quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

.dos motivos do meu ateísmo.

É meio polêmico falar sobre isso e eu nunca tinha falado tão abertamente quanto agora. As pessoas tem muito preconceito e às vezes eu só não tô com saco para ouvir tanta baboseira. Não "nasci" ateia. Eu tive convivência com a religião desde sempre, meus pais não eram praticantes de nenhuma religião mais específica, mas sempre foram pessoas religiosas, que acreditam em Deus. Eu frequentei a igreja católica por bastante tempo, fui batizada lá, fiz primeira comunhão, me crismei, participei de grupos de jovens, legião e liturgia de Maria, gostava de ir às missas, cantar os hinos e tudo mais. Não ia regularmente, mas gostava de ir quando possível. Quando fiquei mais velha, passei a frequentar centros espíritas, ler livros, tomar passes, eu gostava muito daquele ambiente de aprendizado e tolerância que eu encontrava por lá.

Mas eu nunca achei que tudo o que as pessoas diziam tava correto, sempre discordei de várias coisas. Lembro de dizer à minha mãe, lá pelos meus dezessete anos, que a Bíblia poderia ser um livro com grande dose de sabedoria, mas que eu não acreditava ser um livro sagrado. Não foi escrito por Deus, mas por homens, anos e anos após a morte de Jesus, numa época que ninguém tinha os conhecimentos e a tecnologia que temos hoje. Um eclipse era um acontecimento inexplicável!

Então, com o tempo, comecei a mudar minha concepção de Deus. Lia muitos livros que me mostravam diferentes crenças, ao longo da história, da concepção de Deus/Deusa. Percebi que o paganismo (assim denominado pelo cristianismo) tinha ideias totalmente diferentes das que as religiões professam hoje. Não havia esse moralismo, esse julgamento perante às atitudes do outro, esse preconceito com relação à mulher. Bom, foi muito lógico pra mim questionar esse modelo de divindade antropomórfica.

Segui acreditando numa força espiritual maior que deveria nos reger de alguma forma, aprofundei minhas leituras, não apenas na história, já que sou marxista dialética, mas também nos aspectos sociais e culturais como um todo. Percebi a força limitadora e alienadora que a Igreja foi ao longo dos séculos, o quanto os dogmas serviram de pano de fundo para subjugar mulheres, negros e gays, o quanto a Igreja cumpriu seu papel como braço do Estado de forma a conformar os pobres da sua condição, já que o reino dos céus prepara uma existência sublime para eles após a morte. Meu ateísmo foi apenas uma constatação diante de tanta contradição, incoerência, crueldade e intolerância.

Algumas pessoas poderiam discordar da minha reflexão dizendo que quem faz tudo isso são os homens, não Deus, mas eu não consigo acreditar numa divindade que permite que isso aconteça em nome d'Ele. É muito simples pra mim, desde o início dos tempos, os homens sempre criaram lendas e mitos para explicar o incompreensível. Os homens precisam colocar a responsabilidade acerca das suas atitudes em algo acima deles, precisam depositar sua fé na possibilidade de mudança em algo que eles não possam controlar, para assim ter mais paz e equilíbrio, mesmo que de forma inconsciente, dos fatos duros da vida.

Tenho muita tranquilidade com minha decisão de não professar nenhuma religião e de não acreditar em Deus, embora tenha acreditado por muito tempo. Essas deduções são mais ou menos recentes, iniciaram cerca de 2 ou 3 anos atrás. Eu não compreendia o que era ser ateu, admito que era meio contaminada pelo preconceito que impera em relação a esse assunto. As pessoas, infelizmente, compreendem os ateus como pessoas que odeiam Deus, pois "o contrário de amor só pode ser o ódio", mas não é bem assim. Não vou dizer que não existam pessoas ateias intolerantes, pois elas existem em todos os lugares, mas observo que a incidência é muito rara. 

Sou ateia e vou em missas, cultos, batizados, faço as orações de praxe nos rituais necessários, não cruzo os braços ou começo um discurso contra isso no meio de todo mundo. Não tenho nada contra a fé de ninguém, não bato na porta das pessoas domingo de manhã pra tentar convencê-los que Deus não existe. Eu aceito as convicções religiosas das pessoas numa boa, mesmo que sejam diferentes das minhas. Eu sou uma pessoa boa, que tenta ser melhor a cada dia, que tenta ser mais e mais tolerante e exercita diariamente a busca pelo direito de todxs de serem aquilo que quiserem, sem que ninguém as julgue por isso, ainda que seja totalmente o oposto de mim.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

.entretantos.


Eu não sei bem o que dizer pra explicar tanta coisa que aconteceu nesse ano que passou, amei, sofri, perdi pessoas que amava, aprendi, vivi e me reconstruí de muitas formas. Continuo a mesma pessoa, na essência, mas nunca a mesma do dia anterior. 

Tive depressão e poucas pessoas souberam, comecei a fazer terapia ainda em abril e estou em processo de alta. Me sinto bem, leve, feliz. Meu terapeuta é maravilhoso e me ajudou muito, ele diz que minha trajetória é incrível, que aprendeu muito comigo também e que hoje é feminista, preocupado com a situação social de vulnerabilidade da mulher. É bom saber que influencio as pessoas a pensarem diferente. 

Se olhar as fotos, bate até uma nostalgia, viajei muito esse ano: Rio Branco, Puerto Maldonado (Peru), Cobija (Bolívia), Brasília, Pedro II, São Paulo, São Luís e Belo Horizonte. Fui a muitas festas, casamentos, formaturas, aniversários, almoços em família. Fiquei muito com meus pequenos, me diverti muito com a minha família, me reconciliei com uma parte dela. Passei um natal e um reveillón excelentes, sem viajar pra lugar nenhum, rodeada das pessoas mais amadas e queridas. Conheci muitas pessoas e continuei amando e cativando meus amigos de sempre. Li muitos livros, assisti muitos filmes, sorri, chorei, mandei mensagens. Pouco escrevi, é verdade, mas muito registrei.

A militância, como sempre, tomou uma grande parte do meu tempo e energia e, de muitas formas, também foi onde me apeguei para não me deixar levar pela tristeza. Meu ideal de vida me dá esperança de construir um mundo melhor. Não é fácil, mas também não é impossível. Morrerei lutando e acreditando, pois hoje posso dizer sinceramente que o partido - e seus princípios - me fizeram uma pessoa melhor, mais tolerante com as diferenças, mais empática ao sofrimento dos outros. Os que acreditam em Deus podem achar que é obra d'Ele, como eu não creio, afirmo tranquilamente que não me importa discutir Sua existência, apenas ter a consciência da minha evolução como pessoa.

Estou a um passo de uma grande mudança, voltar para Teresina representa risos e lágrimas, às vezes fico insegura, outras saudosa, mas tenho confiança que tomei a melhor decisão, apenas verei isso a longo prazo, pois é difícil sair da zona de conforto. E esse ano vai ser um desafio, sob muitos aspectos, mas estarei sempre tentando dar o melhor de mim, mesmo quando o desânimo me pegar, porque eu lutei muito até aqui e entre tantos poréns, sobrevivi.