terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O ano que passou

Turbilhão, superação, aprendizado, intenso, sofrido, louco. São poucas palavras que resumem, ainda que de forma bem sutil. Acho que esse foi o ano mais puxado de todos, em que muitas vezes mal tive tempo pra mim. A mudança de Parnaíba para Teresina se arrastou por meses e finalmente saiu em março, me mudei para Teresina, mas ainda assim só entreguei a casa de Parnaíba em julho. Foi uma trabalheira reorganizar novamente meu espaço, reforma na casa de mamãe, uma dinheirama gasta em móveis novos, entre itens de decoração e tudo o mais, mas valeu a pena (embora já tenha acabado o espaço nas minhas prateleiras pra livros, já tô planejando como - e onde - fazer mais). A readaptação à cidade, reavivar amizades antigas, viver novas, o setor novo na UFPI, a receptividade, o trabalho chato e burocrático, tudo isso ao mesmo tempo. Já está mais estabilizado, mas é um processo que demora mesmo para se equilibrar.

Meu cantinho


A greve foi aquela loucura de sempre, mas com a experiência de compor, além do comando local, o comando nacional de greve, em Brasília, por 15 dias. Militei muito, revi amigos, tomei muita cerveja discutindo política, participei de várias manifestações, conheci pessoas novas, enfim, muito aprendizado em meio ao tumulto. É difícil transpor a realidade nacional para a UFPI, por n motivos, mas principalmente pelo atraso que é a consciência dos trabalhadorxs aliada à falta de trabalho de base do sindicato. É uma eterna disputa que nós não sabemos ainda quando vamos vencer, mas estamos aí tentando mudar de qualquer forma.

Greve dos TAES


Não tem como explicar o que foi a campanha eleitoral de forma exata. E sim, fui candidata à deputada federal. Tinha dias que acordava às 3h da manhã para panfletar em garagem de ônibus e quase nunca chegava em casa antes das 22h. Fizemos campanha em praças, escolas, gráficas, universidades, canteiros de obras, zona rural, várias cidades do estado, etc. No geral, tinha apenas um dia na semana pra me organizar ou descansar, mas não era sempre. Escrever e gravar os programas eleitorais também foi outro desafio, vocês não tem ideia do quanto é difícil denunciar e passar o programa do partido, de forma coerente e didática em poucos segundos, mas ficamos super felizes com os resultados. Quem quiser dar uma olhada, é só acessar a página do PSTU Piauí no Youtube. Nossos programas foram super elogiados e nossas aparições nos debates e programas de TV também.

É claro que não podemos deixar de levar em conta minha inexperiência, mas tenho consciência que me desdobrei e me superei em muitos momentos, ainda mais por ser uma campanha financiada pelxs próprixs trabalhadorxs, feita por nós, com apenas nossa garra e disposição, fruto de nosso esforço pessoal e coletivo em fazer algo diferente. Saí da campanha com a sensação de dever cumprido e um número de votos que superaram nossas expectativas. Ser candidata me fez aprender muita coisa, conhecer muita gente e também ser reconhecida.

Campanha Eleitoral


Outra coisa que também marcou o meu ano foi o lançamento da coletânea Blasfêmas - elas entre poemas e prosas, da qual orgulhosamente fiz parte. Há alguns anos conheci o produtor artístico e cultural Carlos Pontes, através da minha participação no blog O Caju, em que eu assinava uma coluna, convidada pelo meu querido amigo/irmão, poeta super talentoso, Ithalo Furtado (super indico os textos e os livro dele, gente!). A ideia de juntar escritoras piauienses num livro de prosa e poesia partiu do Carlos e dele também foi todo o empenho de conseguir grana pra lançar o livro, coisa que é bem difícil com a escassez de recursos destinados à cultura. O livro saiu em julho e, além de uma lindeza, também é um super orgulho. Mais: um sonho realizado. Teve um lançamento em Parnaíba, que por causa da agenda da campanha não pude comparecer, mas no dia 02/08, às 19h, na Livraria Entrelivros, foi o lançamento em Teresina e eu quase morri de amô, com tudo lindo e super caprichado, grande parte das autoras (são dez!), o organizador, minha família e amigos mais queridos presentes, muitos convidados, coquetel e champanhe, enfim! Um super incentivo pra levar a sério um hobby que me faz muito bem e que eu abandono de vez em quando, mas nunca largo, que é escrever. Quem sabe qualquer dia desses não saia um "filho" totalmente meu?

