam pessoas ateias intolerantes, pois elas existem em todos os lugares, mas observo que a incidência é muito rara. 

Sou ateia e vou em missas, cultos, batizados, faço as orações de praxe nos rituais necessários, não cruzo os braços ou começo um discurso contra isso no meio de todo mundo. Não tenho nada contra a fé de ninguém, não bato na porta das pessoas domingo de manhã pra tentar convencê-los que Deus não existe. Eu aceito as convicções religiosas das pessoas numa boa, mesmo que sejam diferentes das minhas. Eu sou uma pessoa boa, que tenta ser melhor a cada dia, que tenta ser mais e mais tolerante e exercita diariamente a busca pelo direito de todxs de serem aquilo que quiserem, sem que ninguém as julgue por isso, ainda que seja totalmente o oposto de mim.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

.entretantos.


Eu não sei bem o que dizer pra explicar tanta coisa que aconteceu nesse ano que passou, amei, sofri, perdi pessoas que amava, aprendi, vivi e me reconstruí de muitas formas. Continuo a mesma pessoa, na essência, mas nunca a mesma do dia anterior. 

Tive depressão e poucas pessoas souberam, comecei a fazer terapia ainda em abril e estou em processo de alta. Me sinto bem, leve, feliz. Meu terapeuta é maravilhoso e me ajudou muito, ele diz que minha trajetória é incrível, que aprendeu muito comigo também e que hoje é feminista, preocupado com a situação social de vulnerabilidade da mulher. É bom saber que influencio as pessoas a pensarem diferente. 

Se olhar as fotos, bate até uma nostalgia, viajei muito esse ano: Rio Branco, Puerto Maldonado (Peru), Cobija (Bolívia), Brasília, Pedro II, São Paulo, São Luís e Belo Horizonte. Fui a muitas festas, casamentos, formaturas, aniversários, almoços em família. Fiquei muito com meus pequenos, me diverti muito com a minha família, me reconciliei com uma parte dela. Passei um natal e um reveillón excelentes, sem viajar pra lugar nenhum, rodeada das pessoas mais amadas e queridas. Conheci muitas pessoas e continuei amando e cativando meus amigos de sempre. Li muitos livros, assisti muitos filmes, sorri, chorei, mandei mensagens. Pouco escrevi, é verdade, mas muito registrei.

A militância, como sempre, tomou uma grande parte do meu tempo e energia e, de muitas formas, também foi onde me apeguei para não me deixar levar pela tristeza. Meu ideal de vida me dá esperança de construir um mundo melhor. Não é fácil, mas também não é impossível. Morrerei lutando e acreditando, pois hoje posso dizer sinceramente que o partido - e seus princípios - me fizeram uma pessoa melhor, mais tolerante com as diferenças, mais empática ao sofrimento dos outros. Os que acreditam em Deus podem achar que é obra d'Ele, como eu não creio, afirmo tranquilamente que não me importa discutir Sua existência, apenas ter a consciência da minha evolução como pessoa.

Estou a um passo de uma grande mudança, voltar para Teresina representa risos e lágrimas, às vezes fico insegura, outras saudosa, mas tenho confiança que tomei a melhor decisão, apenas verei isso a longo prazo, pois é difícil sair da zona de conforto. E esse ano vai ser um desafio, sob muitos aspectos, mas estarei sempre tentando dar o melhor de mim, mesmo quando o desânimo me pegar, porque eu lutei muito até aqui e entre tantos poréns, sobrevivi.