terça-feira, 21 de outubro de 2014

I don't love you anymore


Sua pele na minha e eu não me arrepio mais. Seu cheiro continua tão bom, tão seu. Seu beijo me é familiar, eu reconheceria de olhos fechados. Estar com você é confortável, terno e seguro. Você conhece meu corpo tão bem, meu gosto, minhas manias, meus olhares. E ainda assim isso não me convence, eu não vejo mais um futuro para nós. É tão triste perceber que está tudo bem e ainda assim essa normalidade carece da emoção de outros tempos. 

Acho que as mágoas e o tempo cimentaram meus sentimentos. Você admitir suas responsabilidades é importante e demonstra o quanto você amadureceu, mas desculpe, é tarde demais. Eu quis tanto ouvir essas palavras, mas agora elas não penetram mais meu coração, ficam ali no limbo dos sentimentos, suficientemente importantes para serem notadas, mas não o bastante para me tentar.

Queria te odiar, por mais contraditório que possa parecer, porque ainda seria uma emoção forte, mostraria que eu me importo. Mas não, eu gosto de você, de estar perto, conversar, do sexo familiar. É bom, gostoso, mas não me completa mais. Não me empolga. Não me faz ter vontade de enfrentar todos os nossos problemas.

Eu mudei. O que tínhamos não é o que eu quero mais, talvez nunca tenha sido e só agora me dei conta. É estranho, não faz tanto tempo assim que ter você era a fonte de todos os meus anseios. Mais do que tudo, aquele setembro me mudou. Quando me despedi de você naquela rodoviária, já sabia que era a última vez.

No auge da paixão não queremos admitir a fragilidade da vida, as nuances dos sentimentos. O fato é sólido, os amores mudam. Eu sentir falta da sua mãe, querer saber como anda sua nova sobrinha e me alegrar com suas vitórias não é amor. Talvez seja amizade, carinho, consideração. O nome pouco importa.

Te quero bem, feliz, inteiro, intenso. Não pra mim, mas pra vida. Como uma cena final de um filme, o que me seduz é aquele olhar misterioso do que está por vir.

(Só para esclarecer aos desavisados: o marcador 'crônicas' quer dizer que os textos são fictícios e não correspondem à minha vida pessoal)