Lançamento Blasfêmeas


Fora as viagens da campanha pelo interior do Piauí e à Brasília, por conta da militância, e com toda a loucura do ano, não deixei de turistar, uma das coisas que eu mais amo fazer. Passei o carnaval entre João Pessoa e Recife/Olinda, conhecendo praias lindas, revendo amigos e aproveitando a cultura maravilhosa dessas cidades. Voltei à João Pessoa em dezembro também, por uns dias, nas férias e foi uma delícia, mesmo que rapidinho. Conhecer JP e suas praias me deliciaram com visões das mais espetaculares e a vontade de voltar é constante. Em dezembro também passei uns dias em Barra Grande (litoral do Piauí), velha conhecida, mas um dos lugares que eu mais amo estar no mundo, que me traz paz e me sintoniza com a natureza de uma forma maravilhosa. Outra cidade que tive o prazer de conhecer foi o Rio, que por mais clichê que possa parecer, é MUITO lindo. Não dá pra explicar, só é diferente de qualquer outro lugar que eu já tenha ido, só a visão panorâmica da chegada na cidade é de tirar o fôlego! Claro que fiz todos os passeios de primeira vez, Pão de Açúcar, Cristo, Lapa, praticamente não dormi os poucos dias em que estive lá, mas nem precisava. Também voltei em São Luís, que mesmo sendo vizinha fazia um tempinho que eu não visitava, então aproveitei o casamento dos queridos amigos (Felipe e Fernanda) para passear pelo Reviver e a orla da  Litorânea.

Viagens


Um dos pontos negativos do ano foi minha total falta de rotina e com isso, de disciplina no cuidado com alimentação e prática de exercícios. Sabe quando você relaxa totalmente? É claro que os resultados não foram bons, ganhei mais de dez quilos durante o ano e mais que isso uma indisposição terrível e um possível caso de refluxo, fruto dos excessos do final do ano e férias. Então, que uma das minhas metas pro ano é encontrar algo que eu goste de fazer e mudar certos hábitos que tem me feito mais mal que bem. Não quero me tornar obcecada com meu corpo nem nada disso, mas preciso ter uma qualidade de vida maior, me sinto sem nenhum condicionamento físico e não é mais todas as comidas que me caem bem. Daqui a pouco chegam os trinta, tenho que me cuidar.

Tive uma grande decepção esse ano com uma amizade, na verdade, não exatamente apenas com uma, mas de uma forma mais forte com uma pessoa que eu considerava demais e compreendi que elx não tem nenhuma moral ou princípio, que se for pra se dar bem e se safar, vai fazer qualquer coisa, inventar qualquer mentira e passar por cima de qualquer amizade. Fiquei triste, de coração partido mesmo, me achando boba, crédula e idiota por ter passado tantos anos sem enxergar quem de fato elx era. Chorei muito e me recriminei pela minha ingenuidade, mas também passei a compreender diversas coisas, a fazer uma releitura de vários episódios do passado. E no final, fiquei feliz em perceber que tinha pessoas ao meu lado para me ajudar a passar por aqueles problemas e compreender que não sou eu que estou errada por me entregar e acreditar numa amizade, mas quem se aproveita disso conscientemente, para se beneficiar em detrimento do prejuízo dx outrx. Não tem como não sair afetada, não repensar muita coisa, não aprender a ser mais cautelosa, ao mesmo tempo, não me tornei amargurada, tenho várias pessoas lindas e de coração bom para me mostrar que não é um erro me abrir para as pessoas, que muitas delas ainda valem pena.

Acho que não sei como explicar esse ano pela sua intensidade, principalmente. Descobri muita coisa sobre mim durante esse período. Nunca fui uma pessoa "normal", sempre contestei muita coisa, mas tem piorado/melhorado bastante. Então que cada dia mais me desvinculo de rótulos e fórmulas, me jogando em novas experiências e vivências. Tenho repensado muita coisa e acho que não me encaixo mais na maioria dos padrões. Os relacionamentos usuais não me satisfazem mais e acho que é muito difícil que eu vá fazer parte do time dos casados convencionalmente. Não tô criticando ninguém, gente, pelamor. Só que com as minhas experiências, vivências e estudos, é uma coisa que eu não quero mais. Ainda não sei bem o quero, acho que tenho que descobrir vivendo mesmo e com certeza ainda tenho muita coisa pra me livrar até chegar nessa resposta. Claro que quero me apaixonar, ter filhos e umx companheirx, mas acho que elx tem que tá também na mesma vibe que eu (bem essa que eu ainda tô descobrindo, hahahaha).

Então chegou 2015 novinho e cheio de dias que me trarão novas descobertas. Com certeza, dias felizes, de luta, de pequenas decepções, de surpresas, de tristezas, de preguiça, de ternura, de dificuldades, de milhões de sentimentos e facetas diferentes. Você quer vir comigo descobrir?

2 comentários:

Ângelo disse...

Como vc consegue fazer isso de ficar mais interessante a cada dia? Acompanhar vc e sua evolução ao longo dos anos é sempre uma grata surpresa. Bom saber das novidades, que pena que vc não conseguiu ter mais tempo pra nós, meros leitores espectadores. Beijos

Aline Monteiro Homssi disse...

Ju, vc é ídola!
Admiro demais você, e fico feliz com tudo de bom que tem acontecido com você.
Super certeza de que você vai longe!
Bjo!!!